quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Trick or treat?!

Eu deveria estar lendo/estudando/preparando/revisando o material para as aulas de amanhã - Halloween - que, por ser a traditional american pop cultural celebration, "devo" comemorar, decorar e o escambal a quatro com meus alunos. 
Mentira.
Eu deveria mesmo estar dormindo, mas a dor de cabeça volta, a tosse volta, a cabeça está a mil e não tô afim de Christian Grey agora (em breve um post sobre o moço). Sendo assim, cá estou. 23:14h e acordada. Ontem fechei a "barraquinha" (minha cortina da privacidade) as 22h, apaguei a luz, me preparei pra dormir e só consegui fazer isso 01:30h (rinite parceiraça "entrou na sala" para chat). Às 06:20h de pé e aula às 07h.

Embarque passado eu tinha imaginado, pensado, analisado, procurado, separado e feito uma lista de tudo o que faria com meus alunos em 31.10. Mas a folga foi O stress agitadíssima na primeira semana e, por isso, nos últimos 7 dias livre me permiti fazer p*rra nenhuma: ficar de pijama o dia todo, colocar as séries em dia, malhar, voltar pra casa, desligar o telefone descansar. Só lembrei do dia de amanhã a caminho do trabalho: dentro do helicóptero. E aí já era.

Semana passada eu relutei e pensei em ignorar a data fazendo apenas o exercício (ridículo) proposto pelo curso - até porque, desde o RG1 do CCAA eu acho uma palhaçada comemorar Dia das Bruxas num local que não tem a cultura de tal comemoração (pensando bem, deve ser trauma: minha mãe nunca me deixou correr atrás de doce de Cosme e Damião...). Mas aí, por conta do maldito "compromisso com um serviço de qualidade" que essa pessoa que vos escreve tem, passei segunda e hoje separando material, todos os níveis com aula amanhã (Basic I, II, III/ Intermediate II / Advanced I), imprimindo coisinhas para decoração e de papo com a Nutricionista a bordo pra tentarmos (entenda tentarmos por cozinheiro, padeiro, doceiro) fazer alguma coisa (a.k.a. comida) no refeitório que lembre o tal dia das bruxas. Enfim. Vamos ver no que vai dar. 

Se tudo der errado (minha enxaqueca não der sossego), Querido baixou Hocus Pocus às pressas (with dutch subtitles - até pq eu dou aula de inglês para brasileiros - dank je Sjat!) e pronto! 

A bruxa já tá solta na sonda há um bom tempo mesmo. Não vai ser a Teacher a fazer diferença. hahahaha

domingo, 28 de outubro de 2012

Bad hair day

Sabe aqueles dias em que tudo coopera pra você ficar na cama, mas você insiste o dever chama e você levanta e tudo te mostra que, realmente, era pra ter ficado na cama.


A vida offshore é cruel, punk, não pára, não pára, não pára não.
A escala de trabalho é de 12h. Os turnos vão de 06h - 18h, 18h - 06h, 12h - 00h, 00h - 12h e eu me encaixo em quase todos eles. Como Teacher, tenho que dar aula nos melhores horários para o aluno - que deve assistir as aulas FORA do horário de trabalho. Digamos que minha primeira aula começa as 07h e a última termina as 21:30h. Eu sou a pessoa que mais trabalha a bordo e que menos recebe (vida de nêgo é difícil).


A sonda está parada, ou seja, estamos em alto mar, mas não estamos perfurando, mas mesmo assim tem muito trabalho a ser feito e, como eles dizem, a galera tá "pegada", principalmente por conta dos auditores que chegam pra deixar todo mundo de cabelo em pé. E, por conta desses auditores, a nova onda da sonda é pintura. Eles estão pintando absolutamente tudo pra deixar a plataforma nos "trinks" e seguir a risca as exigências do novo cliente e, com isso, usando muito tíner. E é por conta dele que eu não deveria ter levantado hoje.

Há alguns embarques comecei com uma dor de cabeça terrível e não sabia o que era. Até que resolvi dar um rolé do lado de fora e acabei sentindo um cheiro fortíssimo e, imediatamente minha dor de cabeça aumentou. Descobri que era o tíner que eles usavam. Como era num sábado, como hoje, que não tenho muitas aulas, deu pra dar uma descansada e após o dorflex.

Ontem senti o cheiro forte novamente e evitei ir do lado de fora. Mas acabou que cheiro veio até mim: quem estava mexendo com o tal solvente tinha aula comigo. E eles eram em 6. Meu dia acabou ali. Uma dor de cabeça in-ter-mi-ná-vel tomou conta de mim e minha alergia, sempre muito fdp cruel, fez com que o cheiro descesse para minha garganta, provocando uma tosse terrível. Pela primeira vez cancelei aulas. Não tava conseguindo raciocinar mais. Um aluno me chamou pra fazer uma tradução e não conseguia traduzir apoio para support.

As 18h eu estava na cama, mas, não contava com 2 roomates se acabando em tosse por conta de um vírus que paira na sonda esse embarque. E, adivinhem: como a imunidade já estava baixa...hoje de manhã fui agraciada com uma dor de garganta surreal - garganta inflamando + dor de cabeça + tosse = rinite 5min out!

Deus é bom e fez com que hoje fosse sábado: apenas 2 aulas no final da tarde (fire drill - treinamento de abandono - e safety meeting) e eu passei o dia todo de cama, com supervisão da enfermeira. O porém é que, durante o dia, minhas 2 sick roomates também estavam na cabine. Me "tranquei" atrás da cortina que fecha minha cama - e me permite ter a largura de uma cama de solteira como privacidade. A sonda toda sabe que estou doente e quem não sabe, minhas olheiras e tosse denunciam de longe.

O treinamento foi um saco. O frio do ar condicionado no camarote tbm não ajudou. Na hora do almoço não senti o gosto de nada. No jantar, derrubei um copo cheio de limonada na mesa, no chão e em mim (de raiva, saí da dieta e ataquei a sobremesa - pudim de sorvete e pavê de chocolate. damn it). O aluno da primeira aula ficou agarrado no trabalho e chegou atrasado, 10min de aula = nada. A reunião foi um jeopardy questions sobre safety. O outro aluno foi embora e cancelou a aula.

Daí eu me pergunto: sair da cama pra que?
E ainda tem mais 8 dias de trabalho pela frente.

sábado, 20 de outubro de 2012

To Sir, with love.

Segunda feira, 15.10, foi dia dos professores.

Eu nunca tive vontade de ser professora. Minha mãe é Professora e cresci ouvindo, por conta dos perrengues que ela passava (salário baixo, correria sem fim, muitos e muitos alunos, sobrecarga de trabalho) para nunca ser professora. E, com livre acesso às escolas, quadros, corredores de qualquer escola onde minha mãe trabalhava, o quadro negro e giz eram meus. Enquanto esperava mamãe nas reuniões, eu reinava numa escola de verdade só minha. Isso era o máximo que eu brincava de escolinhas.


Mas, como diz Joseph Climber, a vida é uma caixinha de supresas e cá estou eu: Teacher.
Não tenho coragem de me chamar de professora, até porque, nem no meu contrato está professora, mas sim, Instrutora. Praticamente ninguém na sonda me chama de Professora, mas sim de Teacher. 

Hoje, com 9 meses de embarcação, posso dizer que estou acostumada a me chamarem de Teacher - só me chamam assim aqui, meu nome é esse - mas é algo que acaba imediatamente quando coloco meus pés em terra. Volto a ser eu mesma.

Dia 15 recebi algumas felicitações pelo dia dos professores, mas confesso que fiquei bem sem graça em relação a isso. Não me vejo professora, não sinto prazer em ser professora. Hoje, me vejo como alguém que está ali, em sala de aula, to share the knwoledge e nada mais. Eu não estudei pra isso e não passo por 1/3 do perrengue que os professores da vida real passam. Aqui, eu sou apenas a Instrutora. A ponte entre expats e brasileiros por conta da língua.

Não. Não estou desmerecendo professores de inglês, pelo contrário - sou imensamente grata por aqueles que me ensinaram a amar e estudar a língua que já me levou a tantos lugares e a conhecer tanta gente diferente. Mas EU não me sinto honrada em ser chamada de Professora. Principalmente pelo motivo de estar exercendo tal função agora (Elvis falava: one for the money, two for the show). Sempre vi a função de English/Potuguese Instructor como uma porta para o mundo offshore. E uma mega porta. Mas não me vejo e nem quero fazer isso pra sempre - apesar de derreter quando os "alunogros" elogiam e gostam da minha aula, adoram minha didática e metodologia e vêem realmente o meu prazer em dar a aula. Meu ego vai nas alturas mas lá dentro de mim eu bem sei que isso é apenas o meu compromisso profissional comigo mesmo, my own ISO, meu controle de qualidade no que eu estiver fazendo.

Hoje, 9 embarques depois, ver que de 35 matriculados, tenho cerca de 95 (sendo que somos 120 a bordo), é maravilhoso. Graças a Deus alcancei todas as metas (média de 92% por embarque) e tenho alunos sensacionais. Mas tá faltando algo... Tá faltando aquela paixão e satisfação que vejo há 29 anos escancarado no rosto da minha mãe. A alegria de estar dentro de sala de aula, dentro da escola, de ver a evolução do aluno, da cartinha que recebida, de ver os alunos dela, hj, formados e bem de vida. Isso, apesar de me orgulhar dos meus alunos falando e entendendo inglês e comentando que o que foi dado em sala de aula foi útil...eu acho que não terei.

Aos meus professores e àqueles que fizeram diferença enorme na minha vida, à esses sim meu sincero e enorme agradecimento e desejo de coisas boas sempre. Entre estas, melhor salário, melhores condições de salário e respeito...muito mais respeito de todos nós.

À minha mãe, melhor educadora não há. Exemplo de profissionalismo e, apesar de nunca ter tido aula com ela, melhor professora do mundo.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Meu cérebro não é oco. Amém!

Por que é tão difícil pras pessoas entenderem que não é porque algo aconteceu com você que necessariamente acontecerá comigo?

Eu detesto gente burra. Não burra de conhecimento, mas burra de cabeça mesmo. Burra de não querer crescer, de se conformar com o mundinho e a vidinha que vive, de saber que existe muito muito mais além do nosso umbigo.

Trabalhar a bordo me fez trabalhar a paciência e controlar meus pensamentos - passei a usar muito mais o filtro que existe entre nosso pensamento e a língua. Lidar com pessoas que não fazem parte do seu nível intelectual é algo muito difícil. E não, não estou sendo petulante e muito menos dizendo que sei mais ou menos que você e/ou que sou preconceituosa.

Cresci num ambiente onde o ensino fez muita diferença na vida das pessoas (quem tem estudo, tem um bom emprego e salário, simples assim). Onde a educação é algo que ninguém jamais vai tirar de você e vai sim te levar a outros mundos - sem necessariamente sair do seu país. Hoje em dia, no trabalho, tenho alguns mundos: 1) o do cara que sempre gostou de estudar e quer estudar pra crescer mais; 2) o do cara que estudou por obrigadação e tá satisfeito com o que tem; 3) o do cara que sempre teve/tem dificuldades para estudar (aprendizado, trabalho, falta de grana) e faz de tudo hoje para perder o tempo perdido. Dessas 3, o que me incomoda mais é o segundo caso.

Algumas empresas são mães para os funcionários. A empresa leva e busca em casa, dependendo do local que o funcionário reside, paga 75% do curso de línguas em terra, dá um curso de inglês a bordoe + 75% do curso de graduação, faz festa e leva e trás o peão* e toda sua família e investe nos melhores cursos para o cara se aprimorar...e tem peão que vai pro curso, abaixa a cabeça e dorme (literalmente) durante as aulas, reclama dos cursos, não faz o trabalho direito e quando você vai conversar com ele, não tá nem aí. Não dá a mínima. Nem preciso falar das aulas a bordo né? Além de ser pra vida toda (coisa que eles não colocam na cabeça) tem porcentagem para qualquer promoção.


Logo que cheguei na Holanda fui à uma festa brasileira. Tinha 2 meses de Holanda eu acho e, com uma outra Aupair brasileira, fomos nessa festa. Foi pra nunca mais. Me lembro de ter conhecido 2 belgas (somos amigos até hoje) que nos perguntaram se todas as festas brasileiras eram daquele jeito: na boquinha da garrafa pra baixo, calça colada e muito decote. Não aguentamos ficar 1h e fugimos pra um pub e lá eles falaram que já estavam na festa há um certo tempo mas só conseguiu manter uma conversa por mais de 5min.

Depois dessa festa fatídica fiz um compromisso comigo mesma de não ir a nenhuma festa brasileira pois não queria ser comparada a pessoas daquele tipo. Nem em pensamento.
E não venha com hipocrisia dizendo que virei européia e blablabla... Seu você não frequenta algo desse nível no Brasil, por que vai frequentar fora dele?


Com o passar do tempo ouvi muita coisa de brasileira na NL. Muitas concepções tiradas por gringos, que só aumentou quando mudei para Amsterdam. Conheci muito dutch (homem/mulher) que ficavam impressionados com a qualidade do meu inglês e que ficavam chocados quando minha host fazia um resumo do meu "curriculum vitae". Na terra dos tamancos fiz questão de me cercar de pessoas que pensavam como eu ou que tinham os mesmos estudos para que a conversa saísse livremente: viagens, stress com hostfamily etc.

Facebook (ou orkut na época), as comunidades e grupos que servem para te ajudar viram campos de guerra. Tudo o que você fala é usado contra você. E, apesar de querer ajudar algumas pessoas com informações, cheguei a conclusão de que é melhor ser egoísta e don't share the news. Fuçando Observando os perfis dos questionadores e causadores de problema pessoas que não entendem patavinas, questionam e acusam as fotos, comunidades que seguem e postura virtual denunciam a falta de inteligência. Ok ok ok, não julgueis para não seres julgados, mas enfim.


Eu fico pensando como que alguém que mal escreve português corretamente e não respeita pontuação gráfica consegue se comunicar fora do país ou com um gringo? Sempre estudei inglês e, graças a Deus, nunca passei por perrengue pra me comunicar mas já fui chamada várias vezes para traduzir (a bordo, trabalhando no aeroporto ou simplesmente andando na rua) e já vi gente fazendo mímica pelo telefone (sim e tenho testemunhas) para que a pessoa do outro lado da linha entendesse. Hoje em dia, essa pessoa que fez mímica por telefone, 5 anos depois, fala, além do português, outras 2 línguas. Correu atrás do tempo perdido e não depende de ninguém para se comunicar.

Quando tinha 15 e fui pra Disney, eu estudei absolutamente tudo sobre a viagem. Desde a chegada em Orlando, Mickey e Minnie às lojas de Miami. Eu não sabia de tudo, mas tinha noção de grande parte. Quando fui ser Aupair, antes de ir, li muito sobre o assunto e sobre o visto. A mesma coisa agora. Se estou envolvida em algo, tento me inteirar sobre o assunto para não falar besteira e principalmente, defender meu ponto de vista e saber onde obtive tal informação. Que mal há nisso? É tão bom obter conhecimento. 

Não me importo muito para opinião alheia (acredite se quiser), mas meu ego infla quando ouço algum elogio referente a minha educação.

Abrir a mente para novas é uma das melhores coisas da vida. Faz o ser humano perceber que existem várias pessoas ao redor do mundo, várias situações e principalmente que cada um tem seu espaço e este deve ser respeitado. Não é porque estamos na mesma situação que teremos o mesmo desfecho. Cada pessoa tem vida própria.



*peão = qualquer pessoa que trabalha na área (fora do casario, do lado de fora) de uma plataforma.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Chopper 11 hours out!


Sabe aquela sensação de dever cumprido? Então...é por aí.

Depois de 14 dias intensos, de muito trabalho, pouco sono e privacidade quase zero, após um longo banho, sentar na cama e ver a mochila pronta pro desembarque: não tem preço.


Os dias de menino darão lugar aos dias de menina novamente. Menino sim, porque é o que eu viro a bordo. A gente até chega bonitinha: unha feita, cabelo escovado e balangandans que duram tempo suficiente para o vôo e trocar a roupa pra colocar aquela que será a vestimenta nos próximo 14 dias: o macacão. Pelo menos tem em 2 cores: vermelho (para atividades na área) e azul (para trabalho e reuniões dentro do casario). Sou uma pessoa que vive de rabo de cavalo e as pregadeiras e xuxinhas de cabelo são o máximo de feminilidade que hoje, depois de 14 dias, eu tenho. Ah, além da minha marca (já) registrada na sonda: Victoria Secrets - morango com champagne - já me perguntaram qual era o Victoria Secrets que usava porque era muito cheiroso e queriam dar de presente para namorada (ainda me pergunto se isso é bom ou ruim, pq vai que né?), já falaram que sabem exatamente quando passei nas escadas porque o meu cheiro fica.

Na primeira semana somos em até 10 mulheres rodando na sonda, no meio de 110 - 120 homens. Na segunda semana, somos reduzidas a 4 e, no meu turno de trabalho, só tem eu pra cima e pra baixo no meio dessa homarada toda. São todos ogros. Sem exceção. Mas dá pra rir bastante e ver que eles me respeitam: com palavras e ações.

Se tenho problemas com eles? De jeito nenhum. Aqui é o seguinte: eu falo, eles ouvem e ponto final. Graças a Deus sempre tive um bom relacionamento com todos eles que tem um respeito enorme por mim (se não tem disfarçam super bem). Eles me ouvem, pedem minha opinião, minha participação e falam besteira. Quando a besteira é grande demais, pedem desculpa.

Trabalhar embarcada é saber que todo mundo vai falar de você e você vai falar de todo mundo. Aqui se trabalha, come e dorme...e como diversão: "compartilhamos" fatos da vida alheia. Se casou, separou, vai casar, engordou, viajou...não interessa: todos sabem. Deal with that. Dê dinheiro pra peão, mas não dê - em hipótese alguma - intimidade.

Esses dias eu chamei atenção de um grupo que rabiscou a tabela que tinha feito do campeonato de ping pong (sim, um abençoado resolveu fazer uma mesa de ping pong que, instalada no Coffee Shop - ponto de encontro da peãozada para um café a cada 3h - e eu resolvi agitar um Campeonato - deu super certo). Cheguei, entrei, vi e soltei o verbo com todo mundo. 5min depois, já no refeitório entra 1 deles perguntando como eu consigo deixar aquele monte de homem caladinho, sem nenhuma reclamação. Logo depois, os que rabiscaram vieram me pedir desculpa pq não sabiam que eu tinha feito, pois, se soubessem, jamais teriam rabiscado porque eu sou muito gente boa.

Ser Teacher a bordo é ser multiuso: dar aula, preparar a aula, fazer relatórios, ser a secretária, fazer a divulgação, ser diretora, dar ordens, traduzir, se dar bem com todo mundo e ser psicóloga...aaah, a psicologia a bordo. Confesso que de todas as atividades que exerço, a psicologia a bordo para peão me encanta e me assusta. A máxima de que os brutos também amam, super existe. Já tive homem reclamando do chefe, chefe reclamando do funcionário, supervisor chorar porque a esposa não confia nele, como se comportar com um brasileiro (temos muitos Expats a bordo - Índia, Austrália, Inglaterra, Escócia, Irlanda, França, USA, Thailandia, Indonésia), se deve abraçar ou chegar perto, crise de identidade, muita lágrima e muita, mas muita gargalhada com as coisas surreais que eles falam.

São 14 dias aqui e cada pessoa faz diferença. Do gerente a quem lava os pratos. Acho que um dos motivos para os 9 embarques (até agora) terem dado certo, foi o fato de que dentro da sala de aula, eu sou a Teacher e eles os alunos, ganhe R$1.000,00 ou R$35.000,00. Foi ter deixado muito claro que, como Johnny Castle disse à Baby em Dirty Dancing: "meu espaço. seu espaço. você só entra no meu espaço se eu te convidar e der permissão". E assim a coisa tem seguido.

São 11aulas (em média) por dia. Meu dia começa as 7am mentira, começa as 6:15am quando acordo, tomo banho, café e vou pra sala de aula e vai até as 9:30pm, quando termina a última aula. Eu não tenho tempo de nada e sempre sou a última a saber das fofocas a bordo - seja profissional ou financeiramente (eu realmente não faço a menor questão de saber da vida alheia. Quando eu fico sabendo de alguma coisa, todo mundo já sabe e sentam pra me explicar. Mal dou conta da minha e já expulsei 2 da sala que vieram falar mal dos outros - e o tiro meio que saiu pela culatra porque na cabeça deles  por não gostar de fofoca eu não falo nada, sendo assim, eles continuam me contando tudo e eu absorvendo nada). Mas chegar agora, olhar no relógio, ver que são 22h e eu já estou na cama, com tudo arrumado e toda a documentação (uma baboseira sem fim relatórios, reports, assessments) já foi toda enviada e agora é só esperar pelo vôo, realmente não tem preço.

Agora é tentar dormir até porque, apesar do banho longo e de todo o cansaço que chega com força no domingo antes do desembarque, a TPD (tensão pré desembarque) vem que vem que vem com tudo e me impossibilita de dormir.

Anyway, just have to keep myself calm and wait for the chopper*.


*Chopper = helicóptero

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Capricórnio meets Libra

Eu sou de Capricórnio, acredito que os planetas, lua, sol, estrelas têm influência em nosso dia a dia e que tudo acontece com a permissão de Deus. Não sei que lua rege meu signo, que signo "bate" com o meu, qual não bate, não leio jornal e/ou revistas sobre tal assunto. Quando adolescente fiz TODOS os questionários do zodíaco que a Capricho trazia e nada batia exatamente com a minha personalidade. Mas uma coisa eu sei: que eu me dou muitíssimo bem com pessoas nascidas entre 22.09 e 22.10 (a.k.a librianos).

Vamos a lista? - Mãe, pai, namorado, tio, primamigairmã, melhor amigo, sogro, Cunha 1...ufa! É muito presente aniversário pra 1 salário mês apenas.

Em 5min termina o aniversário do Querido (no Brasil, pq lá já terminou há 5h). Ele lá e eu aqui no meio do mar. Last time apart, last time apart, last time apart... (e o mantra segue). Querido curte, como eu, comemorar o aniversário (na verdade, como bom holandês, comemorar o aniversário é sagrado e os convites para a feestje foram enviados há 2 semanas) e eu adoro receber os parabéns pelo aniversário dele (quando alguém da sua família comemora algo, os familiares diretos - pais/irmãos/esposas - recebem os parabéns)  - eu acho fofo receber os parabéns também. 

Quarta vez que comemoro o aniversário dele (2x juntos, 2x separados) e jamais poderia imaginar algum dia que alguém tão diferente seria O cara. Como todos os librianos que fazem parte da minha vida, é uma pessoa bem indecisa e capaz de dosar e servir a quantidade certa, ou necessária, seja no falar e/ou no agir. O mais engraçado é que essas pessoas são tão diferentes, parecidas e influentes em minha vida que tenho certeza que essa coisa de soulmate não pode ser apenas para 1 pessoa.

Será que capricórnio com libra, segundo os estudos, realmente se dão bem? Bem, o que os astros dizem eu não sei, mas sei que preciso - e muito - desses librianos para equilibrar a cabeça dura com facilidade para sonhar e voar alto que vos fala.