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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Enquanto isso no trabalho... cap.2

A coisa é pessoal, só pode ser. Porque ó... mulherzinha escrota/excrota/ex-crota essa tal de Anemia. Garrei ódio de vez pela mesquinharia, picuinha e ridiculazinha que ela é. Hahaahha (inho mesmo)
 Ontem Anemia chegou de férias, chegou atrasada, desfilou o setor todo dando bom dia pra todo mundo e quando chegou na minha sala passou direto por mim e deu bom dia pra Colega! Sério! hahahahaha Eu realmente tava ocupada (era 9h e, eu entro 8:15h, o restante as 8:30h e com minha exceção, todos morgavam) e por dentro tava rindo porque não acreditava naquela atitude de 6ª série. Mas como eu consigo ser mais ridícula que ela ("quando eu sou boa, eu sou boa, mas quando eu sou má, sou melhor ainda!") fiz questão de, 10 minutos depois quando ela virou, olhar bem fundo no olho dela, abrir O sorriso e com a voz mais irônica ever: "- Bom dia né, Anemia?!" Ela ficou em estado de choque e disse um bom dia em retorno com aquela voz fina de nervoso, sabe?
Ocupada estava, ocupada continuei. Mas, minha ocupação durou mais 1h e pronto: nada pra fazer! Fiz tudo o que tinha pra fazer. E acreditem, eu dei uma enrolada. No meio das mil explicações da viagem de férias que ela repetia, e mostrava fotos e aaaaaarrggghhh, pum! Me matei de nojinho (lembram que jogaram titica na cara dela e eu tomei nojo?!), perguntei se tinha algo que poderia fazer e nem preciso dizer qual foi a resposta, né?! 

Caçando algo pra fazer no pensamento lembrei que ainda tenho a folga do mês de maio, que segunda é feriado e que essa seria a última oportunidade de ficar ao lado de Anemia por 3 dias na semana apenas - levando em consideração que acabou feriado na Holanda. Fui correndo entregar o documento com pedido de folga pra terça e, por um milagre na natureza, o Boss estava na mesa dele e aproveitei pra pedir pra ele separar um tempinho no dia dele pq precisava conversar com ele (Gente! Até hoje eu não recebi feedback do meu primeiro mês e muito menos do meu trabalho! E c-l-a-r-o que preciso de tal feedback para dar o MEU feedback). Ele disse que ok. Mas 2 semanas atrás ele também disse ok e até agora nada. Ou ele não tem tempo (tenho lá minhas dúvidas porque ele desce pra fumar umas 789249 por dia) ou ele sabe que independente do que falar vai ouvir bomba. Não bomba, bomba... mas não vai ter resposta para o que eu falar. Whatever!

Boss de Baixo já tinha falado que tentaria me resgatar assim que possível. E, thank's to the Lord, as 11h, após um telefonema, Anemia voltou dizendo que o Kantoor Legal precisaria de mim pelas próximas semanas e que assim que eu estivesse free poderia descer e ficar por lá, o Boss já tinha autorizado.

Em 1min eu salvei/fechei/atualizei/guardei/arrumei minha mesa (que eu deixo semi bagunçada pra me enganar que tô fazendo algo, ou pra ao menos ter a mesa pra arrumar!) e, abrindo a porta pra sair, Anemia me vira e reclama que documento meu, que ELA pediu pra deixar em outro lugar no período das férias dela, não estava na mesa dela. Olhei pra cara e mandei ela tomar no c*! disse que ela precisava se decidir e relembrar as coisas que ela tinha pedido e repeti exatamente o que ela tinha me falado na sexta feira, antes de entrar de férias. Disse que, caso quisesse, tinha as cópias. Ela me mandou buscar as cópias. E eu fui...fui embora!

Chegando no Kantoor Legal, Boss de Baixo disse que conversou com o CEO sobre a minha pessoa no setor e que as coisas provavelmente irão mudar e que, extra-oficialmente, eu serei do Kantoor Legal, começando, a partir do hoje, a ficar a parte da manhã & tarde!. Quilos de trabalho pra fazer, coisas novas e cada dia as coisas fazem sentido dentro do setor. É isso gente! Que mal há em treinar alguém, orientar e deixar o outro trabalhar!? Eu só tô ali pra trabalhar. Nada além! E acho que esse é que é o problema no Kantoor oficial. Eu trabalho, não morgo, faço exatos 15min de pausa, nunca cheguei atrasada, aprendo e executo. Ser profissional é isso. Ou não? Será que venho de um planeta diferente!?

Ontem, ao ir embora, reconfirmei se ficaria o período todo no Kantoor Legal e beijo e tchau. Quer dizer, voltei à sala do Boss pela milésima vez pra saber/conversar/pegar assinatura da minha folga e adivinha!? Ele não tava! 

Quinta feira e esse tempo uó que pede pra ficar eternamente na cama, lá vou eu pro trabalho, direto pro Kantoor Legal as 8:15h e vida que segue. 9:30h eis que entra um ser desesperado pisando forte no salto sorvete: "Pensei que você tivesse doente! Até agora e nada de você? Como assim!? O que você tá fazendo aqui embaixo? Você chega e vai pro Kantoor oficial e só vem pra cá depois do meio dia...porque tem que avisar primeiro e...."

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Porraaaaaaaaaaaaaa, mulher! Que viadagem é essa! Vsf!! (desculpe a quantidade de palavrão, mas tem hora que não dá!) Bem, tudo isso veio na minha mente mas, antes que algo brotasse na ponta da minha língua Boss de Baixo disse que quem autorizou foi ele, porque eles dois (ele e Anemia) haviam acordado isso no dia anterior. Ela argumentou, ele falou e eu...

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...sentadinha aplaudindo a lavada que o Boss de Baixo tava dando. Porque eu adoro um toque de crueldade com requinte. Ela saiu marchando, ele xingou e disse que há anos tiveram uma discussão e ele sabe colocá-la no devido lugar. Para ele aquilo não foi nada mais nada menos que uma demonstração de quem manda, e que ela que é a chefe (hahahahaha, temos a mesma função!), pois sempre faz isso. Mas, acontece que esse círculo vicioso, comigo, acabou.

Passei a manhã me questionando o que leva uma senhora de 56 anos, 14 de empresa, mãe de 3 filhos, avó de 2 netas, com a vida certinha, recém chegada da Disney (era pra tá feliz né?!) a agir dessa maneira com alguém de 30 anos, recém chegada na empresa, que precisa aprender e que só quer trabalhar. Nada além disso (até porque eu sempre fui adepta de trabalho é local de trabalhar e não de fazer amigos. Isso é consequência.)!

Boss de Baixo e colegas do setor (que também não engolem a pessoa) disseram que é medo de perder o lugar dentro da empresa. Querido acha a mesma coisa e afirma ter certeza de que ela não faz o trabalho direito e, ter que passar o serviço adiante, ia revelar todo a verdade. Além de claro, simplesmente não saber orientar, treinar, compartilhar. Para várias informações que devem ser inseridas no sistema, a Colega, que tá lá há mais de 1 ano, ainda precisa perguntar à Anemia. Uma vez perguntei se era novo e a Colega disse que não. Que só quem sabe é a Anemia! Durante as 2 semanas de férias da mesma, muita coisa ficou pra trás porque só ela tinha acesso, só ela sabia fazer, só ela. E somos 3 no setor. Como pode?!

Enfim. Tenho 3 caixas gigantes de material com peças que cabem em micro envelopes suficiente para 5 aeronaves pra colocar em ordem - trabalho para no mínimo 2 semanas. Boss de Baixo confirmou meu expediente o dia todo no setor sem data pra terminar. Caso Anemia me queria, tem que pedir permissão.

Os engenheiros continuam chatos. Dia desses o ICT - que é um Ogro, além de burro - olhou pra minha cara e não me deu bom dia, tomou um esporro de quem estava ao lado e me respondeu e recebeu: "You're really an asshole!" as 8:15h. ICT trabalha na mesma sala que os engenheiros. Acho que pega. Mas eu sou feia gente!? Precisa gostar de mim não, basta ser educado!

Aff. Desculpem a raiva em forma de post desabafo! Mas tava entalado. Geralmente quando eu fico com raiva, eu choro (é. sou dessas. infelizmente). Mas ainda não consegui achar palavras pra descrever o que eu sinto quando vejo pessoas - velhas - agindo dessa maneira. Sem aparente razão nenhuma.
 
Mas já escolhi a blusa que vou pro trabalho amanhã. Acho que basta, né?!


Boa sexta feira, pípol!

terça-feira, 14 de maio de 2013

Enquanto isso no trabalho...

No dia seguinte desse post aqui, chamei Anemia pra uma conversa séria: perguntei se era eu ou se algo tava realmente pegando na empresa, porque eu não tava conseguindo conectar a minha contratação x nada pra fazer no trabalho, até porque, deep inside of me, a única coisa que vinha na minha cabeça era: "não tem trabalho, não tem contrato, eu - com menos de 1 mês - tomarei um pé na bunda semana que vem, quando completar 1 mês (período de adaptação dado pelo Boss). Sonsamente ela me disse que também infelizmente não sabia e nem tinha como me dar um feedback mas, que no dia seguinte, eu iria pro outro setor pq lá tinha realmente coisa pra fazer.

Assim dito, no dia seguinte desci e que felicidade! Treinamento/orientação, pessoas legais, música, conversa e muito trabalho. Tico e teco workaholics deram pulos de alegria. Depois de 2 dias lá embaixo (perto da "peãozada"- mecânicos - depois da vida offshore, estar por perto é garantia de risada!), Anemia resolveu me convocar pra 1h de treinamento (oi?!) nos 2 dias seguintes porque ela sairia de férias. Me preparei pra subir e recebi uma ligação de que, naquele horário escolhido por ela, ela mesmo não poderia...mas 2h depois ela poderia. Subi e pra meu ódio, foram 20min de falta de atenção. Voltei cuspindo fogo e o Boss de Baixo que não gostou nada dessa interrupção - pq ele sim tava me treinando - mandou email e o caramba a quatro e ficou resolvido o seguinte: nas férias da Anemia eu ficaria a parte da manhã no meu kantoor e depois do almoço, iria pro kantoor legal.

Dia da Rainha passou, peguei meu dia off, viajei, voltei, Anemia e metade da Holanda entrou de férias - mei vakantie - e minha vida foi paz e alegria. Trabalho no kantoor oficial e no setor legal. Cheguei a conclusão que é intriga da Anemia. Já era! Peguei titica e esfreguei na cara... O pior é que a galera do kantoor oficial também não ajuda: um bando de gente chata e mal amada. Ou com fome, pq nada justifica aquela cara com falta de amor, todos os dias. Holandeses, engenheiros e velhos. Aff! Até hoje corro atrás do Boss pra obter meu feedback do primeiro mês e ele, either não está na empresa, either não está disponível. Hoje, quando saí em disparada pro ponto de ônibus tentando controlar guarda-chuva (hífen?!) contra o vento, dei de cara com ele que me deu um oi e recebeu um tchau! #tenso!

Minha paz encerra-se amanhã quando Anemia volta de férias. Ainda não sei como será minha rotina. Conversando com o Boss de Baixo, ele deixou bem claro que precisa de alguém pro setor e essa pessoa seria eu. Mas aí são outros 500. Até pq ele é considerado O chato, carrancudo e difícil de trabalhar e, tá com medo de falar que me quer, pq, como já aconteceu anteriormente, a galera passa a acreditar e não permite a troca. Legal né?!

Dia desses o estagiário me perguntou se eu gosto de trabalhar lá. Disse que sim, mas que desprezava não entendia os colegas. Ele disse: relaxa, são engenheiros e velhos.

Devo seguir a dica? Cenas dos próximos capítulos...em breve.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O dia depois de ontem.

Essa sou eu chegando no ponto de ônibus pra ir trabalhar numa sexta feira pós feriado, dia esse que 75% da empresa deve ficar em casa menos eu (mas nem posso reclamar pq no último feriado, enforquei a segunda feira), esperando o ônibus e cri cri cri....pra, depois de muito vento na cara descobrir que ele só vai passar daqui a 30min, exatamente pq hoje é o dia depois do feriado.


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Pensamento positivo: tô sozinha no setor (yes!) saio 30min mais cedo (oi, sexta feira!) e amanhã é sábado (yes, weekend!)

terça-feira, 23 de abril de 2013

Stick to the plan!

Quinta feira passada o dia todo antes de dormir o plano para o dia seguinte era:  acordar 15min mais tarde pra  sem querer querendo perder o primeiro bus poder pegar o ônibus mais tarde e, consequentemente, chegar 14min atrasada no trabalho porque não ia fazer a menor diferença. Era sexta feira e nesse dia todos param de trabalhar as 16:30h por conta do happy hour (biertje, wijntje e bitterballen) na cantina da empresa.

Aí você me pergunta: "mas já começou a sabotagem?" Eu explico: não tem nada pra eu fazer por lá e eu fico tipo assim o dia todo na frente do computador lendo e relendo o manual que, a essa altura, deixou de fazer qualquer sentido:
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todo o sono do mundo!
Oficialmente eu fui contratada por conta de um contrato que está/estava pra começar a qualquer momento de abril. Porém, contanto, todavia, até agora não temos  notícias se o tal contrato vem ou não. "Anemia", minha "supervisora" (sempre que ouço/falo o nome dela sai algo parecido com isso) sairá de férias semana que vem e eu e a "Colega" ficaríamos por conta. Acontece que depois de 1 semana lendo manuais e observando procedimentos, quando chegou minha hora de fazer alguma coisa, fazia por apenas 1h: "- Vamos com calma / não precisa ter pressa / é step by step mesmo / aos poucos você vai pegando". E eu acreditei. Até porque, realmente é muita coisa. Mas 1, 2, 3h de trabalho por dia!?!? Não necessariamente 180min seguidos. Eu, na minha ingenuidade, penso que estão todos absolutamente ocupados.

Essa semana a Colega tirou um dia de folga e eu cheguei jurando que ia trabalhar bagarai. O pouco que estava apta a fazer, se multiplicaria e aprenderia mais e tooooooda aquela empolgação de quem tá começando. Pois bem, quebrei a cara. Das 8h de trabalho, trabalhei exatos 73 minutos. E não fiz mais porra nenhuma nada. Fui ao banheiro umas 14 vezes sentar na privada, dar aquela über nap e lavar o rosto. Perguntei o que tinha pra fazer, em que podia ajudar e as coisas chegava picadas.
E assim foi a semana toda. Só comigo. Porque até o "Groot" - estagiário de 2mts que senta na minha frente - tá mais ocupado do que eu.  Quer dizer, scaneiei 185 documentos (se não tem nada pra fazer, a gente conta), passei a tarde na Recepção lendo sobre dados e descobrindo idade da galera da empresa ajudando no arquivo de documentos pessoais, preenchi uns documentos pra outros setores. Mas pro meu setor, meu trabalho, para o que fui contratada, nada, niente, zero, niks.

Ontem de manhã:
Eu: "O que tem pra fazer? Posso ajudar em alguma coisa?"
Anemia: "Hummm...excelente perguntas. Mas infelizmente não tem nada pra você fazer."

Lembra do mini-flashback dos Normais? Comigo acontece mais ou menos assim, mas no estilho mini-fastforward. Ao ouvir tal resposta - depois de dias coçando o saco e dormindo na frente do computador - me vi pegando minha bolsa e falando "beijos, me liga quando quiser que eu trabalhe, porque se é pra não fazer nada aqui, prefiro não fazer nada em casa que é mais confortável." Mas foi por um milésimo de segundo. E por isso voltei pra minha cadeira, abri o manual e fiquei planejando o dia de hoje. A tarde o "Head PP" veio todo felizão e me deu 40 páginas de trabalho! Yey! Nem preciso de dizer que adorei né?!
Entreguei tudo pronto no final do dia e ele me pediu para, caso tivesse tempo (aaah, bobinho) que o ajudasse porque ele tinha muita coisa pra fazer e eu poderia ajudá-lo. Quase o agradeci de joelhos mas, ao informar Anemia ouvi que não poderia pois, a partir de hoje iria passar uma temporada em outro setor, já que lá tem muita coisa pra ser feita. Vibrei!

Pois bem. Lembram do meu plano acima?
Então? Acorde 15min depois. Me arrumei, preparei a marmita, Querido mais dormindo do que acordado, vendo as news falou que, apesar do céu azul do lado de fora, era pra levar o guarda-chuva porque ia chover e... e...quando deu a hora normal do ônibus a consciência pesou e saí desesperada correndo e bolsa aberta e fone caindo do ouvido e corre... e... cheguei no ônibus paguei sentei on time! Ufa! Sentada, refeita, procuro o celular na bolsa e...e...e...CADÊ O CELULAR!? Não que eu vá ligar pra alguém, mas minha internet é algo primordial nessa vida de ir pro trabalho fazer PN. Pra que meu Deus, pra que!?!? Pelo menos o céu tá azul.



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oh Lord, como ficarei um dia TODO sem meu celular?!
Anemia: Sorry, mas hoje você não vai pro outro setor, eles estão ocupados e blablablablabla você fica por aqui, você fica por aqui, você fica por aqui...(repete na minha cabeça 748 vezes em eco). Senta aí e se fode mata! (essa parte ela não falou, mas foi a tradução que fiz na minha cabeça da primeira frase).

1h depois sentada vegetando, olho pela janela e todas as nuvens do mundo pairam sob a cidade. Oooh shit! Passei direto pela cesta de guarda-chuva e ele ficou lá - provavelmente rindo de mim saindo correndo desesperadamente fora da hora que planejei acordar e fazer todo o meu plano.

Corri loucamente. Cheguei no horário. Não fiz PN o dia todo. Não trouxe o celular. E vou voltar molhada pra casa. Oooooh shit!!! Aprendizado do dia: ALWAYS stick to the plan!

Querido, vendo todo meu desespero + zero guarda chuva e buienradar.nl gritando chuva pra antes, durante e depois do meu horário de saída, foi me buscar no trabalho! Ufa! A idéia do jantar era um stroganoff de frango. Não tinha creme de leite em casa. Ainda dentro do carro pensei em outras opções para o jantar. - Always stick to the plan, babe! Desci no meio do caminho e fui direto pro mercado antes de chegar em casa. Stroganoff saiu e ó, só sucesso!


terça-feira, 9 de abril de 2013

É isso aí, companheiro!



1 semana de trabalho e por enquanto, tudo vai bem.

Ainda estou digerindo e assimilando todos os 30958324 formulários, 1145 páginas de manual + 737 de normas e procedimentos, mas vai dar tudo certo! 

Mas ó, de coração mesmo, muito obrigada pelos recadinhos no post anterior! É muito bom saber que não estou sozinha nessa saga holandesa! Me alegraram ainda mais!

Primeira semana é aquela coisa né!? Você conhece todos mundo e não lembra o nome de ninguém, setores e muito menos o que fazem. Mas aos poucos, vai digerindo. Nunca trabalhei numa empresa apenas na parte de escritórios, sempre tinha atendimento ao público envolvido - que acaba sugando o seu dia, humor, paciência e tempo. Como as coisas fluem mais rápido.

Ainda estou assustada com o procedimento que envolveu tudo. Desde e assinatura do contrato - que chegou na minha casa com envelope já selado pra devolução, envio de todos os documentos  e em 2 dias tudo estava pronto - até as pausas a cada 2h. Pode ser deslumbramento de primeira semana, mas olha, partido dos trabalhadores (CAO) aqui funciona direitinho. Pelo menos, até o momento pausa de 15 a 20min a cada 2h de trabalho (pausa do tipo: todo mundo para!) + 30min de almoço e saída na hora exata, sem mais 1min ou menos, tem funcionado. Ainda tô selecionando os dias de férias - apenas úteis e tentando achar o melhor dia pro Day Off mensal que tenho direito.

Hoje, 1 semana depois, deixei de ser a atração da empresa, mas acho que todas as pessoas que tem um quê de Brasil vieram falar comigo: quem já foi, quem ainda vai, quem tem namorada ou tem alguém brasileiro na família veio falar comigo do tipo, "hey, temos algo em comum". Achei legal. Até pq eu ainda sou dessas que as vezes quebra a cara pra não ter que ficar olhando pro teto, puxa um assunto pra quebrar o gelo. Os colegas, em sua maioria homens (depois da vida offshore passei a gostar de trabalhar com homens, acho beeeem mais fácil!) são tranquilos. Faço parte do grupo que não fuma, sendo assim, só eu e mais uma colega no grupo do intervalo dos não fumantes entre 15 colegOs.

Como só faz frio (muito) nesse lugar, não rola de ir de bike e, por conta disso, acordo cedo bagarai porque eu sou lenta de manhã e tenho que preparar o pão nosso de cada dia, dar um truque na juba (ainda tô conquistando a galera, não dá pra largar a juba de qualquer maneira e assustando assim logo no primeiro mês) e tô colocando meu sono em ordem. Consequentemente, cumprindo as 8h de trabalho, pernas pra que te quero. Tô tomando pau desse OVChipkaart que, de um ponto pro outro, é €0,23 mais barato, mas em 10min me deixa na porta do trabalho quentinha e seca. 

Ainda confundo holandês com limburgs e todos os outros dialetos que eles usam entre si. Além de prestar o dobro de atenção quando recebo uma informação toda em holandês. Papai do Céu, please don't let me have a dumb face while paying attention!

1 semana e já fiz todos os tipos de pães possíveis - e olha que eu não tenho nada contra comer um pãozinho no almoço - mas também não tô assim tão holandesada pra comer apenas salada de pepino ou tomatinhos na hora do almoço - , mas preciso, urgentemente de novas idéias para saladas e outras coisas pra levar pro almoço - não tem nenhuma cafeteria around - e gastar money com delivery não é o meu tipo. Ah, e, o mais rápido possível, preciso descolar uma maneira de não tomar choque em TUDO onde encosto; já testei todos os sapatos possíveis, uso roupas de algodão mas não adianta. Antes de encostar em algum lugar, pareço uma doida procurando algum lugar pra "trocar energia" mas não adianta, a estática me ama! :(
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eu, logo depois de um choque! :/


Pois é. Por enquanto é isso pessoal.
Agora deixa eu vegetar um pouco, alimentar meu ovchipkaart pq amanhã é dia de lerê! :)

terça-feira, 2 de abril de 2013

I got a job!!

Eu sou uma pessoa orgulhosa! Orgulhosa no bom sentido. Tenho orgulho de onde eu vim, o que conquistei, de como foi difícil,  das lágrimas, sorrisos, explosões de sentimentos. Tenho orgulho de ter ser da Baixada Fluminense e ser quem eu sou hoje! Adoro trabalhar - adicione a isso a rotina de ir pro trabalho e reclamar dele também. E faço questão de ter meu dinheiro e fazer parte das contas do fim do mês. Faço isso desde os 17 anos.
Dito isso, vamos ao post.


Quando Querido disse que daria entrada no visto, lembro-me claramente que a primeira coisa que eu falei foi "E o meu emprego?". A resposta - dele - foi simples: "Aaaaah, você arranja um aqui". Isso dito, emoções a parte, papelada, dinheiro indo embora, férias, chegada, frio, papelada (aqui) toda ok, chegou a hora: solliciteren!

O prazo que geralmente temos pra toda papelada (identidade, sofi nummer, permissão de trabalho e blablabla) ficar pronta é de até 3 meses. Considerando que já fui Aupair nas bandas de cá, devidamente registrada na prefeitura, documentação em ordem e muita boa vontade e excelente atendimento que tivemos no IND, em 20 aqui eu já estava apta pra abrir conta em banco, fazer o seguro saúde e apta pra trabalhar. Isso tudo porque tivemos as festa de final de ano entre minha chegada e fomos agendados pelo próprio IND pra 20 dias depois.

Antes de chegar aqui eu tinha previsto que só poderia começar a trabalhar depois de 3 meses. Sendo assim, não faria muita pressão - eu sou o meu pior inimigo nesses casos - e viveria a vida estudando e caçando emprego nesse período. Mas, como disse acima, aconteceu o contrário.  Sendo assim, no mesmo dia que cheguei em casa com o beslissing comecei a aplicar para as vagas em sites que já vinha visitando e sabia como que estavam disponíveis, de acordo com meu perfil. 

Uma das coisas que minha mãe me falava era: "filha, por favor, self control enquanto você não arrumar um emprego" porque eu sou dessas que surta - apesar de nunca ter ficado mais de 2 meses desempregada, nunca fui demitida e tive ótimos empregos na minha área e fora dela. 

A primeira semana de nãos até que desceu bem. A segunda nem tanto. Na terceira os primeiros sentidos de preocupação chegaram. Refiz o maldito motivatiebrief, revi as opções de trabalho. Os nãos eram explicados por "seu holandês é muito bom, mas não é fluente". Era verdade e não tinah nada que pudesse fazer a respeito disso. 1 mês e pouco de vida nova na Holanda e, por mais que falasse apenas em holandês com Querido, família e na rua, não seria o suficiente. Conversando com algumas amigas e lendo blogs de quem teve o mesmo processo que eu, 1 coisa apenas se confirmava: primeiro estuda e arrasa no holandês e depois procura emprego. Pelo menos 6 meses dedicados ao estudo da língua. A única coisa que pensava era: "Eu? 6 meses? Só estudando? Sem trabalhar? Sem conhecer outras pessoas e fazer a minha vidinha aqui? Sem meu próprio e suado dinheiro? Mas de jeeeeeeeeeito nenhum!" Que algo fique claro aqui: eu não tenho nada contra quem faz/opta por isso. Mas pra mim, por motivos ditos lá em cima, não rola. Mas, sem subsídio do governo, a última coisa que EU queria era dar de presente mais uma conta pro Querido. Oi, orgulho!

Visitei o primeiro uitzendbureau - agência de trabalho - e o presente que ganhei foi: "ótimo CV, mas na sua área você precisa falar holandês fluente - apesar de já falar muito bem, juntamente com o inglês, português e arranhar bonito no francês e italiano - mas, sem o holandês, o que eu tenho disponível pra você aqui é uma vaga de Tiazinha do Banheiro para antes, durante e depois de uma feira internacional que vai ter aqui. Topa?
Saí da agência sem sentir nada. A única coisa que pipocava na cabeça era: "eu sou melhor que isso, eu sou melhor que isso, eu sou melhor que isso. No Brasil, aqui e/ou em qualquer lugar."

Lembro-me de ter lido muito tempo atrás no blog da Line algo que ficou marcado pra quando eu chegasse aqui; era algo do tipo: "não se contente com pouco, se você se limitar com pouco, você terá pouco". Fazia um dia lindo, com muito vento e antes das lágrimas caírem, ao andar pra casa, o vento tirava de mim. 

O tempo passou, os nãos invadiam meu inbox, o meu dinheiro da recisão acabou e minha necessidade de fazer algo, me sentir útil só aumentava. Inventava desculpas pra mim mesma, principalmente quando acordava e via neve do lado de fora do tipo: pelo menos estou dentro de casa com essa neve e frio todo. Mas no fundo eu não me convencia.

Até que no início do mês passado surgiu não só uma, mas duas vagas de Kamermeisje (camareira) em hotéis aqui perto. Lendo e ouvindo sobre como tá difícil arranjar um emprego na Holanda - para holandeses e expats - pensei, aaaaaaah, a Cunha 1 é Thuisverzoging ("faxineira") e já foi kamermeisje, a Cunha Caçula também. Ser camareira não mata ninguém e posso fazer isso até achar algo melhor, na minha área e $$. É part time, vou chegar em casa e aplicar pra outros empregos. Convencida e necessitada (não de dinheiro, não mesmo, mas de fazer algo), escolhi o mais próximo (ambos pagavam a mesma coisa/hora) e fui. Fiquei 2 dias apenas. No primeiro dia, além de chegar em casa acabada eu só fazia chorar. Eram 20min da estação até o hotel + 6min de trem até aqui em casa e eu só fazia chorar. Mais uma vez o pensamento vinha: "eu sou melhor que isso, eu sou melhor que isso, eu sou melhor que isso." Dessa vez adicionado de: "eu não preciso passar por isso! Eu estudei pra não precisar fazer isso! Estudei pra ser alguém na vida e trabalhar com meu cérebro".

Minha mãe, que sempre me incentivou a fazer e correr atrás pra me tornar uma excelente profissional, me apoiou no início mas escondeu que a pressão tinha subido por me ver me submetendo a algo que ela prometeu não ser quando tinha 12 anos e desde os 9 trabalhava em casa de família. Hoje, Pedagoga, com especialização, pós graduação, começando a segunda agora, aos 53 anos, ela não queria isso pra filha dela. E com ela no Skype, joguei pro alto o hotel. Louca né?! Né! Oi, orgulhosa?

Mais uma vez repito: nada contra quem trabalha. Pelo contrário. Desde a escola sempre tive um respeito absurdo pelas faxineiras (eu vivia na escola, lembra? filha da pedagoga!) e no hotel, só dava as minhas gargalhadas com as camareiras, fazendo bagunça - geralmente - onde não podia. Mas enfim, EU não nasci pra isso.

Mas aí Deus...aaaah Deus é tão bom! Mas tão bom que ouviu o desejo do meu coração e fez a obra completa. Claro que no tempo dEle, do jeito dEle, dando-me o que é melhor!
Acabei de chegar do meu primeiro dia de trabalho, com contrato assinado, sem ser por agência de trabalho - caçando vagas na internet -  um salário excelente, queimando os neurônios, na minha área, minha paixão - aviação - perto de casa - quando a primavera resolver chegar do lado de cá, em 25min de bike estarei lá, por enquanto, de ônibus, em 10min estou na frente da empresa - segunda a sexta, horário comercial, falando holandês (olha como pode, meu holandês só melhorou), inglês e quando necessário português, já que, entre os contratos com clientes, existe contrato com Brasil e Portugal. Apesar do frio de 1C ao sair de casa hoje, o sol já brilhava - e assim ficou o dia todo - e a tendência é só melhorar.

Pois é! Eu, brasileira, no dia que completei 3 meses de Holanda, estava empregada! Na verdade tive duas oportunidades: aviação e hotelaria - Recepcionista Líder no mesmo hotel onde trabalhei no BR, só que aqui. 
Mas, como a aviação confirmou e o hotel - via uitzendbureau (odeio esses caras!) - não ligou nem pra dizer que não rolou...prefiro seg/sex em horário comercial do que ser escravo da hotelaria, novamente (mas caso a aviação não tivesse aparecido, hotelaria seria, sim senhor!)

Não venha me dizer que eu dei sorte porque eu não dei sorte! Sorte é car&%#o!!!
Eu corri atrás, liguei, enchi o saco, escolhi, fiz um bom CV, melhorei o motivatiebrief e acreditei em mim: minha linha de corte foi a minha realidade profissional. Oi, orgulhosa!?

Agora é dedicação ao trabalho, ler ler ler, estudar estudar estudar todos os formulários possíveis da empresa, achar um curso noturno de holandês e welcome back à classe dos trabalhadores!

Enfim, leu esse testamento? Agora me julgue se quiser.
Pra bem ou pra mal. Tô bem feliz e orgulhosa de mim mesma!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Hij komt, hij komt...


Oficialmente era para eu estar embarcadinha nesse momento, dormindo na minha cabine com outras 3 pessoas, mas, a vida offshore, pelo menos em terra brasilis, chegou ao fim. 


Me despedi dos alunos no último embarque e avisar que não voltaria no próximo embarque foi difícil. As lágrimas vieram. E, pra minha alegria, não só pra mim: teve peão saindo do vindo me abraçar com lágrimas nos olhos. Ver o carinho de todos eles, sem exceção, comigo, foi a maior recompensa: muito respeito, muita parceria - essa é a minha dica pra vida de mulher embarcada. "What goes around, comes around", foi isso que ouvi do OIM quando me despedi. Ouvi isso em forma de agradecimento pelo que fiz a bordo, por minha postura e dele nunca ter ouvido nada de mal sobre mim, pelo contrário. Fui coisa rara em uma sonda: todos gostavam de mim. Sem exceção. Ouvir dos Expats que vou ser muito bem sucedida no que fizer e terei tudo de volta sempre por conta do trabalho que fiz...não teve preço. E justamente dos Expats, os que davam muita dor de cabeça.

Apesar de ser Third Party Client, ter a avaliação deles - cliente - , ter esse feedback final é o que realmente conta, o que vale a pena. Foram 10 meses com eles, 10 embarques com eles. Só eles podem me avaliar como ninguém. Sou grata a Deus por ter me colocado naquele Rig especificamente, naquela tripulação. Vou sentir muita saudade. Mas, vida que segue.

A saída já estava nos planos: visto sendo aprovado, Querido chegando, mudanças a vista... Por ser terceirizada, não temos contrato internacional, sendo assim, foi a hora de dar tchau (até porque, se eu continuasse, não teria vida: a escala permaneceria a mesma e o vôo quem teria que pagar seria euzinha - geen international contract - so...better not!). Graças a Deus foi mais tranquilo do que eu esperava, apesar de ter que ir a MacaHell* (detesto ir lá). Enfim, sou uma desempregada e dar tchau ao meu trabalho por conta de uma mudança é algo que foi muito pensado, nada calculado e friamente feito - "o mundo é de opções, baby: perde-se aqui, ganha-se lá." (I shall keep this as mantra) Um dia falo sobre isso. Ou não.

Hij komt! E não tô falando do Sinterklaas que já ronda as tamaconlândia. Tô falando é do Querido, que já tá quase na área.Let's say: "Querido, 17:45h out!" Uma ligaçãozinha rápida pra confirmar se está acordado...and checked! É...hij komt!

Bem, agora é curtir as férias, torcer pra termos muito sol pra branquelo ficar vermelho mesmo com protetor fator 60, pq depois é só frio, chuva e neve.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Crappy Halloween

Então que a noite foi mal dormida. A última vez que dei uma olhada no relógio era 01:40am. As 6am eu estava de pé. Quer dizer, 2:30am acordei suando em grande estilo - fui dormir com muito, muito muito frio. Acho que era febre. Veio e passou.

Aluno chato é aluno chato. Não importa a idade, nacionalidade ou função. A única coisa que muda, na minha opinião é que, tratando-se de marítimos, quanto maior a patente, mais chato é. E hoje, alguns fizeram questão de deixar isso bem claro.

A Schedule das aulas fica pregada na porta da Classroom, nas portas do refeitório e na área de lanche: locais frequentadíssimos por todos. Mas tem uma galera que se acha acima do bem e do mal que nunca vê, nunca sabe, nunca lê e por isso a idiota Teacher aqui fica lembrando as datas no final das aulas. Aí que hoje o Imediato, mais conhecido como Velhinho - canadense, tem aulas de português (eu a-b-o-m-i-n-o dar aulas de português e, antes que você venha me dar sermão, me diga como você explica pro Expat que é "a" cadeira e "o" livro? que é "na" Itália, "no" Brasil e "em Cuba"? pronome pessoal oblíquo? se eles não sabem nem identificar o que é um Present Perfect Continuous ou Past Participle? #vaivendo) e faz as piadas mais sem graça ever e fica rindo esperando o meu sorriso em retribuição, sendo que eu não consigo rir de piada americana/canadense sem graça.

Enfim, Sr. Velhinho chegou hoje as 6:50am, sentou na cadeira e ficou me esperando entrar na sala às 7am pra começar a aula. O detalhe é que hoje ele não tinha aula. Mas aí, como, segundo o pensamento dele, ele é O Imediato (aquele que fica abaixo do Captain numa embarcação) e amanhã vai ter que ficar acordado mais tempo porque o Fire Drill será antecipado, eu tenho que cancelar a aula do Eletricista que está no Basic I  - e também vai perder horário de sono por conta do treinamento - e dar aula de português pra ele. Cê jura né? É pra começar o dia beeeeeem.
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Eu não tenho nada contra, nem nada a favor de Halloween. Yo no creo en las brujas, pero que los hay, hay. Mas, cresci dentro de cursinho de inglês e lá a teacher empurrava goela abaixo a gente tinha que comemorar o Halloween. Nada mais óbvio que eu fazer o mesmo né? Não. Querido conseguiu enviar um mini vídeo de Hocus Pocus - essencial pra que a aula tivesse uma pitada de Halloween... para alguns alunos apenas, porque os outros estavam tão empolgados na matéria que mal deu pra falar (adoro dar aula para beginners).

Mas aí, tem aquelezinho que vira e fala: Ah Teacher, Happy Halloween é o c*ral*o, Feliz dia do Saci. Sim, pra vc que não sabe, procurando uma maneira de valorizar a própria cultura, foi instituído 31.10 como dia do Saci - o saci é tão valorizado que só foi homenageado para que esquecessem uma outra data. 
"O brasileiro poderia aprender tanta coisa do povo americano: patriotismo, educação e blablabla, mas valoriza exatamente uma festa que não tem nada a ver com o nosso país". Troceeeeentas pessoas curtem o status no facebook do moço que estava, de férias, no tal país postando cada passo que dava. 

Então tá, Sr. Sou-brasileiro-como-muito-orgulho!
Por que achou brega e não quis comemorar Festa Junina a bordo? 
Por que reclamou de ter que ouvir o hino nacional brasileiro no dia 07 de setembro?
Por que ri do brasileiro que ganhou ouro nas Olimpíadas, porque a modalidade é "coisa de viadinho" e fica #chatiado quando a seleção de futebol perde ridículamente na final?
Por que foi gastar deixar seu dinheiro todo na gringa ao invés de viajar pelo Brasil de Saci Pererê e Iara que tanto defende?

Não quero respostas para essas perguntas (até porque eu mesma sou a primeira a responder algumas delas). Mas né? Tem gente que faz questão de perder oportunidades de ficar calado. Faz questão de criticar algo que a gente faz mais por diversão, pra lembrar que existe um mundo massa além dessa ilha de ferro.  Mas enfim, c'est la vie.
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Ah, a ida do Sr. Velhinho serviu pra 1 coisa apenas: me deixar doidinha. Ele soltou no ar avisou que o treinamento, que acontece todos os sábado as 9am,  foi transferido para amanhã, às 10:30am. Cancelando diretamente 2 aulas e indiretamente outras 2. Além de 01 aula de hoje - porque, se a aluna fosse a aula de hoje, iria ficar acordada de 15:30h de hoje até, pelo menos, 11:30h de amanhã, e aí é sacanagem e eu não sou uma Teacher do mal.

O pior é saber que as reuniões de sábado foram mantidas. Ou seja, perderei praticamente 2 dias de aula (eu gosto de dar todas as aulas pro dia passar mais rápido e eu desembarcar mais cedo). Tchau tchau quinta feira com aulas, hello Thursday of reports and assessments! 
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São 23:45h e tenho que descer pra ligar pro Querido. Por que?
Estou eu dando aula e o o Skype piscando descontroladamente. Enquanto os alunos faziam uma atividade, aproveitei pra ver o que era, já que tinha que procurar o que era Bate-Bola/Clóvis pq alunos de Rio Grande/RS, Catu e Alagoinhas/BA e Natividade, disseram não saber do que se tratava tão fantasia que me fazia correr de medo no carnaval (sério que só existe aqui no RJ?).

Eis que vejo trocentas mensagens do Querido dizendo que tinha acabado de voltar do hospital, pois, ao voltar do trabalho em direção a casa da minha sogra, pra jantar, uma scooter (eu garrei ódio de scooter na Holanda desde os primórdios de Aupair, onde eu tinha que subir ladeiras - em Limburg TEM morro, viu? - me matando e passava a motinha lá tranquila, sem suar, sem esforço) na contramão na ciclovia em alta velocidade e bate no Querido (que não pedala. voa!), jogando-o pra longe, acabando com a bicicleta nova - menos de 1 ano (hoi fiets verkezering, se prepare que eu vou lhe usar!), destruindo os óculos e abrindo o supercílio sangrando absurdamente.

Querido foi pro hospital após ter ficado desacordado uns 3-5min - de acordo com testemunhas - e ligado pra Cunha Caçula. Eles ligaram pra Politie que disse estar muito ocupada para ir até o local auxiliá-lo. No hospital, segundo ele, o médico desinfetou e passou uma cola (oi?) no supercílio e o mandou pra casa, mas, assegurou que a Cunha ligaria pro irmão a cada 2h após ele cair no sono para assegurar que está vivo bem.

A sogra falou, as Cunhas falaram, eu implorei mas ele não quis dormir na casa dos pais - o que faciliataria a supervisão. Por estar embarcada e não ter telefone logo ali, fiquei no turno das 3 da manhã (00h aqui).

Por volta das 20h eu liguei e foi muito drama. Segundo a sogra, Querido só faz drama comigo (via skype Cunha já tinha deixado, ao mesmo tempo que ele a seguinte mensagem: Zusje, vi o que seu Querido escreveu no skype, sendo assim, considere 20% apenas do drama). Nunca foi de fazer drama nem com ex-namorada. Por que será hein? A voz muda, a dor aumenta e meu coração praticamente some por conta dessa distância (IND, aceleraê, aub!). Não que eu resolveria o problema, mas...vocês me entendem.

É...vamos lá.


update: são 00:07h. Acabei de ligar e a pessoa não dorme, o corpo todo dói - parece que o primeiro dia depois de voltar a malhar - disse ele, a mão tá doendo muito, não tem nada de bom na televisão e não consegue achar uma posição boa e nem algo que preste na tv de madruga. Tudo com uma voz de muito, muito, muito sofrimento.
É...a pancada e o corte no supercílio não foi assim tão forte. Tá bonzinho!
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Fotos Halloween. Os meninos do Catering e minha roomy Nutricionista são ótimos. Tiraram água de pedra (o rancho - comida da semana - atrasou) e criaram a partir de uma pseudo idéia - levando em consideração o que tínhamos.


Jack o' lantern carrot salad - idéia de última hora e o meu favorito!
Cupcakes
Suspiros fantasmas, doce de abóbora e finger cookies
Cutted hand: contra-filé a milanesa
Treats table





    


Dinning Room
Halloween Classroom

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Trick or treat?!

Eu deveria estar lendo/estudando/preparando/revisando o material para as aulas de amanhã - Halloween - que, por ser a traditional american pop cultural celebration, "devo" comemorar, decorar e o escambal a quatro com meus alunos. 
Mentira.
Eu deveria mesmo estar dormindo, mas a dor de cabeça volta, a tosse volta, a cabeça está a mil e não tô afim de Christian Grey agora (em breve um post sobre o moço). Sendo assim, cá estou. 23:14h e acordada. Ontem fechei a "barraquinha" (minha cortina da privacidade) as 22h, apaguei a luz, me preparei pra dormir e só consegui fazer isso 01:30h (rinite parceiraça "entrou na sala" para chat). Às 06:20h de pé e aula às 07h.

Embarque passado eu tinha imaginado, pensado, analisado, procurado, separado e feito uma lista de tudo o que faria com meus alunos em 31.10. Mas a folga foi O stress agitadíssima na primeira semana e, por isso, nos últimos 7 dias livre me permiti fazer p*rra nenhuma: ficar de pijama o dia todo, colocar as séries em dia, malhar, voltar pra casa, desligar o telefone descansar. Só lembrei do dia de amanhã a caminho do trabalho: dentro do helicóptero. E aí já era.

Semana passada eu relutei e pensei em ignorar a data fazendo apenas o exercício (ridículo) proposto pelo curso - até porque, desde o RG1 do CCAA eu acho uma palhaçada comemorar Dia das Bruxas num local que não tem a cultura de tal comemoração (pensando bem, deve ser trauma: minha mãe nunca me deixou correr atrás de doce de Cosme e Damião...). Mas aí, por conta do maldito "compromisso com um serviço de qualidade" que essa pessoa que vos escreve tem, passei segunda e hoje separando material, todos os níveis com aula amanhã (Basic I, II, III/ Intermediate II / Advanced I), imprimindo coisinhas para decoração e de papo com a Nutricionista a bordo pra tentarmos (entenda tentarmos por cozinheiro, padeiro, doceiro) fazer alguma coisa (a.k.a. comida) no refeitório que lembre o tal dia das bruxas. Enfim. Vamos ver no que vai dar. 

Se tudo der errado (minha enxaqueca não der sossego), Querido baixou Hocus Pocus às pressas (with dutch subtitles - até pq eu dou aula de inglês para brasileiros - dank je Sjat!) e pronto! 

A bruxa já tá solta na sonda há um bom tempo mesmo. Não vai ser a Teacher a fazer diferença. hahahaha

domingo, 28 de outubro de 2012

Bad hair day

Sabe aqueles dias em que tudo coopera pra você ficar na cama, mas você insiste o dever chama e você levanta e tudo te mostra que, realmente, era pra ter ficado na cama.


A vida offshore é cruel, punk, não pára, não pára, não pára não.
A escala de trabalho é de 12h. Os turnos vão de 06h - 18h, 18h - 06h, 12h - 00h, 00h - 12h e eu me encaixo em quase todos eles. Como Teacher, tenho que dar aula nos melhores horários para o aluno - que deve assistir as aulas FORA do horário de trabalho. Digamos que minha primeira aula começa as 07h e a última termina as 21:30h. Eu sou a pessoa que mais trabalha a bordo e que menos recebe (vida de nêgo é difícil).


A sonda está parada, ou seja, estamos em alto mar, mas não estamos perfurando, mas mesmo assim tem muito trabalho a ser feito e, como eles dizem, a galera tá "pegada", principalmente por conta dos auditores que chegam pra deixar todo mundo de cabelo em pé. E, por conta desses auditores, a nova onda da sonda é pintura. Eles estão pintando absolutamente tudo pra deixar a plataforma nos "trinks" e seguir a risca as exigências do novo cliente e, com isso, usando muito tíner. E é por conta dele que eu não deveria ter levantado hoje.

Há alguns embarques comecei com uma dor de cabeça terrível e não sabia o que era. Até que resolvi dar um rolé do lado de fora e acabei sentindo um cheiro fortíssimo e, imediatamente minha dor de cabeça aumentou. Descobri que era o tíner que eles usavam. Como era num sábado, como hoje, que não tenho muitas aulas, deu pra dar uma descansada e após o dorflex.

Ontem senti o cheiro forte novamente e evitei ir do lado de fora. Mas acabou que cheiro veio até mim: quem estava mexendo com o tal solvente tinha aula comigo. E eles eram em 6. Meu dia acabou ali. Uma dor de cabeça in-ter-mi-ná-vel tomou conta de mim e minha alergia, sempre muito fdp cruel, fez com que o cheiro descesse para minha garganta, provocando uma tosse terrível. Pela primeira vez cancelei aulas. Não tava conseguindo raciocinar mais. Um aluno me chamou pra fazer uma tradução e não conseguia traduzir apoio para support.

As 18h eu estava na cama, mas, não contava com 2 roomates se acabando em tosse por conta de um vírus que paira na sonda esse embarque. E, adivinhem: como a imunidade já estava baixa...hoje de manhã fui agraciada com uma dor de garganta surreal - garganta inflamando + dor de cabeça + tosse = rinite 5min out!

Deus é bom e fez com que hoje fosse sábado: apenas 2 aulas no final da tarde (fire drill - treinamento de abandono - e safety meeting) e eu passei o dia todo de cama, com supervisão da enfermeira. O porém é que, durante o dia, minhas 2 sick roomates também estavam na cabine. Me "tranquei" atrás da cortina que fecha minha cama - e me permite ter a largura de uma cama de solteira como privacidade. A sonda toda sabe que estou doente e quem não sabe, minhas olheiras e tosse denunciam de longe.

O treinamento foi um saco. O frio do ar condicionado no camarote tbm não ajudou. Na hora do almoço não senti o gosto de nada. No jantar, derrubei um copo cheio de limonada na mesa, no chão e em mim (de raiva, saí da dieta e ataquei a sobremesa - pudim de sorvete e pavê de chocolate. damn it). O aluno da primeira aula ficou agarrado no trabalho e chegou atrasado, 10min de aula = nada. A reunião foi um jeopardy questions sobre safety. O outro aluno foi embora e cancelou a aula.

Daí eu me pergunto: sair da cama pra que?
E ainda tem mais 8 dias de trabalho pela frente.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Chopper 11 hours out!


Sabe aquela sensação de dever cumprido? Então...é por aí.

Depois de 14 dias intensos, de muito trabalho, pouco sono e privacidade quase zero, após um longo banho, sentar na cama e ver a mochila pronta pro desembarque: não tem preço.


Os dias de menino darão lugar aos dias de menina novamente. Menino sim, porque é o que eu viro a bordo. A gente até chega bonitinha: unha feita, cabelo escovado e balangandans que duram tempo suficiente para o vôo e trocar a roupa pra colocar aquela que será a vestimenta nos próximo 14 dias: o macacão. Pelo menos tem em 2 cores: vermelho (para atividades na área) e azul (para trabalho e reuniões dentro do casario). Sou uma pessoa que vive de rabo de cavalo e as pregadeiras e xuxinhas de cabelo são o máximo de feminilidade que hoje, depois de 14 dias, eu tenho. Ah, além da minha marca (já) registrada na sonda: Victoria Secrets - morango com champagne - já me perguntaram qual era o Victoria Secrets que usava porque era muito cheiroso e queriam dar de presente para namorada (ainda me pergunto se isso é bom ou ruim, pq vai que né?), já falaram que sabem exatamente quando passei nas escadas porque o meu cheiro fica.

Na primeira semana somos em até 10 mulheres rodando na sonda, no meio de 110 - 120 homens. Na segunda semana, somos reduzidas a 4 e, no meu turno de trabalho, só tem eu pra cima e pra baixo no meio dessa homarada toda. São todos ogros. Sem exceção. Mas dá pra rir bastante e ver que eles me respeitam: com palavras e ações.

Se tenho problemas com eles? De jeito nenhum. Aqui é o seguinte: eu falo, eles ouvem e ponto final. Graças a Deus sempre tive um bom relacionamento com todos eles que tem um respeito enorme por mim (se não tem disfarçam super bem). Eles me ouvem, pedem minha opinião, minha participação e falam besteira. Quando a besteira é grande demais, pedem desculpa.

Trabalhar embarcada é saber que todo mundo vai falar de você e você vai falar de todo mundo. Aqui se trabalha, come e dorme...e como diversão: "compartilhamos" fatos da vida alheia. Se casou, separou, vai casar, engordou, viajou...não interessa: todos sabem. Deal with that. Dê dinheiro pra peão, mas não dê - em hipótese alguma - intimidade.

Esses dias eu chamei atenção de um grupo que rabiscou a tabela que tinha feito do campeonato de ping pong (sim, um abençoado resolveu fazer uma mesa de ping pong que, instalada no Coffee Shop - ponto de encontro da peãozada para um café a cada 3h - e eu resolvi agitar um Campeonato - deu super certo). Cheguei, entrei, vi e soltei o verbo com todo mundo. 5min depois, já no refeitório entra 1 deles perguntando como eu consigo deixar aquele monte de homem caladinho, sem nenhuma reclamação. Logo depois, os que rabiscaram vieram me pedir desculpa pq não sabiam que eu tinha feito, pois, se soubessem, jamais teriam rabiscado porque eu sou muito gente boa.

Ser Teacher a bordo é ser multiuso: dar aula, preparar a aula, fazer relatórios, ser a secretária, fazer a divulgação, ser diretora, dar ordens, traduzir, se dar bem com todo mundo e ser psicóloga...aaah, a psicologia a bordo. Confesso que de todas as atividades que exerço, a psicologia a bordo para peão me encanta e me assusta. A máxima de que os brutos também amam, super existe. Já tive homem reclamando do chefe, chefe reclamando do funcionário, supervisor chorar porque a esposa não confia nele, como se comportar com um brasileiro (temos muitos Expats a bordo - Índia, Austrália, Inglaterra, Escócia, Irlanda, França, USA, Thailandia, Indonésia), se deve abraçar ou chegar perto, crise de identidade, muita lágrima e muita, mas muita gargalhada com as coisas surreais que eles falam.

São 14 dias aqui e cada pessoa faz diferença. Do gerente a quem lava os pratos. Acho que um dos motivos para os 9 embarques (até agora) terem dado certo, foi o fato de que dentro da sala de aula, eu sou a Teacher e eles os alunos, ganhe R$1.000,00 ou R$35.000,00. Foi ter deixado muito claro que, como Johnny Castle disse à Baby em Dirty Dancing: "meu espaço. seu espaço. você só entra no meu espaço se eu te convidar e der permissão". E assim a coisa tem seguido.

São 11aulas (em média) por dia. Meu dia começa as 7am mentira, começa as 6:15am quando acordo, tomo banho, café e vou pra sala de aula e vai até as 9:30pm, quando termina a última aula. Eu não tenho tempo de nada e sempre sou a última a saber das fofocas a bordo - seja profissional ou financeiramente (eu realmente não faço a menor questão de saber da vida alheia. Quando eu fico sabendo de alguma coisa, todo mundo já sabe e sentam pra me explicar. Mal dou conta da minha e já expulsei 2 da sala que vieram falar mal dos outros - e o tiro meio que saiu pela culatra porque na cabeça deles  por não gostar de fofoca eu não falo nada, sendo assim, eles continuam me contando tudo e eu absorvendo nada). Mas chegar agora, olhar no relógio, ver que são 22h e eu já estou na cama, com tudo arrumado e toda a documentação (uma baboseira sem fim relatórios, reports, assessments) já foi toda enviada e agora é só esperar pelo vôo, realmente não tem preço.

Agora é tentar dormir até porque, apesar do banho longo e de todo o cansaço que chega com força no domingo antes do desembarque, a TPD (tensão pré desembarque) vem que vem que vem com tudo e me impossibilita de dormir.

Anyway, just have to keep myself calm and wait for the chopper*.


*Chopper = helicóptero