Nunca fui das mais festeiras. Na verdade nunca fui daquelas que saía aos finais de semana, que dizia que ia dormir na casa de amiga just to party hard. Também, considerando que VIX é um ovo e as "atrações" sempre foram as mesmas, não era assim tão animador.
Me lembro do primeiro convite pra uma festa que chegou apenas no meu nome. Tinha 14 anos. Era aniversário de 15 anos de uma amiga, num clube chique da cidade e para desespero dos meus pais minha alegria, começaria as 23h. Meus pais me levaram e eu voltaria com outro pai.
No primeiro ano de faculdade, com 17 anos, tudo era novidade e deu pra curtir um pouco, mas, como era de menor, entrar nas boates não era assim tão fácil (acho que meu cagaço de ser barrada receio por ser menor era maior que a proibição dos seguranças). Como vários eventos que fazíamos por conta da facul terminava em festas em boates (estamos falando de VIX, hello!), eu estava na organização e já estava lá dentro. Já no segundo ano de faculdade, comecei a trabalhar por escala e com isso minha vida social foi para o buraco. Tive que abrir mão de muita coisa - hoje em dia vejo as fotos das festas de faculdade e conto nos dedos as fotos em que apareço. Nunca podia ir porque era num sábado ou um churrasco no domingo e lá estava eu no aeroporto. Vai trabalhar com Turismo, vai! Por conta disso, passei a aproveitar segundas feiras de folga na praia, uma quarta feira a tarde no cinema, 1 final de semana ao mês de folga para dormir eternamente... Acho que, desde os 17 anos, quando comecei a trabalhar (e lá se vão 12 anos de carteira assinada), num total trabalhei apenas 2 anos de segunda a sexta (inclusive o período como Aupair pois vira e mexe tinha um babysitting).
Mas aí eu fui pra Holanda. E com 24 anos, enfiei o pé na jaca legal. No primeiro ano como Aupair eu saía de quarta a domingo. A rotina era mais ou menos assim: quarta feira - salsa; quinta feira - cineminha + pub; sexta e sábado - pubs e boates; domingo - um bar/café pra curar a ressaca. Isso sem contar os finais de semana de viagens. Mas, pé na jaca legal não significa sair para beber descontroladamente. Nunca tomei um porre. Quer dizer, tomei 1 porre na vida, não foi na Holanda e não foi nada legal. Foi numa festa a fantasia open bar da Vasp com sakê de todos os gostos possíveis. Os poucos flashes me fazem recordar de eu e uma amiga sentadas no chão do banheiro, rindo descontroladamente e sem forças para levantar, até que o Zorro (sim, a pessoa estava fantasiada de Zorro) nos levantou e levou-nos pra festa novamente. A partir dali não tive mais forças pra nada e a única coisa que me vinha à mente era: perdi meu controle, perdi meu controle, perdi meu controle. E essa sensação foi o suficiente para saber parar exatamente no momento que estou prestes a perder o controle. Bem, não sempre, mas pelo menos em 98% dos casos.
Enfim, essa vida de Aupair solteira na Holanda eu posso falar que curtir e muito. A melhor coisa que fiz foi não ter arranjado namorado logo de cara. Não queria isso. Não estava ali pra isso. E, graças a essa decisão pude curtir e muito. Saía para me divertir. Pouco me importava em flertar com ninguém, queria era dançar, causar, ser a dona do pedaço. E, na cidade onde morava, deu pra fazer isso tranquilamente. 10 meses depois de morar na capital de Limburg, fui para Amsterdam e, well, nem preciso dizer que encerrei meu ano de Aupair na Holanda em grande estilo.
Voltar ao Brasil, ou melhor, à VIX e manter o mesmo estilo de vida era impossível. A começar por... começar por tudo: tudo muito caro, pouca opção e as mesmas caras de 13 meses antes, quando eu saí de casa para terra dos moinhos. Mas principalmente a liberdade, VIX é um ovo e só existem 3 pessoas: eu, você e alguém que a gente conhece. Fui levando a vida: casa - trabalho - casa. A escala era de segunda a sexta, mas quase toda semana a cada 15 dias rolava um sábado - e era sempre o dia mais puxado.
Por any motivos voltei pra Holanda e, foi esse retorno que mudou a minha vida (♥). Voltar pra Europa não era mais novidade. Me lembrou de pousar em Schiphol pela segunda vez e era como pousar em casa. Uma tarde linda de início de verão, foi largar as coisas em casa, tomar um banho e partir pro pub: rever amigos, ver um jogo de futebol (era Eurocopa 2008), conversar, não ser rotulada por com-que-roupa-eu-vou...liberdade. Mas o tempo foi passando, as amigas indo embora e juntamente com ela a euforia pelo "livin' la vida loca".
Sexta-feira (ainda tem o hífen?) chegava e o desejo/vontade de sair não chegavam. Pelo menos não nos fins de semana de folga. A ida para a Bélgica ajudou ainda mais. Apesar de morar em Antuérpia, o bairro ficava 40min de ônibus do centro + 10min de bicicleta até o ponto de ônibus. Sair não era o problema, mas sim voltar, sabendo que teria que enfrentar tudo isso por volta das 3h - 4h com uma temperatura sempre abaixo de 10C (out.08 - fev.09), ou seja, tinha que ser algo muito bom. Finais de semana entre amigos, um bom vinho, ótima música, filme na tv e muito papo invadiram a minha vida. Ao me mudar para Ghent não foi diferente (30min do centro, 10min de bike até o ponto, 1 ônibus por hora e o último era as 22h30. Em Maastricht e Amsterdam o máximo que eu gastava eram 8min de bicicleta, quando não fazia tudo a pé).
Até que o Querido apareceu na minha vida e aí, os finais de semana de folga eram resumidos em viagens para vê-lo..aaah, o amor. E mesmo com ele, ir à pubs não era um problema: o Markt a 4min da casa dele, sair pra beber uma cerveja, encontrar os amigos e dançar...tudo logo ali 4min apenas de caminhada no sol, na chuva, no frio, na neve, no vento e já era resolvido.
Com ele ou sem ele, me tirar de casa só por um bom motivo. Mas mesmo assim, nunca senti a necessidade extrema que algumas amigas sentem de sair pra dançar, pra me divertir. Me divirto com pouco. E o pouco passa a ser essencial. Acho que tudo tem seu tempo. Aproveitei intensamente com 17 anos - amo e me lembro direitinho a primeira música que tocou quando coloquei os pés numa boate (é...tô velha!), as folgas foram aproveitadíssimas, com direito a vários atendimentos de check-in virados, a enfiada de pé na jaca foi essencial mas, hoje, quase uma balzaca, sexta feira é apenas mais um dia da semana.
Hoje, trabalhando offshore e nessa vida de corno por escala (14x14), sexta feira é apenas a informação de que minha folga está acabando. Hoje, sexta feira, significa nada mais nada menos que eu só tenho 2 dias até entrar no helicóptero e voar 115km mar a dentro pra ilha de ferro.
Thank's God Is Friday....só que não!