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domingo, 11 de novembro de 2012

Essa tal de inclusão digital...

Gente, sorry, mas não dá!
Alguém tira minha mãe das redes sociais?


Será que só eu, com todo o respeito, que tenho vergonha alheia da minha mãe no facebook? ahhahahaha
Não pelo fato dela ficar me mandando mensagenzinhas, coisinhas, coraçõezinhos...mas pra que Senhor, PRA QUÊ eu a ensinei a usar o botão de compartilhar?

Eu sei que vocês vão falar para eu bloqueá-la, mas não adianta. Não basta não ver, eu tenho que participar. É uma enxurraaaaada de mensagens que ela viu ali e gostou aqui, clicou lá e apareceu cá... E o pior, me chama pra ver, pra ler, ouvir e pergunta se eu já vi e o que acho. Mermão...eu não quero ver nada, não quero saber de nada que não diz respeito à minha página. Acreditem: eu só vejo as atualizações de status dela e olhe lá. O restante está tudo bloqueado.

Mamãe é daquelas que fica encantada com a tecnologia. Quando Querido veio aqui e chegou com um tablet ela ficou em choque. Ela não sabe utilizar ctrl+c / ctrl+v, passa raiva com Word (já foi pior, pq eu tive que digitar t-o-d-o o TCC dela da Pós-Graduação - sou pós graduada em Síndrome de Tourettes - Alunos com Necessidades Especiais em Sala de Aula) e não tem noção de Excel (mas isso até eu bato um pouco de cabeça), adora um arquivo .ppt (que, graças ao Dear Lord, ela parou de abrir por conta das minhas trocentas reclamações de arquivos corrompidos etc). A pessoa tem uma puta câmera ótima e não consegue tirar uma foto decente e muito menos transferir pro computer - ela não tem (nunca teve) paciência para aprender, acha uma perda de tempo ("- Minha filha, pra quê? Você tá aqui e pode me ajudar com isso!" - ai como eu odeio ouvir isso) e sempre que eu chamo para ensinar alguma coisa - anything - arruma um jeito de sair de perto. Reza a lenda que quando se aposentar, vai fazer um curso de informática - curso esse que ela se matriculou umas 2x e não foi em nenhuma aula. Pois bem...veremos.

Aaaah, e ai de mim se reclamar de qualquer coisa que ela colocou online. Ela é daquelas que curte TODAS as fotos de um álbum e faz comentários de algo que ela realmente curte. E não basta curtir virtualmente, tem que me chamar pra curtir com ela, vê e achar lindo aquele ex-aluno de 1900 e bolinha se casar, ter filhos ou ter terminado um Doutorado. Ela é daquelas que salva uma foto online com um nome aleatório e não tem noção de onde está e me chama pra salvar o mundo inutilmente. E, se eu não achar, é claro, que estou de má vontade. 

Agora, pra que ter facebook, twitter, orkut (falecido), MSN e agora Skype se, por exemplo, você não consegue sign in pra conversar com a filha a bordo?! E olha que, apesar do laptop ser em inglês eu deixei o passo a passo ao lado, em português. Mandei email, expliquei ao telefone...e nada.
Aí, faltando 3 dias pro meu desembarque, ela consegue conectar. Só que dessa vez não falou que a culpada era eu, mas sim, ela mesma.


Olha, seria trágico se não fosse cômico. ahahahahahahah
Desculpa, mas precisava desabafar.


sábado, 20 de outubro de 2012

To Sir, with love.

Segunda feira, 15.10, foi dia dos professores.

Eu nunca tive vontade de ser professora. Minha mãe é Professora e cresci ouvindo, por conta dos perrengues que ela passava (salário baixo, correria sem fim, muitos e muitos alunos, sobrecarga de trabalho) para nunca ser professora. E, com livre acesso às escolas, quadros, corredores de qualquer escola onde minha mãe trabalhava, o quadro negro e giz eram meus. Enquanto esperava mamãe nas reuniões, eu reinava numa escola de verdade só minha. Isso era o máximo que eu brincava de escolinhas.


Mas, como diz Joseph Climber, a vida é uma caixinha de supresas e cá estou eu: Teacher.
Não tenho coragem de me chamar de professora, até porque, nem no meu contrato está professora, mas sim, Instrutora. Praticamente ninguém na sonda me chama de Professora, mas sim de Teacher. 

Hoje, com 9 meses de embarcação, posso dizer que estou acostumada a me chamarem de Teacher - só me chamam assim aqui, meu nome é esse - mas é algo que acaba imediatamente quando coloco meus pés em terra. Volto a ser eu mesma.

Dia 15 recebi algumas felicitações pelo dia dos professores, mas confesso que fiquei bem sem graça em relação a isso. Não me vejo professora, não sinto prazer em ser professora. Hoje, me vejo como alguém que está ali, em sala de aula, to share the knwoledge e nada mais. Eu não estudei pra isso e não passo por 1/3 do perrengue que os professores da vida real passam. Aqui, eu sou apenas a Instrutora. A ponte entre expats e brasileiros por conta da língua.

Não. Não estou desmerecendo professores de inglês, pelo contrário - sou imensamente grata por aqueles que me ensinaram a amar e estudar a língua que já me levou a tantos lugares e a conhecer tanta gente diferente. Mas EU não me sinto honrada em ser chamada de Professora. Principalmente pelo motivo de estar exercendo tal função agora (Elvis falava: one for the money, two for the show). Sempre vi a função de English/Potuguese Instructor como uma porta para o mundo offshore. E uma mega porta. Mas não me vejo e nem quero fazer isso pra sempre - apesar de derreter quando os "alunogros" elogiam e gostam da minha aula, adoram minha didática e metodologia e vêem realmente o meu prazer em dar a aula. Meu ego vai nas alturas mas lá dentro de mim eu bem sei que isso é apenas o meu compromisso profissional comigo mesmo, my own ISO, meu controle de qualidade no que eu estiver fazendo.

Hoje, 9 embarques depois, ver que de 35 matriculados, tenho cerca de 95 (sendo que somos 120 a bordo), é maravilhoso. Graças a Deus alcancei todas as metas (média de 92% por embarque) e tenho alunos sensacionais. Mas tá faltando algo... Tá faltando aquela paixão e satisfação que vejo há 29 anos escancarado no rosto da minha mãe. A alegria de estar dentro de sala de aula, dentro da escola, de ver a evolução do aluno, da cartinha que recebida, de ver os alunos dela, hj, formados e bem de vida. Isso, apesar de me orgulhar dos meus alunos falando e entendendo inglês e comentando que o que foi dado em sala de aula foi útil...eu acho que não terei.

Aos meus professores e àqueles que fizeram diferença enorme na minha vida, à esses sim meu sincero e enorme agradecimento e desejo de coisas boas sempre. Entre estas, melhor salário, melhores condições de salário e respeito...muito mais respeito de todos nós.

À minha mãe, melhor educadora não há. Exemplo de profissionalismo e, apesar de nunca ter tido aula com ela, melhor professora do mundo.

domingo, 9 de maio de 2010

Eu carrego você no meu coração...



"Para o dia da mamãe fiz um lindo presentinho,
Não é igual da loja mas ficou tão bonitinho,
Não fiz um lindo presente, uma jóia ou perfeição,
Mas nele só trabalharam os dedos da minha mão
Por isso a mamãe que gosta tanto tanto do meu jeito
Dirá que cores mais lindas e que trabalho perfeito!

Uma bola, uma boneca, são presentes de criança,
Um sapato, um vestidinho, são presentes bem bonzinhos.
Mas dinheiro eu não tenho, do papai não quero não...
À mamãe tão boazinha eu darei meu coração."


Essa é a lembrança mais antiga que tenho sobre o dia das mães: eu cantando os quatro últimos versos sozinha numa comemoração do Dia das Mães na igreja, ainda em Belford Roxo. Acho que eu tinha uns 4, 5 anos...algo assim. Não sei se eu tava nervosa, mas com certeza 2 pessoas na platéia estavam aos prantos: minha mãe e minha avó - a filha/neta única cantando sozinha. Não me lembro muito bem das comemorações na escola. Filha de professora tem disso... Mas tenho quase certeza que tinha a presença da minha avó Durvalina e/ou da minha tia Marlene. 


O tempo passou e me lembro de vários presentes - comprados sim com o dinheiro do papai por um bom tempo. Até os 8 anos de idade dava um presente duplo: para mamis e vovó. Todos os domingos o almoço era na vovó, mas dia das mães era um almoço mais que especial. E meu lugar à mesa era, sempre, entre meu avô e minha avó. O tempo passou um pouquinho mais e vieram os comprados com o meu dinheiro - e esses sim com uma importância a mais pra mim. De máquina de lavar a um vasinho de flores, passando por uma entrada pro show do Roberto Carlos - só dava pra 1 ticket e lá foi ela sozinha.


Esse é o terceiro ano que passo o dia das mães longe. E acho que nunca estivemos tão perto, próximas uma da outra. E agora, numa nova experiência minha, nunca imaginei que pudesse ser tão parecida com ela. Todos dizem que nos parecemos muito fisicamente (digamos que herdei alguns fatores que não sou muito grata, mas a gnt pula e culpa a genética) apesar de não concordarmos muito com isso. Mas, mesmo negando e jurando fielmente anos atrás que nao gostaria de ser como ela em nossos momentos de discussões, hj sou grata a Deus por ter pelo menos 1% do que ela tem.


Mãe é mãe e só existe 1. A gnt reclama, briga, conta tudo, esconde algumas coisas, fala que não quer ser igual, que queria um pouco do jeitinho dela, que queria ela perto, que queria ela longe, que queria colo, que não queria, sofremos horrores quando é um probleminha pequeno (assistindo uma entrevista da Fernanda Torres no Irritando Fernanda Young, ela falou que filho gosta de fazer a mãe sofrer. Tudo é mais dramático) e blablabla. E elas estão sempre ali. Pra vc, por vc! Se minha mãe falasse inglês, mandaria esse cartão e esse outro para ela. Pura verdade!!!


Depois de uma semana de chuva e tempo feio aqui na Holanda, ao acordar, lá estava o sol deixando o céu bem azul. Ainda na cama fiquei pensando e hoje eu tenho certeza e sou grata a Deus pela mãe que eu tenho. Que, há 27 anos cuida de mim com um amor que eu nunca vi igual. E que sempre esteve ali e é minha grande e fiel amiga. Que com um amor gigante, faz com o oceano atlântico vire uma poça e que está ali...sempre perto! Fora que ela é SÓ minha e de mais ninguém! hehehehe Maior privilégio que esse, não existe!