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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Hij komt, hij komt...


Oficialmente era para eu estar embarcadinha nesse momento, dormindo na minha cabine com outras 3 pessoas, mas, a vida offshore, pelo menos em terra brasilis, chegou ao fim. 


Me despedi dos alunos no último embarque e avisar que não voltaria no próximo embarque foi difícil. As lágrimas vieram. E, pra minha alegria, não só pra mim: teve peão saindo do vindo me abraçar com lágrimas nos olhos. Ver o carinho de todos eles, sem exceção, comigo, foi a maior recompensa: muito respeito, muita parceria - essa é a minha dica pra vida de mulher embarcada. "What goes around, comes around", foi isso que ouvi do OIM quando me despedi. Ouvi isso em forma de agradecimento pelo que fiz a bordo, por minha postura e dele nunca ter ouvido nada de mal sobre mim, pelo contrário. Fui coisa rara em uma sonda: todos gostavam de mim. Sem exceção. Ouvir dos Expats que vou ser muito bem sucedida no que fizer e terei tudo de volta sempre por conta do trabalho que fiz...não teve preço. E justamente dos Expats, os que davam muita dor de cabeça.

Apesar de ser Third Party Client, ter a avaliação deles - cliente - , ter esse feedback final é o que realmente conta, o que vale a pena. Foram 10 meses com eles, 10 embarques com eles. Só eles podem me avaliar como ninguém. Sou grata a Deus por ter me colocado naquele Rig especificamente, naquela tripulação. Vou sentir muita saudade. Mas, vida que segue.

A saída já estava nos planos: visto sendo aprovado, Querido chegando, mudanças a vista... Por ser terceirizada, não temos contrato internacional, sendo assim, foi a hora de dar tchau (até porque, se eu continuasse, não teria vida: a escala permaneceria a mesma e o vôo quem teria que pagar seria euzinha - geen international contract - so...better not!). Graças a Deus foi mais tranquilo do que eu esperava, apesar de ter que ir a MacaHell* (detesto ir lá). Enfim, sou uma desempregada e dar tchau ao meu trabalho por conta de uma mudança é algo que foi muito pensado, nada calculado e friamente feito - "o mundo é de opções, baby: perde-se aqui, ganha-se lá." (I shall keep this as mantra) Um dia falo sobre isso. Ou não.

Hij komt! E não tô falando do Sinterklaas que já ronda as tamaconlândia. Tô falando é do Querido, que já tá quase na área.Let's say: "Querido, 17:45h out!" Uma ligaçãozinha rápida pra confirmar se está acordado...and checked! É...hij komt!

Bem, agora é curtir as férias, torcer pra termos muito sol pra branquelo ficar vermelho mesmo com protetor fator 60, pq depois é só frio, chuva e neve.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Terra a vista!

"- Atento toda plataforma, HLO, guarnição de helideck e equipe de bote de resgate: aeronave 15min fora!"
Ouvir essa frase, depois de 14 dias a bordo, não tem preço. Reza a lenda offshore que a frase acima e "eu te amo" tem o mesmo poder, causam a mesma sensação. E olha, não mentiram não.

Ver a aeronave chegar, seu Back (quem fica no seu lugar enquanto você desfruta dos 14 dias de final de semana) chegar, colocar protetor auricular, colete salva vidas, caminhar no helideck em direção ao seu meio de transporte...não tem preço.

Desembarquei ontem e o vôo foi bem tranquilo - apesar da chuva que sempre chega no sábado, 2 dias antes do desembarque. Mas Deus é bom e sabe do meu cagaço de helicóptero na chuva me ama, abriu o tempo e o vôo, de 50min, foi bem rápido. 25min de vôo e só então vemos terra lá longe. Chegar em Vitória na costa e ver aquele mar azulziiiiinho é uma sensação única. Fui e voltei sã e salva, thank you Lord.

Mas é chegar em casa e todo o cansaço acumulado de 14 dias aparecer. É tomar banho, almoçar e morrer vendo (ou não) Jornal Hoje, Vídeo Show e qualquer coisa que signifique liberdade. Cachorro pulando descontroladamente ao te ver (fofo), fazer uma comidinha gostosa (thank's Panelaterapia), andar de short, camiseta, chinelo, brinco, pulseira, celular...jogar a Teacher fora e voltar a ser eu. Tão bom!

O dia ontem e hoje ficou num chove e não molha que eu nem reclamei. Pernas pro ar e não tenho hora pra nada. O primeiro sono em casa pós embarque é diferente. Acho que consegui dormi pra lá de 2h da matina e as 8h estava de pé. Quer dizer, olhei o relógio e voltei a dormir, porque eu estou de folga e posso! Amanhã eu penso volto pra academia.

A quinzena foi. Nem ruim, nem boa. Mas auditoria é uma coisa que tira o sossego de qualquer ser. E foram muitas, várias... Muitas traduções (falada e escrita), 92738743 novas palavras técnicas e uma certa raivinha da Petrobrás. Mas isso a gente deixa pra lá e só fala na reunião pós desembarque que será semana que vem.

Vem ni mim folga!

sábado, 3 de novembro de 2012

Alta pressão

Eu falei que a noite passada seria barulhenta, não falei?

Então...ela foi.


02:32am
(minha cortina é arregaçada aberta com toda a velocidade)
-Desce e vai chamar o médico porque eu estou morrendo!
E eu, com o coração a mil, tentando raciocinar, arregalo meus olhos: - O que houve?
A Fulana, de pé, na minha frente, apoiada na cama, com o mega hair (a-b-o-m-i-n-o mega hair, faz parte do meu TOC), forçando a respiração respirando normalmente, diz: - Minha pressão tá alta, tá disparada, tô morrendo. Você desce, vai na cozinha, entra na minha sala, abre a gaveta tal e pega meu aparelho para aferir pressão (eu só consegui entender essa mensagem hoje de manhã).
Eu, de pijama, com o cabelo espetando nosso Senhor, tentando colocar as coisas em ordem, levanto e vou procurar o meu uniforme e minha crocs, ouço: - Vai rápido! Chama o médico! (a.k.a. Enfermeiro a bordo).

Desço de uniforme, cara desforme, descabelada, de havaianas - que é proibido - vou na cozinha entrego a chave pro primeiro que abre a porta e falo qualquer coisa que relacione minha colega de quarto com aparelho de pressão, ligo pro enfermeiro, peço desculpas, gaguejo, esqueço o que tenho que falar e dou o número do camarote.
Volto pro camarote com o tal aparelho de pressão e vejo a pessoa ainda viva, tranquila, deitada, na cama debaixo da beliche (são duas beliches e ela está na cama de cima) tomando remédio.
- Por que você tá tomando remédio sozinha? Espera o enfermeiro...
(ela me interrompe) - Porque você demorou demais.
Pensei comigo: "morre aí, então", mas o filtro funcionou e não deixou sair pela boca.
Sentei na minha cama, olhei o relógio e ainda não era 02:40am. Na mesma hora bateram na porta e um enfermeiro de cara inchada e bem torto como eu entra no quarto.
Foi quando consegui ir ao banheiro e, ao sair, ouvir o diagnóstico: "Pressão 12 por 8. Normal. O que pode ter acontecido foi você ter feito um esforço acima do normal, já que embarcou hoje, ao subir a escadinha de 3 degraus pra cama".

Olhei pro Enfermeiro (sic), fuzilei a Fulana e me vi indo em direção a ela e fazendo tipo aquela tirinha Batman Slapping Robin, mas o filtro, graças a Deus,  funcionou mais uma vez. Ela pediu desculpas mil vezes pelo transtorno de ter-nos acordado e o filtro fez com que "Previnir é melhor que remediar" saísse (mas mais uma vez eu me vi como na tirinha.

Até o momento, e ainda não deu 12pm, ela já me pediu desculpas umas trocentas vezes e a única coisa que eu quero é dar um sacode e falar: Pára de drama e volte pra cama. You ain't dying! Porque, depois disso, eu simplesmente não consegui dormir direito e ela, voltou pro roooOOooonnc.

Roooooooonc

Tô eu aqui, quietinha, na minha, de papo com mamãe no Skype tentando dormir...mas vai ser difícil porquê roooooonc roOOOooOOOoooonc zzzzZZZzzzzz roooooooonc rooOOooonc.

Holy Guacamole!! Que mulher é essa que ronca descontroladamente desse jeito?! Hoje teve troca de turma e duas que estavam no meu camarote foram embora, dando lugar pra uma maluquinha, oops, outra que eu fico por 3 dias e ronca bagaray! Se bem que essa vida a bordo algumas mulheres são piores que homens...tenso (mas isso é assunto pra outro post).

Bem, mas enfim, deixa eu pegar meu fone de ouvido, aumentar o som porque entre Coldplay e a orquestra do ronco - que agora veio acompanhado de uns "miam miam miam" (hahahahaha), eu prefiro Coldplay, Marisa Monte, Seu Jorge...

It's gonna be a noisy night!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Crappy Halloween

Então que a noite foi mal dormida. A última vez que dei uma olhada no relógio era 01:40am. As 6am eu estava de pé. Quer dizer, 2:30am acordei suando em grande estilo - fui dormir com muito, muito muito frio. Acho que era febre. Veio e passou.

Aluno chato é aluno chato. Não importa a idade, nacionalidade ou função. A única coisa que muda, na minha opinião é que, tratando-se de marítimos, quanto maior a patente, mais chato é. E hoje, alguns fizeram questão de deixar isso bem claro.

A Schedule das aulas fica pregada na porta da Classroom, nas portas do refeitório e na área de lanche: locais frequentadíssimos por todos. Mas tem uma galera que se acha acima do bem e do mal que nunca vê, nunca sabe, nunca lê e por isso a idiota Teacher aqui fica lembrando as datas no final das aulas. Aí que hoje o Imediato, mais conhecido como Velhinho - canadense, tem aulas de português (eu a-b-o-m-i-n-o dar aulas de português e, antes que você venha me dar sermão, me diga como você explica pro Expat que é "a" cadeira e "o" livro? que é "na" Itália, "no" Brasil e "em Cuba"? pronome pessoal oblíquo? se eles não sabem nem identificar o que é um Present Perfect Continuous ou Past Participle? #vaivendo) e faz as piadas mais sem graça ever e fica rindo esperando o meu sorriso em retribuição, sendo que eu não consigo rir de piada americana/canadense sem graça.

Enfim, Sr. Velhinho chegou hoje as 6:50am, sentou na cadeira e ficou me esperando entrar na sala às 7am pra começar a aula. O detalhe é que hoje ele não tinha aula. Mas aí, como, segundo o pensamento dele, ele é O Imediato (aquele que fica abaixo do Captain numa embarcação) e amanhã vai ter que ficar acordado mais tempo porque o Fire Drill será antecipado, eu tenho que cancelar a aula do Eletricista que está no Basic I  - e também vai perder horário de sono por conta do treinamento - e dar aula de português pra ele. Cê jura né? É pra começar o dia beeeeeem.
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Eu não tenho nada contra, nem nada a favor de Halloween. Yo no creo en las brujas, pero que los hay, hay. Mas, cresci dentro de cursinho de inglês e lá a teacher empurrava goela abaixo a gente tinha que comemorar o Halloween. Nada mais óbvio que eu fazer o mesmo né? Não. Querido conseguiu enviar um mini vídeo de Hocus Pocus - essencial pra que a aula tivesse uma pitada de Halloween... para alguns alunos apenas, porque os outros estavam tão empolgados na matéria que mal deu pra falar (adoro dar aula para beginners).

Mas aí, tem aquelezinho que vira e fala: Ah Teacher, Happy Halloween é o c*ral*o, Feliz dia do Saci. Sim, pra vc que não sabe, procurando uma maneira de valorizar a própria cultura, foi instituído 31.10 como dia do Saci - o saci é tão valorizado que só foi homenageado para que esquecessem uma outra data. 
"O brasileiro poderia aprender tanta coisa do povo americano: patriotismo, educação e blablabla, mas valoriza exatamente uma festa que não tem nada a ver com o nosso país". Troceeeeentas pessoas curtem o status no facebook do moço que estava, de férias, no tal país postando cada passo que dava. 

Então tá, Sr. Sou-brasileiro-como-muito-orgulho!
Por que achou brega e não quis comemorar Festa Junina a bordo? 
Por que reclamou de ter que ouvir o hino nacional brasileiro no dia 07 de setembro?
Por que ri do brasileiro que ganhou ouro nas Olimpíadas, porque a modalidade é "coisa de viadinho" e fica #chatiado quando a seleção de futebol perde ridículamente na final?
Por que foi gastar deixar seu dinheiro todo na gringa ao invés de viajar pelo Brasil de Saci Pererê e Iara que tanto defende?

Não quero respostas para essas perguntas (até porque eu mesma sou a primeira a responder algumas delas). Mas né? Tem gente que faz questão de perder oportunidades de ficar calado. Faz questão de criticar algo que a gente faz mais por diversão, pra lembrar que existe um mundo massa além dessa ilha de ferro.  Mas enfim, c'est la vie.
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Ah, a ida do Sr. Velhinho serviu pra 1 coisa apenas: me deixar doidinha. Ele soltou no ar avisou que o treinamento, que acontece todos os sábado as 9am,  foi transferido para amanhã, às 10:30am. Cancelando diretamente 2 aulas e indiretamente outras 2. Além de 01 aula de hoje - porque, se a aluna fosse a aula de hoje, iria ficar acordada de 15:30h de hoje até, pelo menos, 11:30h de amanhã, e aí é sacanagem e eu não sou uma Teacher do mal.

O pior é saber que as reuniões de sábado foram mantidas. Ou seja, perderei praticamente 2 dias de aula (eu gosto de dar todas as aulas pro dia passar mais rápido e eu desembarcar mais cedo). Tchau tchau quinta feira com aulas, hello Thursday of reports and assessments! 
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São 23:45h e tenho que descer pra ligar pro Querido. Por que?
Estou eu dando aula e o o Skype piscando descontroladamente. Enquanto os alunos faziam uma atividade, aproveitei pra ver o que era, já que tinha que procurar o que era Bate-Bola/Clóvis pq alunos de Rio Grande/RS, Catu e Alagoinhas/BA e Natividade, disseram não saber do que se tratava tão fantasia que me fazia correr de medo no carnaval (sério que só existe aqui no RJ?).

Eis que vejo trocentas mensagens do Querido dizendo que tinha acabado de voltar do hospital, pois, ao voltar do trabalho em direção a casa da minha sogra, pra jantar, uma scooter (eu garrei ódio de scooter na Holanda desde os primórdios de Aupair, onde eu tinha que subir ladeiras - em Limburg TEM morro, viu? - me matando e passava a motinha lá tranquila, sem suar, sem esforço) na contramão na ciclovia em alta velocidade e bate no Querido (que não pedala. voa!), jogando-o pra longe, acabando com a bicicleta nova - menos de 1 ano (hoi fiets verkezering, se prepare que eu vou lhe usar!), destruindo os óculos e abrindo o supercílio sangrando absurdamente.

Querido foi pro hospital após ter ficado desacordado uns 3-5min - de acordo com testemunhas - e ligado pra Cunha Caçula. Eles ligaram pra Politie que disse estar muito ocupada para ir até o local auxiliá-lo. No hospital, segundo ele, o médico desinfetou e passou uma cola (oi?) no supercílio e o mandou pra casa, mas, assegurou que a Cunha ligaria pro irmão a cada 2h após ele cair no sono para assegurar que está vivo bem.

A sogra falou, as Cunhas falaram, eu implorei mas ele não quis dormir na casa dos pais - o que faciliataria a supervisão. Por estar embarcada e não ter telefone logo ali, fiquei no turno das 3 da manhã (00h aqui).

Por volta das 20h eu liguei e foi muito drama. Segundo a sogra, Querido só faz drama comigo (via skype Cunha já tinha deixado, ao mesmo tempo que ele a seguinte mensagem: Zusje, vi o que seu Querido escreveu no skype, sendo assim, considere 20% apenas do drama). Nunca foi de fazer drama nem com ex-namorada. Por que será hein? A voz muda, a dor aumenta e meu coração praticamente some por conta dessa distância (IND, aceleraê, aub!). Não que eu resolveria o problema, mas...vocês me entendem.

É...vamos lá.


update: são 00:07h. Acabei de ligar e a pessoa não dorme, o corpo todo dói - parece que o primeiro dia depois de voltar a malhar - disse ele, a mão tá doendo muito, não tem nada de bom na televisão e não consegue achar uma posição boa e nem algo que preste na tv de madruga. Tudo com uma voz de muito, muito, muito sofrimento.
É...a pancada e o corte no supercílio não foi assim tão forte. Tá bonzinho!
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Fotos Halloween. Os meninos do Catering e minha roomy Nutricionista são ótimos. Tiraram água de pedra (o rancho - comida da semana - atrasou) e criaram a partir de uma pseudo idéia - levando em consideração o que tínhamos.


Jack o' lantern carrot salad - idéia de última hora e o meu favorito!
Cupcakes
Suspiros fantasmas, doce de abóbora e finger cookies
Cutted hand: contra-filé a milanesa
Treats table





    


Dinning Room
Halloween Classroom

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Trick or treat?!

Eu deveria estar lendo/estudando/preparando/revisando o material para as aulas de amanhã - Halloween - que, por ser a traditional american pop cultural celebration, "devo" comemorar, decorar e o escambal a quatro com meus alunos. 
Mentira.
Eu deveria mesmo estar dormindo, mas a dor de cabeça volta, a tosse volta, a cabeça está a mil e não tô afim de Christian Grey agora (em breve um post sobre o moço). Sendo assim, cá estou. 23:14h e acordada. Ontem fechei a "barraquinha" (minha cortina da privacidade) as 22h, apaguei a luz, me preparei pra dormir e só consegui fazer isso 01:30h (rinite parceiraça "entrou na sala" para chat). Às 06:20h de pé e aula às 07h.

Embarque passado eu tinha imaginado, pensado, analisado, procurado, separado e feito uma lista de tudo o que faria com meus alunos em 31.10. Mas a folga foi O stress agitadíssima na primeira semana e, por isso, nos últimos 7 dias livre me permiti fazer p*rra nenhuma: ficar de pijama o dia todo, colocar as séries em dia, malhar, voltar pra casa, desligar o telefone descansar. Só lembrei do dia de amanhã a caminho do trabalho: dentro do helicóptero. E aí já era.

Semana passada eu relutei e pensei em ignorar a data fazendo apenas o exercício (ridículo) proposto pelo curso - até porque, desde o RG1 do CCAA eu acho uma palhaçada comemorar Dia das Bruxas num local que não tem a cultura de tal comemoração (pensando bem, deve ser trauma: minha mãe nunca me deixou correr atrás de doce de Cosme e Damião...). Mas aí, por conta do maldito "compromisso com um serviço de qualidade" que essa pessoa que vos escreve tem, passei segunda e hoje separando material, todos os níveis com aula amanhã (Basic I, II, III/ Intermediate II / Advanced I), imprimindo coisinhas para decoração e de papo com a Nutricionista a bordo pra tentarmos (entenda tentarmos por cozinheiro, padeiro, doceiro) fazer alguma coisa (a.k.a. comida) no refeitório que lembre o tal dia das bruxas. Enfim. Vamos ver no que vai dar. 

Se tudo der errado (minha enxaqueca não der sossego), Querido baixou Hocus Pocus às pressas (with dutch subtitles - até pq eu dou aula de inglês para brasileiros - dank je Sjat!) e pronto! 

A bruxa já tá solta na sonda há um bom tempo mesmo. Não vai ser a Teacher a fazer diferença. hahahaha

domingo, 28 de outubro de 2012

Bad hair day

Sabe aqueles dias em que tudo coopera pra você ficar na cama, mas você insiste o dever chama e você levanta e tudo te mostra que, realmente, era pra ter ficado na cama.


A vida offshore é cruel, punk, não pára, não pára, não pára não.
A escala de trabalho é de 12h. Os turnos vão de 06h - 18h, 18h - 06h, 12h - 00h, 00h - 12h e eu me encaixo em quase todos eles. Como Teacher, tenho que dar aula nos melhores horários para o aluno - que deve assistir as aulas FORA do horário de trabalho. Digamos que minha primeira aula começa as 07h e a última termina as 21:30h. Eu sou a pessoa que mais trabalha a bordo e que menos recebe (vida de nêgo é difícil).


A sonda está parada, ou seja, estamos em alto mar, mas não estamos perfurando, mas mesmo assim tem muito trabalho a ser feito e, como eles dizem, a galera tá "pegada", principalmente por conta dos auditores que chegam pra deixar todo mundo de cabelo em pé. E, por conta desses auditores, a nova onda da sonda é pintura. Eles estão pintando absolutamente tudo pra deixar a plataforma nos "trinks" e seguir a risca as exigências do novo cliente e, com isso, usando muito tíner. E é por conta dele que eu não deveria ter levantado hoje.

Há alguns embarques comecei com uma dor de cabeça terrível e não sabia o que era. Até que resolvi dar um rolé do lado de fora e acabei sentindo um cheiro fortíssimo e, imediatamente minha dor de cabeça aumentou. Descobri que era o tíner que eles usavam. Como era num sábado, como hoje, que não tenho muitas aulas, deu pra dar uma descansada e após o dorflex.

Ontem senti o cheiro forte novamente e evitei ir do lado de fora. Mas acabou que cheiro veio até mim: quem estava mexendo com o tal solvente tinha aula comigo. E eles eram em 6. Meu dia acabou ali. Uma dor de cabeça in-ter-mi-ná-vel tomou conta de mim e minha alergia, sempre muito fdp cruel, fez com que o cheiro descesse para minha garganta, provocando uma tosse terrível. Pela primeira vez cancelei aulas. Não tava conseguindo raciocinar mais. Um aluno me chamou pra fazer uma tradução e não conseguia traduzir apoio para support.

As 18h eu estava na cama, mas, não contava com 2 roomates se acabando em tosse por conta de um vírus que paira na sonda esse embarque. E, adivinhem: como a imunidade já estava baixa...hoje de manhã fui agraciada com uma dor de garganta surreal - garganta inflamando + dor de cabeça + tosse = rinite 5min out!

Deus é bom e fez com que hoje fosse sábado: apenas 2 aulas no final da tarde (fire drill - treinamento de abandono - e safety meeting) e eu passei o dia todo de cama, com supervisão da enfermeira. O porém é que, durante o dia, minhas 2 sick roomates também estavam na cabine. Me "tranquei" atrás da cortina que fecha minha cama - e me permite ter a largura de uma cama de solteira como privacidade. A sonda toda sabe que estou doente e quem não sabe, minhas olheiras e tosse denunciam de longe.

O treinamento foi um saco. O frio do ar condicionado no camarote tbm não ajudou. Na hora do almoço não senti o gosto de nada. No jantar, derrubei um copo cheio de limonada na mesa, no chão e em mim (de raiva, saí da dieta e ataquei a sobremesa - pudim de sorvete e pavê de chocolate. damn it). O aluno da primeira aula ficou agarrado no trabalho e chegou atrasado, 10min de aula = nada. A reunião foi um jeopardy questions sobre safety. O outro aluno foi embora e cancelou a aula.

Daí eu me pergunto: sair da cama pra que?
E ainda tem mais 8 dias de trabalho pela frente.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Chopper 11 hours out!


Sabe aquela sensação de dever cumprido? Então...é por aí.

Depois de 14 dias intensos, de muito trabalho, pouco sono e privacidade quase zero, após um longo banho, sentar na cama e ver a mochila pronta pro desembarque: não tem preço.


Os dias de menino darão lugar aos dias de menina novamente. Menino sim, porque é o que eu viro a bordo. A gente até chega bonitinha: unha feita, cabelo escovado e balangandans que duram tempo suficiente para o vôo e trocar a roupa pra colocar aquela que será a vestimenta nos próximo 14 dias: o macacão. Pelo menos tem em 2 cores: vermelho (para atividades na área) e azul (para trabalho e reuniões dentro do casario). Sou uma pessoa que vive de rabo de cavalo e as pregadeiras e xuxinhas de cabelo são o máximo de feminilidade que hoje, depois de 14 dias, eu tenho. Ah, além da minha marca (já) registrada na sonda: Victoria Secrets - morango com champagne - já me perguntaram qual era o Victoria Secrets que usava porque era muito cheiroso e queriam dar de presente para namorada (ainda me pergunto se isso é bom ou ruim, pq vai que né?), já falaram que sabem exatamente quando passei nas escadas porque o meu cheiro fica.

Na primeira semana somos em até 10 mulheres rodando na sonda, no meio de 110 - 120 homens. Na segunda semana, somos reduzidas a 4 e, no meu turno de trabalho, só tem eu pra cima e pra baixo no meio dessa homarada toda. São todos ogros. Sem exceção. Mas dá pra rir bastante e ver que eles me respeitam: com palavras e ações.

Se tenho problemas com eles? De jeito nenhum. Aqui é o seguinte: eu falo, eles ouvem e ponto final. Graças a Deus sempre tive um bom relacionamento com todos eles que tem um respeito enorme por mim (se não tem disfarçam super bem). Eles me ouvem, pedem minha opinião, minha participação e falam besteira. Quando a besteira é grande demais, pedem desculpa.

Trabalhar embarcada é saber que todo mundo vai falar de você e você vai falar de todo mundo. Aqui se trabalha, come e dorme...e como diversão: "compartilhamos" fatos da vida alheia. Se casou, separou, vai casar, engordou, viajou...não interessa: todos sabem. Deal with that. Dê dinheiro pra peão, mas não dê - em hipótese alguma - intimidade.

Esses dias eu chamei atenção de um grupo que rabiscou a tabela que tinha feito do campeonato de ping pong (sim, um abençoado resolveu fazer uma mesa de ping pong que, instalada no Coffee Shop - ponto de encontro da peãozada para um café a cada 3h - e eu resolvi agitar um Campeonato - deu super certo). Cheguei, entrei, vi e soltei o verbo com todo mundo. 5min depois, já no refeitório entra 1 deles perguntando como eu consigo deixar aquele monte de homem caladinho, sem nenhuma reclamação. Logo depois, os que rabiscaram vieram me pedir desculpa pq não sabiam que eu tinha feito, pois, se soubessem, jamais teriam rabiscado porque eu sou muito gente boa.

Ser Teacher a bordo é ser multiuso: dar aula, preparar a aula, fazer relatórios, ser a secretária, fazer a divulgação, ser diretora, dar ordens, traduzir, se dar bem com todo mundo e ser psicóloga...aaah, a psicologia a bordo. Confesso que de todas as atividades que exerço, a psicologia a bordo para peão me encanta e me assusta. A máxima de que os brutos também amam, super existe. Já tive homem reclamando do chefe, chefe reclamando do funcionário, supervisor chorar porque a esposa não confia nele, como se comportar com um brasileiro (temos muitos Expats a bordo - Índia, Austrália, Inglaterra, Escócia, Irlanda, França, USA, Thailandia, Indonésia), se deve abraçar ou chegar perto, crise de identidade, muita lágrima e muita, mas muita gargalhada com as coisas surreais que eles falam.

São 14 dias aqui e cada pessoa faz diferença. Do gerente a quem lava os pratos. Acho que um dos motivos para os 9 embarques (até agora) terem dado certo, foi o fato de que dentro da sala de aula, eu sou a Teacher e eles os alunos, ganhe R$1.000,00 ou R$35.000,00. Foi ter deixado muito claro que, como Johnny Castle disse à Baby em Dirty Dancing: "meu espaço. seu espaço. você só entra no meu espaço se eu te convidar e der permissão". E assim a coisa tem seguido.

São 11aulas (em média) por dia. Meu dia começa as 7am mentira, começa as 6:15am quando acordo, tomo banho, café e vou pra sala de aula e vai até as 9:30pm, quando termina a última aula. Eu não tenho tempo de nada e sempre sou a última a saber das fofocas a bordo - seja profissional ou financeiramente (eu realmente não faço a menor questão de saber da vida alheia. Quando eu fico sabendo de alguma coisa, todo mundo já sabe e sentam pra me explicar. Mal dou conta da minha e já expulsei 2 da sala que vieram falar mal dos outros - e o tiro meio que saiu pela culatra porque na cabeça deles  por não gostar de fofoca eu não falo nada, sendo assim, eles continuam me contando tudo e eu absorvendo nada). Mas chegar agora, olhar no relógio, ver que são 22h e eu já estou na cama, com tudo arrumado e toda a documentação (uma baboseira sem fim relatórios, reports, assessments) já foi toda enviada e agora é só esperar pelo vôo, realmente não tem preço.

Agora é tentar dormir até porque, apesar do banho longo e de todo o cansaço que chega com força no domingo antes do desembarque, a TPD (tensão pré desembarque) vem que vem que vem com tudo e me impossibilita de dormir.

Anyway, just have to keep myself calm and wait for the chopper*.


*Chopper = helicóptero

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Merda Feliz!

Hoje, 27 de setembro, é dia do Turismólogo. Ou seja, meu dia. Dia do Bacharel em Turismo. Parabéns pra mim. Amo o Turismo e não vejo a hora de voltar pra ele. 

Desde que entrei na faculdade, em 2000, sempre estagiei,trabalhei e fiz tudo na minha área. Cresci profissionalmente no Turismo e sei que tenho um nome a zelar. Sempre tive um prazer imenso em proporcionar uma boa viagem, estadia, dar dicas, cuidar, planejar do evento e infra estrutura urbana.

Ano passado, quando voltei da Holanda, depois de ficar cerca quase 3 anos sem carteira assinada na minha área (em 2008 quando voltei do intercâmbio de Aupair, em 10 dias estava trabalhando no local onde queria, na minha área), voltei pro Turismo - cheia de idéia e peito aberto. Peito e bolso também. Um dos motivos por ter voltado ao Brasil era exatamente o fato de não poder trabalhar e tava "precisada" de trabalho, escala, rotina e tudo mais. 2 meses depois estava trabalhando como Recepcionista Bilíngue num hotel 5 estrelas - hotel esse bem famoso na terra dos moinhos.

Apesar de nunca ter sido muito fã da escravidão hotelaria nos tempos de faculdade (nem das aulas, nem dos estágios e muito menos dos trabalhos), era o que tinha e a equipe era legal e, para o meu curriculum seria ótimo (pois voltando à Holanda, tendo tal hotel como experiência contaria como ponto na hora de correr atrás de um emprego por lá). Acontece que a química não rolava. Não por conta do hotel, mas por conta de satisfação mesmo: financeira e profissional. O salário menor que e a allowance de Aupair que eu recebia na Bélgica e as horas trabalhadas eram mais que o dobro (na Bélgica eu trabalhava 20h/semana, no máximo 25h). A escala 6x1 era cruel. Trabalhar 8:20h/dia de pé, sem poder sentar ou se escorar, de salto e sorrindo, tendo ao meu lado alguém sem experiência em nada no Turismo e na vida era demais para esta pessoa que já tinha, na época, 28 anos, graduação, especialização, experiência na área, 3 línguas no bolso e expectativa zero de crescimento.

Até que num dia bem triste, alguém que você gosta muito e admira, mas não vê há pelo menos 2 anos, vira e te fala: você merece mais. Muito mais. Acredite no seu coração, lute e vá atrás. Coisa de Deus!

E assim foi. Meu coração queria um trabalho bom: que me desse tempo e um bom dinheiro. Não precisa muito, mas algo suficiente para que eu pudesse pagar minhas contas, comprar minhas coisas, guardar um pouco e me dar certos luxos (a.k.a.: visitar o Querido e ter tempo livre pra fazer o que eu quisesse qualidade de vida). Sendo assim, 9 meses depois de entrar na hotelaria, lá estava eu fazendo treinamento em Macaé, começando minha vida offshore - desisti da satisfação profissional e fui ser rica - obedecendo minha mente e coração.

Minha mãe é Pedagoga e cresci dentro de escola e ouvindo: minha filha, não seja Professora. Pois bem, cá estou eu: sou Teacher. Quer dizer, sou English/Portuguese Instructor: dou aulas de inglês e português em plataformas de petróleo. Tenho uma escala de 14x14 - 14 dias embarcada e 14 dias em casa fazendo o que me der na telha (os dias embarcada até passam rápido - pelo menos pra mim - dou aulas de 7am às 9:30pm com pausa pra almoço e jantar, mas os dias off simplesmente voam) e um bom salário.

Se eu gosto? Gosto. Se quero ser isso pra sempre? Não. Não tenho tesão em dar aula, prazer profissional. Aprendi a gostar; o que é bem diferente. Offshore não é pra vida toda. É bom, mas é ruim. Mas Deus concedeu o desejo do meu coração, o que eu pedi, Ele me deu. Fiel que só Ele.

Nunca dei aula na minha vida (e nem quero dar) e, por conta disso, o treinamento que tive foi essencial para me dar uma idéia de como controlar uma turma e passar informação. Dar aula para adultos - em grande maioria peão (isso mesmo, ogro!!), ou para alunos que mal terminaram o segundo grau em português (tem de tudo offshore) e/ou gringos que falam apenas o inglês e sofrem o mesmo tanto ou mais para aprender português - em alto mar, pessoas que trabalham 12h/dia e têm aula depois do horário de trabalho, sempre pressionados, em alto risco de acidente...não é fácil. É um grande desafio. Mas com muita gargalhada a gente chega lá.

Vê-los chegando e compartilhando alguma coisa que entenderam na língua que estão aprendendo, ou algo que aconteceu no período em que estiveram em casa ou que conseguiram falar é mega gratificante. Me faz acreditar que meu objetivo - ensinar - foi alcançado.

Dia desses durante uma pausa pro lanche, no Coffee Shop (coffee shop é onde rola toda e qualquer a fofoca, muita gargalhada, sobre tudo e sobre nada no mundo offshore regado de muita comidinha que só engorda), um aluno veio me falar que conversando com o Supervisor sobre um probleminha que havia acontecido, o cara falou pra ele que "- aaah, it's ok, shit happy!". Ele ficou feliz pq entendeu: "poxa, shit é merda. Happy é feliz. Conclusão: merda feliz. Poxa, meu Supervisor tá falando que deu merda mas tá tudo tranquilo: merda feliz." E lá foi ele dar o feedback pro outro setor e disse: "o supervisor disse que shit happy". Até que um abençoado que fala inglês virou e perguntou: que raio de shit happy era aquela e ele explicou toda a saga novamente. E foi explicar e todos do tal setor caíram na gargalhada (pessoal de marinha fala inglês) e explicaram que o Supervisor dele não disse "shit happy" e sim "SHIT HAPPENS" e explicou o significado da expressão.

Eu sei que como Teacher não posso rir de um aluno, mas na hora que ele começou a me contar, disse shit happy e a conclusão do significado da expressão que ele mesmo criou, eu dei altas gargalhadas (como eu não sou Educadora por natureza, rio mesmo! péssimo exemplo de professora eu sou!).

O gerente da plataforma, um ex-fazendeiro inglês, tem aulas de português e sofre, xinga e bate na mesa todas as vezes que vamos conjugar qualquer verbo. Já o Capitão, um americano do Texas que é a cara do Visconde de Sabugosa, disse que só iria às aulas caso eu prometesse que não entraríamos em conjugação de verbo. Promessa não feita e aluno assíduo - reclamando 1000 vezes, como hoje, quando descobriu tenho, tem, temos e têm era o mesmo verbo.


Trabalhar no meio de muita água, vestindo um macacão que te deforma, dividir o quarto com outras 3 pessoas (e uma que ronca absurdamente na cama debaixo nesse exato momento) e o banheiro com 7 mulheres, viver perigosamente (hello, estamos falando de helicóptero, plataforma de petróleo, gases...), numa bomba relógio: é uma shit.


Mas saber que Deus é perfeito e que foi Ele que concedeu o desejo do coração e me presenteia com um visual lindo praticamente todos os dias, me deixa muito happy! 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Está chegando a hora...

...e é sempre assim.
Chega o dia pré embarque e a pessoa aqui não dorme direito.
Engraçado que não é porque não gosto de estar lá. Eu até gosto. Mas agora eu tenho é preguiça de chegar lá.


O que muitos consideram uma mega aventura, eu considero rotina: ir pro aeroporto, fazer check-in, despachar mala, fazer o briefing, esperar chamar, caminhar até o heliponto, colocar colete salva-vidas, entrar no helicóptero e voar 50min mar a dentro, pra mim, é um saco. Pois é, cansei. Ou melhor, virou rotina. 

Trabalhei 5 anos na aviação, colocando o avião pra subir - literalmente (era DT - despachando técnica de vôo) e hoje em dia eu não dou mais conta de voar. Se eu ganhasse milha por hora de vôo e idas ao aeroporto, com certeza esse ano eu seria aquele cartão preto fodástico do George Clooney em Up in the Air. Mas, como a vida do lado de cá é bem real, o jeito é ir dormir porque a partir de amanhã, os próximos 14 dias serão de 14h de muito trabalho (em breve explicarei minha rotina) e 10h pra almoçar, jantar, tomar café, dormir, malhar e viver na ilha de ferro.

sábado, 22 de setembro de 2012

#TGIF....só que não!

Nunca fui das mais festeiras. Na verdade nunca fui daquelas que saía aos finais de semana, que dizia que ia dormir na casa de amiga just to party hard. Também, considerando que VIX é um ovo e as "atrações" sempre foram as mesmas, não era assim tão animador. 
Me lembro do primeiro convite pra uma festa que chegou apenas no meu nome. Tinha 14 anos. Era aniversário de 15 anos de uma amiga, num clube chique da cidade e para desespero dos meus pais minha alegria, começaria as 23h. Meus pais me levaram e eu voltaria com outro pai.

No primeiro ano de faculdade, com 17 anos, tudo era novidade e deu pra curtir um pouco, mas, como era de menor, entrar nas boates não era assim tão fácil (acho que meu cagaço de ser barrada receio por ser menor era maior que a proibição dos seguranças). Como vários eventos que fazíamos por conta da facul terminava em festas em boates (estamos falando de VIX, hello!), eu estava na organização e já estava lá dentro. Já no segundo ano de faculdade, comecei a trabalhar por escala e com isso minha vida social foi para o buraco. Tive que abrir mão de muita coisa - hoje em dia vejo as fotos das festas de faculdade e conto nos dedos as fotos em que apareço. Nunca podia ir porque era num sábado ou um churrasco no domingo e lá estava eu no aeroporto. Vai trabalhar com Turismo, vai! Por conta disso, passei a aproveitar segundas feiras de folga na praia, uma quarta feira a tarde no cinema, 1 final de semana ao mês de folga para dormir eternamente... Acho que, desde os 17 anos, quando comecei a trabalhar (e lá se vão 12 anos de carteira assinada), num total trabalhei apenas 2 anos de segunda a sexta (inclusive o período como Aupair pois vira e mexe tinha um babysitting).

Mas aí eu fui pra Holanda. E com 24 anos, enfiei o pé na jaca legal. No primeiro ano como Aupair eu saía de quarta a domingo. A rotina era mais ou menos assim: quarta feira - salsa; quinta feira - cineminha + pub; sexta e sábado - pubs e boates; domingo - um bar/café pra curar a ressaca. Isso sem contar os finais de semana de viagens. Mas, pé na jaca legal não significa sair para beber descontroladamente. Nunca tomei um porre. Quer dizer, tomei 1 porre na vida, não foi na Holanda e não foi nada legal. Foi numa festa a fantasia open bar da Vasp com sakê de todos os gostos possíveis. Os poucos flashes me fazem recordar de eu  e uma amiga sentadas no chão do banheiro, rindo descontroladamente e sem forças para levantar, até que o Zorro (sim, a pessoa estava fantasiada de Zorro) nos levantou e levou-nos pra festa novamente. A partir dali não tive mais forças pra nada e a única coisa que me vinha à mente era: perdi meu controle, perdi meu controle, perdi meu controle. E essa sensação foi o suficiente para saber parar exatamente no momento que estou prestes a perder o controle. Bem, não sempre, mas pelo menos em 98% dos casos.

Enfim, essa vida de Aupair solteira na Holanda eu posso falar que curtir e muito. A melhor coisa que fiz foi não ter arranjado namorado logo de cara. Não queria isso. Não estava ali pra isso. E, graças a essa decisão pude curtir e muito. Saía para me divertir. Pouco me importava em flertar com ninguém, queria era dançar, causar, ser a dona do pedaço. E, na cidade onde morava, deu pra fazer isso tranquilamente. 10 meses depois de morar na capital de Limburg, fui para Amsterdam e, well, nem preciso dizer que encerrei meu ano de Aupair na Holanda em grande estilo.

Voltar ao Brasil, ou melhor, à VIX e manter o mesmo estilo de vida era impossível. A começar por... começar por tudo: tudo muito caro, pouca opção e as mesmas caras de 13 meses antes, quando eu saí de casa para terra dos moinhos. Mas principalmente a liberdade, VIX é um ovo e só existem 3 pessoas: eu, você e alguém que a gente conhece. Fui levando a vida: casa - trabalho - casa. A escala era de segunda a sexta, mas quase toda semana a cada 15 dias rolava um sábado - e era sempre o dia mais puxado. 

Por any motivos voltei pra Holanda e, foi esse retorno que mudou a minha vida (♥). Voltar pra Europa não era mais novidade. Me lembrou de pousar em Schiphol pela segunda vez e era como pousar em casa. Uma tarde linda de início de verão, foi largar as coisas em casa, tomar um banho e partir pro pub: rever amigos, ver um jogo de futebol (era Eurocopa 2008), conversar, não ser rotulada por com-que-roupa-eu-vou...liberdade. Mas o tempo foi passando, as amigas indo embora e juntamente com ela a euforia pelo "livin' la vida loca".
Sexta-feira (ainda tem o hífen?) chegava e o desejo/vontade de sair não chegavam. Pelo menos não nos fins de semana de folga.  A ida para a Bélgica ajudou ainda mais. Apesar de morar em Antuérpia, o bairro ficava 40min de ônibus do centro + 10min de bicicleta até o ponto de ônibus. Sair não era o problema, mas sim voltar, sabendo que teria que enfrentar tudo isso por volta das 3h - 4h com uma temperatura sempre abaixo de 10C (out.08 - fev.09), ou seja, tinha que ser algo muito bom. Finais de semana entre amigos, um bom vinho, ótima música, filme na tv e muito papo invadiram a minha vida. Ao me mudar para Ghent não foi diferente (30min do centro, 10min de bike até o ponto, 1 ônibus por hora e o último era as 22h30. Em Maastricht e Amsterdam o máximo que eu gastava eram 8min de bicicleta, quando não fazia tudo a pé).

Até que o Querido apareceu na minha vida e aí, os finais de semana de folga eram resumidos em viagens para vê-lo..aaah, o amor. E mesmo com ele, ir à pubs não era um problema: o Markt a 4min da casa dele, sair pra beber uma cerveja, encontrar os amigos e dançar...tudo logo ali 4min apenas de caminhada no sol, na chuva, no frio, na neve, no vento e já era resolvido.

Com ele ou sem ele, me tirar de casa só por um bom motivo. Mas mesmo assim, nunca senti a necessidade extrema que algumas amigas sentem de sair pra dançar, pra me divertir. Me divirto com pouco. E o pouco passa a ser essencial. Acho que tudo tem seu tempo. Aproveitei intensamente com 17 anos - amo e me lembro direitinho a primeira música que tocou quando coloquei os pés numa boate (é...tô velha!), as folgas foram aproveitadíssimas, com direito a vários atendimentos de check-in virados, a enfiada de pé na jaca foi essencial mas, hoje, quase uma balzaca, sexta feira é apenas mais um dia da semana.

Hoje, trabalhando offshore e nessa vida de corno por escala (14x14), sexta feira é apenas a informação de que minha folga está acabando. Hoje, sexta feira, significa nada mais nada menos que eu só tenho 2 dias até entrar no helicóptero e voar 115km mar a dentro pra ilha de ferro.

Thank's God Is Friday....só que não!