1 ano atrás, na Praia de Camburi durante os fogos, lembro que desejei 2 coisas para 2012: um emprego que me desse tempo e dinheiro e que arranjasse uma maneira de acabar com a distância entre Querido e eu.
E foi o que aconteceu: consegui um trabalho que me deu tempo (14 dias em casa) e que ajudou a diminuir a distância entre nós dois - além de um bom salário. E, como Deus não faz nada por incompleto, ganhei benefício aéreo e no final do ano, cá estamos nós, juntos. Mas no meu caso, agora, sem emprego.
Eu poderia pedir e desejar mil coisas. Dizem que é bom verbalizar... Mas Deus sabe o desejo do meu coração. Hoje eu tenho que agradecer por 2012. Foi um ano bom. Difícil em todas as áreas, mas muito bom. Não apenas pelo fato dos desejos feitos na hora da virada terem se realizado, mas pelo tanto que aprendi, cresci, briguei, reclamei, chorei, ri, gargalhei, fiquei em silêncio, estudei, deletei, abracei, gritei e melhorei!
Um ano em que Deus concedeu o desejo do meu coração. No tempo dEle, do jeito dEle.
Meu desejo para 2013 é esse: que Deus conceda o desejo do coração de todos nós. Mas que nos dê paciência e sabedoria pra esperar, pq o melhor sempre há de vir!
Recebi um texto hoje e divido com vocês:
No novo ano, sejamos mais flexíveis, mais moldáveis. Vamos nos deixar atingir mais pelas repreensões da vida, das pessoas e, em especial, de Deus. Não sejamos duros, obstinados. Há muitas coisas para aprendermos, há muitas mudanças para assimilarmos. Tenhamos a pele dura, que suporta as lutas e pedras que nos chegam. Mas tenhamos o coração mole, que se humilha, aprende, aceita, perdoa. Olhemos para o novo ano com esperanças e entusiasmo. Busquemos mais a Deus e aprendamos mais sobre a vida. E assim o novo ano será melhor, muito melhor.
It might be about me, you, him, her, it, us and them. In Portuguese, English or Dutch. Through letters, open-heart moments, deep thoughts, lyrics, songs or even the silence you'll find about The Netherlands...and me!
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
domingo, 30 de dezembro de 2012
Lá vou eu, lá vou eu...
Minha relação com o carnaval é simples: um no norte, e outro no sul. Mas é uma paixão intensa.
Deixa eu explicar: quando criança minha família saía do RJ em direção a Arraial do Cabo no período de carnaval. Arraial naquela época não era essa farofa que é hoje em dia, mas já era um top paradise! Íamos aos blocos de rua, eu fugia de bate-bola (aka Clóvis) e toda família se reunia em frente a tv para assistir os desfiles de domingo e segunda ao vivo, direto da Sapucaí, com direito a torcida por suas respectivas escolas - eu, pequena, mas na minha, já torcendo pela Beija-Flor.
A pessoa cresceu e continuou a tradição: longe do vucu vucu, mas virando noites em frente a tv com junk food e torcendo na tela da tv no meio desse povo.
Como quem sai aos seus não degenera, em 2007 eu vim parar na Holanda na única cidade onde carnaval é carnaval, coisa séria e tal: Maastricht. Algum tempo depois, pra fechar a círculo, arranjo um namorado que além de ser apaixonado por carnaval (assim como toda a família), tem um bloco de carnaval aqui na Holanda - De Kloomp (cerca de 15 amigos, todos homens, que se reúnem pra fazer música idiota de carnaval e beber cerveja, do verbo: muita cerveja).
Antes do carnaval eles tem o zitting (festa deles em um dos pubs da cidade) - na verdade são vários zittings de janeiro até o carnaval, sempre nos finais de semana: dames, heren, gala, kloomp...e por aí vai! Tem competições de música (digamos que é mais que marchinha e muito menos que samba-enredo): oficiais, piores (o bloco do Querido sempre compete como as piores - ano passado ficou em 2ª lugar) e música alternativa. Até em Köln, na Alemanha já fomos parar no baile oficial de carnaval.
Mas se vc pensa que apenas Maastricht tá nessa, toda Limburg está e cada villa (sim, moro numa vila, menos de 10.000 habitantes, sendo assim, é considerado vila e não cidade, mas é uma cidade. Coisas da Holanda, vai entender) que tenha um grupo pode competir.
E foi o que aconteceu: um outro grupo da vila passou pra fase dos semi-finalistas das músicas oficiais LVK - Limburg Vastelaovend Leedjes Konkoer (tá no dialeto, assim como as músicas que são cantadas, são todas em limburg, uma ótima pedida pra eu aprender o dialeto - segundo o Querido, e até vale) e resolveu gravar um vídeo semana passada. E adivinha quem foi participar?!
Sente o vídeo, divirta-se e pode rir da minha cara.
p.s.: a casa que aparece no vídeo é da Cunha 2.
p.s.2: quer aprender Limburg? Tem a letra aí... Mais fácil que holandês!!
p.s. do p.s.: adivinha quem é a única pretinha no vídeo?!
Deixa eu explicar: quando criança minha família saía do RJ em direção a Arraial do Cabo no período de carnaval. Arraial naquela época não era essa farofa que é hoje em dia, mas já era um top paradise! Íamos aos blocos de rua, eu fugia de bate-bola (aka Clóvis) e toda família se reunia em frente a tv para assistir os desfiles de domingo e segunda ao vivo, direto da Sapucaí, com direito a torcida por suas respectivas escolas - eu, pequena, mas na minha, já torcendo pela Beija-Flor.
A pessoa cresceu e continuou a tradição: longe do vucu vucu, mas virando noites em frente a tv com junk food e torcendo
Como quem sai aos seus não degenera, em 2007 eu vim parar na Holanda na única cidade onde carnaval é carnaval, coisa séria e tal: Maastricht. Algum tempo depois, pra fechar a círculo, arranjo um namorado que além de ser apaixonado por carnaval (assim como toda a família), tem um bloco de carnaval aqui na Holanda - De Kloomp (cerca de 15 amigos, todos homens, que se reúnem pra fazer música idiota de carnaval e beber cerveja, do verbo: muita cerveja).
Antes do carnaval eles tem o zitting (festa deles em um dos pubs da cidade) - na verdade são vários zittings de janeiro até o carnaval, sempre nos finais de semana: dames, heren, gala, kloomp...e por aí vai! Tem competições de música (digamos que é mais que marchinha e muito menos que samba-enredo): oficiais, piores (o bloco do Querido sempre compete como as piores - ano passado ficou em 2ª lugar) e música alternativa. Até em Köln, na Alemanha já fomos parar no baile oficial de carnaval.
Mas se vc pensa que apenas Maastricht tá nessa, toda Limburg está e cada villa (sim, moro numa vila, menos de 10.000 habitantes, sendo assim, é considerado vila e não cidade, mas é uma cidade. Coisas da Holanda, vai entender) que tenha um grupo pode competir.
E foi o que aconteceu: um outro grupo da vila passou pra fase dos semi-finalistas das músicas oficiais LVK - Limburg Vastelaovend Leedjes Konkoer (tá no dialeto, assim como as músicas que são cantadas, são todas em limburg, uma ótima pedida pra eu aprender o dialeto - segundo o Querido, e até vale) e resolveu gravar um vídeo semana passada. E adivinha quem foi participar?!
Sente o vídeo, divirta-se e pode rir da minha cara.
p.s.: a casa que aparece no vídeo é da Cunha 2.
p.s.2: quer aprender Limburg? Tem a letra aí... Mais fácil que holandês!!
p.s. do p.s.: adivinha quem é a única pretinha no vídeo?!
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Trocentos days of Christmas
"On the first day of Christmas my true love gave to me..."
Eu não sei se alguém conhece essa música, mas é mais uma das tradicionais músicas de Natal mega cantada nas bandas dos States e que, essa pessoa que vos fala, já cantou também. Em inglês e português. É uma música eterna, repete, vai e volta...uma coisa.
Pois bem. Essa música é tipo o Natal aqui na Holanda: não tem fim! ahahahhah Brincadeira.
Os dias oficiais de Natal na terra dos tamancos são 25 - 1ste Kerstdag (1º de Natal) - e 26 - 2de Kerstdag (2º dia de Natal). Digamos que o primeiro dia é para um jantar com a família, assim feito, fomos pra casa dos Sogros e tal. Já o segundo dia reunimos os amigos para um drink, coisa e tal, como fizemos.
Mas o dia 24? Fica onde? Meu primeiro Natal nas bandas de cá eu fui dormir as 20h do dia 24.12. Viajei com minha host family pra Gstaad, na Suíça e fiquei tão chocada com a noite do dia 24 ser uma noite tão comum que assim que coloquei as kids na cama, fui dormir. Minha host family notou e pediu desculpa por não lembrarem que dia 24 era importante pra mim.
Eu nunca fui muito de Natal. Não que eu não goste...eu acho lindo. Amo as decorações (que pra mim só fazem sentido nas bandas de cá), sou louca nos Christmas Markets e se tiver neve - que não é o caso desse ano - melhor ainda. Quanto às celebrações... Natal pra mim era com minha avó. Quando ela morreu até tentamos continuar o mesmo "espírito" (aka comilança + todo mundo junto) mas durou pouco. Eu e meus pais passamos a viajar pra casa de praia no dia 26 - pra evitar o engarrafamento da p$%ra tumulto na Manilha x Rio e por lá ficávamos até 1 semana antes das aulas começarem, quando mamãe voltava a trabalha (papai ia apenas nos fds). Quando saímos do RJ, éramos apenas nós 3. Como eu nunca fui fã de comida de Natal (o caso é sério: não gosto nem de panetone, nem de rabanada, nem de chester e menos ainda de peru de Natal) e mamãe não é fã de cozinha, ela ficava apenas nas rabanadas e eu fazia o jantar - geralmente um gnocci! ahahaahhaha
Acho que minha última grande comemoração (tipo, família toda) de Natal foi há quase uns 20 anos. E eu estou super bem com isso. Eu tenho uma coisa com falsa modéstia x natal + obrigação de estar junto. Lembrando, claro, do verdadeiro significado de Natal, acho que ele é pra ser passado e celebrado com quem realmente esteve junto e fez parte do seu ano. Enfim... acho que é porque desde muito pequena dezembro sempre foi uma correria sem fim: ensaio de 3 cantatas ao mesmo tempo na igreja, festa de final de ano na escola (minha e da minha mãe). Até os 10 anos de idade foi mais ou menos assim.
Esse não foi nosso primeiro Natal juntos. Em 2010 estávamos juntos nas bandas de cá e fizemos a seguinte escala: 24: Querido e eu; 25: casa dos sogros; 26: "bons drink" aqui em casa. Pelo menos essa era a idéia. Dia 24 fomos levar os presentes dos sobrinhos que nos obrigaram a ficar pra jantar. Nós tínhamos comprado tudo pra fazer o nosso jantarzinho, nossa troca de presentes mas a criançada ganhou (só nosso estômago que reclamou depois da "ceia" da Cunha 1: sopa de tomate, panekoeken com queijo e bacon e pra fechar com chave de ouro (só que não) founde de chocolate). Voltamos pra casa, trocamos nossos presentes e ficamos quietinhos, Quer dizer, nosso estômago tava uma orquestra...daquelas!
Dia 25 e o tradicional Kerst Gourmetten da Holanda, na casa dos Sogros. Foi uma orgia alimentar com direito a muita chuva de bike na volta pra casa.
Esse ano combinamos que dia 26, receberíamos o povo apenas para uns bons drinks. Querido me fez o favor de trazer 2 garrafas de cachaça artesanal e resolveu compartilhar com o povo. Mas os sogritchos não estavam muito afim de ficar em casa no segundo dia de Natal e sobrou pra quem....? Mas como se eu não gosto de comida de Natal e muito menos sei cozinhar? Gnocci daria muito trabalhoe eu não tava com saco.... Veio a idéia mais simples: Filet Mignon ao molho gorgonzola com fritas - Querido comeu em Vitória e achou uma coisa. Ótima pedida, não fosse o valor: 300gr de filet mignon por €10,54. Isso mesmo colega! Quase o preço de uma vaca toda no BR, segundo minha mãe. ahhaahhahahah Enfim, ficamos nas 300gr de filet mignon e achamos outra carne muito gostosa e mega macia, pq né!? Não dá.
O jantar foi ótimo, o molho ficou sensacional e as sobremesas - mousse de limão e sorvetão de brigadeiro - sumiram, claro, com a ajuda dos amigos que chegaram para os bons drinks. Obviamente não aguentaram e ainda temos 1,5 garrafa de caipirinha.
Quando pensamos que tinha acabado, ontem, dia 27 o melhor amigogato do Querido resolve vir jantar conosco para comemorar Natal e minha chegada, já que a namorada estava com as amigas em Amsterdam.
4 dias de Natal! 4 dias!
Reza a lenda que hoje não teremos mais nada a não ser nós dois em paz, com um jantar normal e sem celebrações natalinas. Ou não. Pq se a chuva parar, vamos dar um rolé em Winterland, no centro de Maastricht.
Espero que seu Natal também tenha sido bom.
Seja lá quantos dias você teve!
Eu não sei se alguém conhece essa música, mas é mais uma das tradicionais músicas de Natal mega cantada nas bandas dos States e que, essa pessoa que vos fala, já cantou também. Em inglês e português. É uma música eterna, repete, vai e volta...uma coisa.
Pois bem. Essa música é tipo o Natal aqui na Holanda: não tem fim! ahahahhah Brincadeira.
Os dias oficiais de Natal na terra dos tamancos são 25 - 1ste Kerstdag (1º de Natal) - e 26 - 2de Kerstdag (2º dia de Natal). Digamos que o primeiro dia é para um jantar com a família, assim feito, fomos pra casa dos Sogros e tal. Já o segundo dia reunimos os amigos para um drink, coisa e tal, como fizemos.
Mas o dia 24? Fica onde? Meu primeiro Natal nas bandas de cá eu fui dormir as 20h do dia 24.12. Viajei com minha host family pra Gstaad, na Suíça e fiquei tão chocada com a noite do dia 24 ser uma noite tão comum que assim que coloquei as kids na cama, fui dormir. Minha host family notou e pediu desculpa por não lembrarem que dia 24 era importante pra mim.
Eu nunca fui muito de Natal. Não que eu não goste...eu acho lindo. Amo as decorações (que pra mim só fazem sentido nas bandas de cá), sou louca nos Christmas Markets e se tiver neve - que não é o caso desse ano - melhor ainda. Quanto às celebrações... Natal pra mim era com minha avó. Quando ela morreu até tentamos continuar o mesmo "espírito" (aka comilança + todo mundo junto) mas durou pouco. Eu e meus pais passamos a viajar pra casa de praia no dia 26 - pra evitar o
Acho que minha última grande comemoração (tipo, família toda) de Natal foi há quase uns 20 anos. E eu estou super bem com isso. Eu tenho uma coisa com falsa modéstia x natal + obrigação de estar junto. Lembrando, claro, do verdadeiro significado de Natal, acho que ele é pra ser passado e celebrado com quem realmente esteve junto e fez parte do seu ano. Enfim... acho que é porque desde muito pequena dezembro sempre foi uma correria sem fim: ensaio de 3 cantatas ao mesmo tempo na igreja, festa de final de ano na escola (minha e da minha mãe). Até os 10 anos de idade foi mais ou menos assim.
Esse não foi nosso primeiro Natal juntos. Em 2010 estávamos juntos nas bandas de cá e fizemos a seguinte escala: 24: Querido e eu; 25: casa dos sogros; 26: "bons drink" aqui em casa. Pelo menos essa era a idéia. Dia 24 fomos levar os presentes dos sobrinhos que nos obrigaram a ficar pra jantar. Nós tínhamos comprado tudo pra fazer o nosso jantarzinho, nossa troca de presentes mas a criançada ganhou (só nosso estômago que reclamou depois da "ceia" da Cunha 1: sopa de tomate, panekoeken com queijo e bacon e pra fechar com chave de ouro (só que não) founde de chocolate). Voltamos pra casa, trocamos nossos presentes e ficamos quietinhos, Quer dizer, nosso estômago tava uma orquestra...daquelas!
Dia 25 e o tradicional Kerst Gourmetten da Holanda, na casa dos Sogros. Foi uma orgia alimentar com direito a muita chuva de bike na volta pra casa.
Esse ano combinamos que dia 26, receberíamos o povo apenas para uns bons drinks. Querido me fez o favor de trazer 2 garrafas de cachaça artesanal e resolveu compartilhar com o povo. Mas os sogritchos não estavam muito afim de ficar em casa no segundo dia de Natal e sobrou pra quem....? Mas como se eu não gosto de comida de Natal e muito menos sei cozinhar? Gnocci daria muito trabalho
O jantar foi ótimo, o molho ficou sensacional e as sobremesas - mousse de limão e sorvetão de brigadeiro - sumiram, claro, com a ajuda dos amigos que chegaram para os bons drinks. Obviamente não aguentaram e ainda temos 1,5 garrafa de caipirinha.
Quando pensamos que tinha acabado, ontem, dia 27 o melhor amigo
4 dias de Natal! 4 dias!
Reza a lenda que hoje não teremos mais nada a não ser nós dois em paz, com um jantar normal e sem celebrações natalinas. Ou não. Pq se a chuva parar, vamos dar um rolé em Winterland, no centro de Maastricht.
Espero que seu Natal também tenha sido bom.
Seja lá quantos dias você teve!
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Dezessete
17 de janeiro de 2007 eu cheguei na Holanda pela primeira vez, como Aupair, praquele que seria um dos melhores anos da minha vida.
17 de julho de 2008 recebi o primeiro email do Querido.
17 de novembro de 2012 recebemos a confirmação do visto.
17 de dezembro de 2012 eu cheguei nas bandas de cá pra ficar de vez.
Eu não acredito em numerologia e 17 nem é o meu número "favorito" (é o 7 e não pergunte pq, mas deve ser por conta do meu aniversário), mas não posso negar que na minha "vida holandesa" o 17 tem um gosto e um som especial. Me faz lembrar dessas datas tão importantes, que eu só fui perceber na segunda feira, dentro do trem saindo de Frankfurt.
Os últimos dias no Brasil foram agitadíssimos. Muita coisa pra fazer, fora da minha programação - que não era chegar dia 17 e sim dia 20 - o que me fez dar uma surtada. A sensação que tive em janeiro de 2007 de estar fazendo as coisas pela última vez voltaram. Mas dessa vez numa dose maior. As últimas 4 noites foram ocupadas com jantares de "goodbye" com pessoas (do Brasil) que fizeram diferença em nossas vidas e assim o dar tchau foi de uma maneira mais leve.
O domingo foi puxado: saímos de Vitória pro Galeão cedo. Cedo tipo, umas 10h antes dos nossos respectivos vôos. Querido veio de KLM. Até tentei vir junto mas com o valor da passagem pela hora da morte resolvi ficar com o benefício da TAM e voei até Frankfurt e de lá peguei o trem (Frankfurt x Köln x Aachen, onde Querido me encontrou). Ele fez Rio x Amsterdam x Dusseldorf. Por morar em Limburg é mais perto e mais barato pegar qualquer vôo que não tenha o destino final como Amsterdam.
Saber que ia encontrar 8C, 30 a menos do que o dia anterior em Botafogo, tranquilizou a chegada de cara no inverno. Mantra mode on: "já peguei -16C, 8C não é nada...", mas ao descer as escadas do aeroporto pra estação vi que 1 inverno longe e a gente perde a noção do que é frio. Querido disse que as 3,5semanas de Brasil o fez esquecer de frio rapidinho. Mas vê-lo na estação com minha Cunha pulando com um balão de "Welkom", o frio foi embora rapidinho. Mentira. Nos fez correr mais rápido ainda pra dentro do carro.
Por conta de 1h de atraso do meu vôo, perdi o jantar, mas ao chegar em casa, a Sogra mandou um jantarzinho, o meu favorito: frietjes met zuurvlees. Typisch limburgs!
Gemeente, ok. IND, agendado. GGD dando trabalho. Fora isso, é colocar tudo em ordem e vamos pra frente.
Mas por enquanto eu vou ficar mais um pouquinho na cama, já que ainda posso. Querido voltou ao trabalho, deixei o lunch dele pronto, dei tchau e voltei pro quentinho. Eu e o inverno ainda precisamos melhorar nossa relação...
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Aaaaah, Pernambuco!
Foi minha segunda vez em Pernambuco. Ir praquelas bandas é sempre tocante. Minha avó veio de Casa Amarela num pau de arara quando tinha 17 anos. Ela morreu quando eu tinha 2, ela quase 70 sem nunca ter voltado lá. Mamãe até hoje não conseguiu colocar os pés por lá (já devidamente programado para o ano que vem).
A primeira vez que fui em Recife foi numa parada de 1 dia com destino a Fortaleza. Fui em Recife Antigo e revi alguns amigos. De lá pra cá muitos outros amigos de Recife passaram a fazer parte da minha vida. É inacreditável a quantidade de pessoas queridas que se fazem presente na minha vida e são pernambucos ("quem sai aos seus não degenera"). Que ótimo!!
A idéia era tirar o Querido do eixo Rio x Vitória. A princípio iríamos para Itacaré mas, passagem Ilhéus + receptivo + grande probabilidade de chuva + nada pra fazer me fez desistir de ir prum brejo paradise. Mas, a promoção pra Recife me fez comprar o bilhete sem pensar 2x. Destino: 4 dias em Porto de Galinhas + 2 dias entre Recife e Olinda. Com fotos e vídeos de Porto sem mostrar informar o tempo de vôo vix / rio/ rec +- 6h entre sobe e desce convenci o moço em 5min.
Graças a Deus, nesta vinda ao Brasil Querido pegou mais dias de sol do que de chuva (o oposto do ano passado) e dessa vez ganhou de quebra +1h por conta da falta de horário de verão nas bandas de lá. 1h essa que deu uma ziquizira no nosso relógio biológico: sol nascendo as 5 da matina e tudo escuro as 6 da tarde. O dia por lá começa bem cedo e, pelo menos em Porto, termina cedo.
Um amigo nos buscou no aeroporto e de lá fomos direto pra Porto. Querido ficou bem chocado com o visual contrastante: praias belíssimas do lado esquerdo e pobreza/sujeira do lado esquerdo. Diferente do RJ, por exemplo, onde é "separado". Muitas construções pelo caminho e, segundo Querido, em 5 anos a calma vai embora e tudo por lá estará lotado.
Ficamos na Pousada Doce Cabana e super recomendo, e não é só por causa da tapioca fresquinha não. Nos tempos de agente de viagem recomendávamos ela para viajantes que não queriam ficar presos em resort (aka: nós) e confesso que gostei. Mais uma vez a falta de canais em inglês, apesar da Sky, deixou Querido impressionado, mas enfim, todo o visual falou mais alto. Estávamos há 15min a pé do centro e foi perfeito: íamos a pé e voltávamos de carro. Mais uma vez o lado esquerdo é lindo, mas a lado direito é escuro, sem caminhos, calçada na rodovia e pra quem não conhece, sinistro.
A ida às piscinas naturais é obrigatória e vale a pena. Querido ficou em êxtase com a facilidade de ter os peixinhos tão perto, beleza e água do mar quentinha (pra quem encarou o mar de Copa com uns 18C ano passado, foi ) são inconparáveis. Não ficar no centro, perto das jangadas é a dica e, caso fique por lá, fique nos restaurantes e não nas barracas que são praticamente jogas na sua frente pra te seduzir. Caso consuma, o combo: mesa+guarda sol+cadeira é de graça. Se não for consumir, 20 reais e não se fala mais nisso. Obs.: entenda consumo por comida e cerveja. Água de coco, não vale. Se bem que, pra viciados em peixe como eu, o desfile de todos os tipos deles e tamanhos de camarão fica meio difícil resistir. Ter ido durante a semana foi perfeito: Porto no fds fica insuportável, num nível "farofa pouca é bobagem".
Praia dos Carneiros foi uma decepção. Não sei se criei uma mega expectativa e o passeio de catamarã lotado com pessoas banhadas em argila dançando ao som de techno brega meats forró. Enfim, foram 2h de passeio com um visual bonito mas que o tempo nublado escondeu um pouco e 1h para comer algo, isso pq a empresa de receptivo perdeu quase 1h30m entre 3 pousadas atrás de passageiros que desistiram do passeio. Enfim, no comments. Nada contra, mas isso, definitivamente não me pertence.
Em Olinda, pegamos o final das primeiras prévias de carnaval e subimos e descemos 82649230812 ladeiras. Recife passou como um vento. Se não fossem meus amigos que encontrei e Querido conheceu, não valeria a pena ter ido pra lá. Não que não tenha nada a oferecer, mas não dá pra tomar banho no mar de Olinda e os tubarões pertubam o consciente em Recife, não permitindo mais que molhar o pés.
O atendimento foi bom, na dose certa. Todos os 10% foram devidamente pagos e até passamos em frente a um restaurante que dizia: "Respeito ao cliente, não cobramos os 10% e temos o melhor frango a passarinho da região". Não paguei pra ver pq a macaxeira com charque gritava por mim.
Já a chegada em Vitória, mais uma vez deixou a desejar. Que vontade de mandar esses taxistas pra pqp, pq é muita má vontade em fazer qualquer coisa. Tipo: dirigir e seguir o que o cliente pede, em não ter um restaurante/bar/buteco/pé sujo aberto depois de meia noite e muito menos ter um delivery. Aaaah Vitorinha, só respirando fundo e contando até 10 com vc.
Mas enfim, é melhor deixar pra lá pq a ida pra Holanda é domingo e meu stress level tá num grau elevadíssimo. Dispensei o Querido pra piscina pra colocar em ordem e dar um update nas listas do que ainda tenho que fazer hoje e amanhã, pq domingo, a saga começará cedo.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Welcome to Brasil... + 10% de serviço por favor.
Querido está no Brasil há quase 2 semanas e com fator 30 pra cima e pra baixo.
A chegada foi tranquila. O Galeão, estruturalmente continua uó - desembarque internacional é de dar vergonha - e do lado de fora, aquela pocilga fede cada dia mais.
Calor, sol, praia, gente bonita, comida deliciosa. Ir no Garota de Ipanema foi lei durante nossos dias no RJ. Dessa vez alugamos um apto na Joaquim Nabuco com a Vieira Souto, em Ipanema. A diária foi 200 reais mais barata do que o hotel há 3 quadras do mar em Copacabana. Rio tá se achando e não tá oferecendo isso tudo - pelo menos para essa Turismóloga que vos fala ainda falta muito. Muito mesmo.
Mas o Rio continua lindo e tirando o folêgo do Querido toda a vez que dá de cara com o marzão e as ondas de Copa e Ipanema, quando vamos ao Arpoador e surpreendendo com a vida de um carioca na praia: aluguel de cadeira, guarda sol, cerveja 10h e praia superlotada só porque fez sol. E por conta disso não há nada que o convença me não passar pelo RJ em qualquer vinda ao Brasil. Também, quem resiste a uma noitada na Lapa e uma visita ao uma escola de samba + coroação da Rainha de Bateria?! Querido perdeu a fala com as bundas. Deixa ele. ahhaha
A chegada em Búzios (pra mim depois de uns 18 anos sem passar por lá - meus verões foram em Arraial do Cabo) não o surpreendeu em nada e eu fiquei bem desconfiada. O temporal que nos lavou enquanto andávamos na Rua das Pedras atrás de alguma coisa pra beliscar me deixou preocupadíssima: Búzios + chuva = tédio. Mas, o arco-irís 1h depois do temporal honrou o pacto que Deus fez com Noé e trouxe dias de sol escaldante, para deleite do branquelo.
Por ser alta temporada, confesso que não achei Búzios mais caro que RJ. O hotel foi ótimo e só deixou a desejar, quer dizer, internet e canais de tv deram uma bola fora, mas foi o de menos. Rio, foi no apto alugado mesmo e será assim daqui pra sempre. Apesar de ter amado o bairro de Ipanema ele ainda prefere a praia de Copacabana, a confusão, o corre-corre e os sucos de lanchonete de esquina.
Rio de Janeiro no speak portuguese. Coisa mais difícil era ouvir um bom português nas ruas do RJ. Menos português ouvimos em Búzios, totalmente dominado pelos argentinos e uruguaios (que eu detesto desde pequena, quando eles enchiam o saco vendendo brinquinhos hippies nas praias de Arraial do Cabo).
O RJ tá caro. Absurdamente caro. Mas, infelizmente, tá perdendo o que tem de melhor: o bom atendimento, a qualidade no serviço. Antigamente dávamos gorjeta se quiséssemos e caso o atendimento fosse bom. Hoje em dia - contra minha vontade - somos obrigados a pagar os 10%, e com isso, a qualidade e o "prazer" em servir tá indo por água abaixo.
Eu sempre trabalhei com atendimento ao público (aeroporto, agência de viagens, hotelaria...) e meu sorriso e excelência em atendimento nunca foi beneficiado com 10%. Minhas gorjetas em aeroporto eram, geralmente dos atendimentos especiais regados a bombom (maldita loja da Garoto em frente ao balcão da Vasp) e uns trocadinhos de 10reais que pouquíssimos hóspedes nos entregavam, escondidos. E por conta disso, tive que aprender que tudo o que o hóspede/passageiro/cliente gritasse xingando minha quadragésima geração toda reclamasse era com a empresa e não comigo e que meu sorriso desejando-lhe vai se f*der boa viagem, boa estadia era a alma do negócio e os faziam voltar e gostarem de mim.
Pois então...10% de serviço já vem embutido e, preferencialmente pago em cash. Say what? Yes, cash baby! E aí, dane-se o atendimento e ai de você se não tiver cash pra pagar os 10%, é quase expulso do lugar. Fomos no Garota de Ipanema logo após o pouso do Queridoe ele babou com o garçom cortando o filet mignon com 2 colheres, delícia de lugar, famosa esquina e coisa e tal, pagamos em cash, vida que segue. Na última noite, resolvemos voltar apenas com cartão de crédito e tchanam: não tínhamos cash pros 10% e, apesar de falar pra debitar tudo - ele não fez -, o garçom simplesmente arrancou a maquineta da nossa mão após a cobrança e foi reclamar com o gerente que não pagamos os 10%., saímos com olhares de quem não quis pagar nada.
Já em Búzios, depois de esperar 1h pela comida - que veio pouquíssima e bebida errada, atendimento demorado, garçom idiota amigãozão (tentando falar inglês com holandês num restaurante italiano), resolvemos não pagar os 10% pelo serviço. Depois de explicar os motivos que eram óbvios, eles voltaram com a nota dando 10% de desconto e mantendo os 10% de serviço. Fiz questão de voltar com os 10% de desconto e cortar o serviço. 10% do serviço não é obrigatório e sim, merecedor. Nesse caso, não era.
Em outro bar, ao chegarmos fomos informados que era 10% + couvert. Olhamos pra cara um do outro e sentamos do outro lado da rua, no Restaurante do Davi, onde ganhamos uma caipirinha de brinde porque voltamos ao restaurante deles (com um cartão do hotel já havíamos ganhado o drink no dia anterior) - sem falar no garçom que falava inglês - do jeito dele, mas falava, diferente de todo o resto de Búzios.
Gente, honrem seus 10%. Prestadores de serviço, não percam o que o Brasil tem como diferencial: atendimento. Não sou daquelas que gosta de alguém paparicando não - acho um saco vendendor se metendo na minha escolha de roupa, dando pitaco, ou garçom perguntando o tempo todo se tá bom - mas gosto de ser bem atendida. Não só pelos 10% mas pelo simples fato de que eu tô ali pra trabalhar e trabalhar bem.
Eu nem vou falar nada de Vitória, onde moro, porque é uó. Uma cidade onde os taxistas cobram (entre R$1,00 e R$1,50) por mala no carro (ou muito volume) não precisa de mais comentários, né!?
Enfim...deixa pra lá. Vou dormir pq amanhã vou ficar mais pobre e pagar muitos 10%. Ou não.
Próximo destino é Pernambuco: 4 dias em Porto de Galinhas e 2 em Recife.
A chegada foi tranquila. O Galeão, estruturalmente continua uó - desembarque internacional é de dar vergonha - e do lado de fora, aquela pocilga fede cada dia mais.
Calor, sol, praia, gente bonita, comida deliciosa. Ir no Garota de Ipanema foi lei durante nossos dias no RJ. Dessa vez alugamos um apto na Joaquim Nabuco com a Vieira Souto, em Ipanema. A diária foi 200 reais mais barata do que o hotel há 3 quadras do mar em Copacabana. Rio tá se achando e não tá oferecendo isso tudo - pelo menos para essa Turismóloga que vos fala ainda falta muito. Muito mesmo.
Mas o Rio continua lindo e tirando o folêgo do Querido toda a vez que dá de cara com o marzão e as ondas de Copa e Ipanema, quando vamos ao Arpoador e surpreendendo com a vida de um carioca na praia: aluguel de cadeira, guarda sol, cerveja 10h e praia superlotada só porque fez sol. E por conta disso não há nada que o convença me não passar pelo RJ em qualquer vinda ao Brasil. Também, quem resiste a uma noitada na Lapa e uma visita ao uma escola de samba + coroação da Rainha de Bateria?! Querido perdeu a fala com as bundas. Deixa ele. ahhaha
A chegada em Búzios (pra mim depois de uns 18 anos sem passar por lá - meus verões foram em Arraial do Cabo) não o surpreendeu em nada e eu fiquei bem desconfiada. O temporal que nos lavou enquanto andávamos na Rua das Pedras atrás de alguma coisa pra beliscar me deixou preocupadíssima: Búzios + chuva = tédio. Mas, o arco-irís 1h depois do temporal honrou o pacto que Deus fez com Noé e trouxe dias de sol escaldante, para deleite do branquelo.
Por ser alta temporada, confesso que não achei Búzios mais caro que RJ. O hotel foi ótimo e só deixou a desejar, quer dizer, internet e canais de tv deram uma bola fora, mas foi o de menos. Rio, foi no apto alugado mesmo e será assim daqui pra sempre. Apesar de ter amado o bairro de Ipanema ele ainda prefere a praia de Copacabana, a confusão, o corre-corre e os sucos de lanchonete de esquina.
Rio de Janeiro no speak portuguese. Coisa mais difícil era ouvir um bom português nas ruas do RJ. Menos português ouvimos em Búzios, totalmente dominado pelos argentinos e uruguaios (que eu detesto desde pequena, quando eles enchiam o saco vendendo brinquinhos hippies nas praias de Arraial do Cabo).
O RJ tá caro. Absurdamente caro. Mas, infelizmente, tá perdendo o que tem de melhor: o bom atendimento, a qualidade no serviço. Antigamente dávamos gorjeta se quiséssemos e caso o atendimento fosse bom. Hoje em dia - contra minha vontade - somos obrigados a pagar os 10%, e com isso, a qualidade e o "prazer" em servir tá indo por água abaixo.
Eu sempre trabalhei com atendimento ao público (aeroporto, agência de viagens, hotelaria...) e meu sorriso e excelência em atendimento nunca foi beneficiado com 10%. Minhas gorjetas em aeroporto eram, geralmente dos atendimentos especiais regados a bombom (maldita loja da Garoto em frente ao balcão da Vasp) e uns trocadinhos de 10reais que pouquíssimos hóspedes nos entregavam, escondidos. E por conta disso, tive que aprender que tudo o que o hóspede/passageiro/cliente
Pois então...10% de serviço já vem embutido e, preferencialmente pago em cash. Say what? Yes, cash baby! E aí, dane-se o atendimento e ai de você se não tiver cash pra pagar os 10%, é quase expulso do lugar. Fomos no Garota de Ipanema logo após o pouso do Querido
Já em Búzios, depois de esperar 1h pela comida - que veio pouquíssima e bebida errada, atendimento demorado, garçom
Em outro bar, ao chegarmos fomos informados que era 10% + couvert. Olhamos pra cara um do outro e sentamos do outro lado da rua, no Restaurante do Davi, onde ganhamos uma caipirinha de brinde porque voltamos ao restaurante deles (com um cartão do hotel já havíamos ganhado o drink no dia anterior) - sem falar no garçom que falava inglês - do jeito dele, mas falava, diferente de todo o resto de Búzios.
Gente, honrem seus 10%. Prestadores de serviço, não percam o que o Brasil tem como diferencial: atendimento. Não sou daquelas que gosta de alguém paparicando não - acho um saco vendendor se metendo na minha escolha de roupa, dando pitaco, ou garçom perguntando o tempo todo se tá bom - mas gosto de ser bem atendida. Não só pelos 10% mas pelo simples fato de que eu tô ali pra trabalhar e trabalhar bem.
Eu nem vou falar nada de Vitória, onde moro, porque é uó. Uma cidade onde os taxistas cobram (entre R$1,00 e R$1,50) por mala no carro (ou muito volume) não precisa de mais comentários, né!?
Enfim...deixa pra lá. Vou dormir pq amanhã vou ficar mais pobre e pagar muitos 10%. Ou não.
Próximo destino é Pernambuco: 4 dias em Porto de Galinhas e 2 em Recife.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Hij komt, hij komt...
Oficialmente era para eu estar embarcadinha nesse momento, dormindo na minha cabine com outras 3 pessoas, mas, a vida offshore, pelo menos em terra brasilis, chegou ao fim.
Me despedi dos alunos no último embarque e avisar que não voltaria no próximo embarque foi difícil. As lágrimas vieram. E, pra minha alegria, não só pra mim: teve peão saindo do vindo me abraçar com lágrimas nos olhos. Ver o carinho de todos eles, sem exceção, comigo, foi a maior recompensa: muito respeito, muita parceria - essa é a minha dica pra vida de mulher embarcada. "What goes around, comes around", foi isso que ouvi do OIM quando me despedi. Ouvi isso em forma de agradecimento pelo que fiz a bordo, por minha postura e dele nunca ter ouvido nada de mal sobre mim, pelo contrário. Fui coisa rara em uma sonda: todos gostavam de mim. Sem exceção. Ouvir dos Expats que vou ser muito bem sucedida no que fizer e terei tudo de volta sempre por conta do trabalho que fiz...não teve preço. E justamente dos Expats, os que davam muita dor de cabeça.
Apesar de ser Third Party Client, ter a avaliação deles - cliente - , ter esse feedback final é o que realmente conta, o que vale a pena. Foram 10 meses com eles, 10 embarques com eles. Só eles podem me avaliar como ninguém. Sou grata a Deus por ter me colocado naquele Rig especificamente, naquela tripulação. Vou sentir muita saudade. Mas, vida que segue.
A saída já estava nos planos: visto sendo aprovado, Querido chegando, mudanças a vista... Por ser terceirizada, não temos contrato internacional, sendo assim, foi a hora de dar tchau (até porque, se eu continuasse, não teria vida: a escala permaneceria a mesma e o vôo quem teria que pagar seria euzinha - geen international contract - so...better not!). Graças a Deus foi mais tranquilo do que eu esperava, apesar de ter que ir a MacaHell* (detesto ir lá). Enfim, sou uma desempregada e dar tchau ao meu trabalho por conta de uma mudança é algo que foi muito pensado, nada calculado e friamente feito - "o mundo é de opções, baby: perde-se aqui, ganha-se lá." (I shall keep this as mantra) Um dia falo sobre isso. Ou não.
Hij komt! E não tô falando do Sinterklaas que já ronda as tamaconlândia. Tô falando é do Querido, que já tá quase na área.Let's say: "Querido, 17:45h out!" Uma ligaçãozinha rápida pra confirmar se está acordado...and checked! É...hij komt!
Bem, agora é curtir as férias, torcer pra termos muito sol pra branquelo ficar vermelho mesmo com protetor fator 60, pq depois é só frio, chuva e neve.
sábado, 17 de novembro de 2012
Positief Advies!
10 dias atrás eu comentei aqui sobre a interminável espera do visto.
Pois bem. A espera acabou hoje a tarde, Querido desceu pra jogar o lixo fora e deu aquela espiadinha básica no brievenbus e lá estava ela: a tão esperada carta do IND com o positivo dentro de um envelope A4!
Chegou exatamente quando menos imaginávamos: sábado, no final da tarde (ele já tinha verificado a caixinha de correios na hora do almoço e nada), quando eu já estavaconvencida tentando me convencer que precisava de muita muita muita paciência e que ia demorar. Bom demais!
Querido ligou falando que era podíamos abrir o champagne, mas vou deixar isso pra quinta feira, quando ele chega nas bandas de cá!
De 25.09 pra cá foram 53intermináveis dias de espera e olha...ufa!
2013 goal: improve my patience.
Pois bem. A espera acabou hoje a tarde, Querido desceu pra jogar o lixo fora e deu aquela espiadinha básica no brievenbus e lá estava ela: a tão esperada carta do IND com o positivo dentro de um envelope A4!
Chegou exatamente quando menos imaginávamos: sábado, no final da tarde (ele já tinha verificado a caixinha de correios na hora do almoço e nada), quando eu já estava
Querido ligou falando que era podíamos abrir o champagne, mas vou deixar isso pra quinta feira, quando ele chega nas bandas de cá!
De 25.09 pra cá foram 53
2013 goal: improve my patience.
domingo, 11 de novembro de 2012
Essa tal de inclusão digital...
Gente, sorry, mas não dá!
Alguém tira minha mãe das redes sociais?
Será que só eu, com todo o respeito, que tenho vergonha alheia da minha mãe no facebook? ahhahahaha
Não pelo fato dela ficar me mandando mensagenzinhas, coisinhas, coraçõezinhos...mas pra que Senhor, PRA QUÊ eu a ensinei a usar o botão de compartilhar?
Eu sei que vocês vão falar para eu bloqueá-la, mas não adianta. Não basta não ver, eu tenho que participar. É uma enxurraaaaada de mensagens que ela viu ali e gostou aqui, clicou lá e apareceu cá... E o pior, me chama pra ver, pra ler, ouvir e pergunta se eu já vi e o que acho. Mermão...eu não quero ver nada, não quero saber de nada que não diz respeito à minha página. Acreditem: eu só vejo as atualizações de status dela e olhe lá. O restante está tudo bloqueado.
Mamãe é daquelas que fica encantada com a tecnologia. Quando Querido veio aqui e chegou com um tablet ela ficou em choque. Ela não sabe utilizar ctrl+c / ctrl+v, passa raiva com Word (já foi pior, pq eu tive que digitar t-o-d-o o TCC dela da Pós-Graduação - sou pós graduada em Síndrome de Tourettes - Alunos com Necessidades Especiais em Sala de Aula) e não tem noção de Excel (mas isso até eu bato um pouco de cabeça), adora um arquivo .ppt (que, graças ao Dear Lord, ela parou de abrir por conta das minhas trocentas reclamações de arquivos corrompidos etc). A pessoa tem umaputa câmera ótima e não consegue tirar uma foto decente e muito menos transferir pro computer - ela não tem (nunca teve) paciência para aprender, acha uma perda de tempo ("- Minha filha, pra quê? Você tá aqui e pode me ajudar com isso!" - ai como eu odeio ouvir isso) e sempre que eu chamo para ensinar alguma coisa - anything - arruma um jeito de sair de perto. Reza a lenda que quando se aposentar, vai fazer um curso de informática - curso esse que ela se matriculou umas 2x e não foi em nenhuma aula. Pois bem...veremos.
Aaaah, e ai de mim se reclamar de qualquer coisa que ela colocou online. Ela é daquelas que curte TODAS as fotos de um álbum e faz comentários de algo que ela realmente curte. E não basta curtir virtualmente, tem que me chamar pra curtir com ela, vê e achar lindo aquele ex-aluno de 1900 e bolinha se casar, ter filhos ou ter terminado um Doutorado. Ela é daquelas que salva uma foto online com um nome aleatório e não tem noção de onde está e me chama pra salvar o mundoinutilmente. E, se eu não achar, é claro, que estou de má vontade.
Agora, pra que ter facebook, twitter, orkut (falecido), MSN e agora Skype se, por exemplo, você não consegue sign in pra conversar com a filha a bordo?! E olha que, apesar do laptop ser em inglês eu deixei o passo a passo ao lado, em português. Mandei email, expliquei ao telefone...e nada.
Aí, faltando 3 dias pro meu desembarque, ela consegue conectar. Só que dessa vez não falou que a culpada era eu, mas sim, ela mesma.
Olha, seria trágico se não fosse cômico. ahahahahahahah
Desculpa, mas precisava desabafar.
Alguém tira minha mãe das redes sociais?
Será que só eu, com todo o respeito, que tenho vergonha alheia da minha mãe no facebook? ahhahahaha
Não pelo fato dela ficar me mandando mensagenzinhas, coisinhas, coraçõezinhos...mas pra que Senhor, PRA QUÊ eu a ensinei a usar o botão de compartilhar?
Eu sei que vocês vão falar para eu bloqueá-la, mas não adianta. Não basta não ver, eu tenho que participar. É uma enxurraaaaada de mensagens que ela viu ali e gostou aqui, clicou lá e apareceu cá... E o pior, me chama pra ver, pra ler, ouvir e pergunta se eu já vi e o que acho. Mermão...eu não quero ver nada, não quero saber de nada que não diz respeito à minha página. Acreditem: eu só vejo as atualizações de status dela e olhe lá. O restante está tudo bloqueado.
Mamãe é daquelas que fica encantada com a tecnologia. Quando Querido veio aqui e chegou com um tablet ela ficou em choque. Ela não sabe utilizar ctrl+c / ctrl+v, passa raiva com Word (já foi pior, pq eu tive que digitar t-o-d-o o TCC dela da Pós-Graduação - sou pós graduada em Síndrome de Tourettes - Alunos com Necessidades Especiais em Sala de Aula) e não tem noção de Excel (mas isso até eu bato um pouco de cabeça), adora um arquivo .ppt (que, graças ao Dear Lord, ela parou de abrir por conta das minhas trocentas reclamações de arquivos corrompidos etc). A pessoa tem uma
Aaaah, e ai de mim se reclamar de qualquer coisa que ela colocou online. Ela é daquelas que curte TODAS as fotos de um álbum e faz comentários de algo que ela realmente curte. E não basta curtir virtualmente, tem que me chamar pra curtir com ela, vê e achar lindo aquele ex-aluno de 1900 e bolinha se casar, ter filhos ou ter terminado um Doutorado. Ela é daquelas que salva uma foto online com um nome aleatório e não tem noção de onde está e me chama pra salvar o mundo
Agora, pra que ter facebook, twitter, orkut (falecido), MSN e agora Skype se, por exemplo, você não consegue sign in pra conversar com a filha a bordo?! E olha que, apesar do laptop ser em inglês eu deixei o passo a passo ao lado, em português. Mandei email, expliquei ao telefone...e nada.
Aí, faltando 3 dias pro meu desembarque, ela consegue conectar. Só que dessa vez não falou que a culpada era eu, mas sim, ela mesma.
Olha, seria trágico se não fosse cômico. ahahahahahahah
Desculpa, mas precisava desabafar.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
A incrível arte de esperar.
Só caiu a ficha de que o natal vem vindo, vem vindo o natal hoje a tarde. Estava lavando a louça na cozinha e ouvi uma propaganda de um supermercado com barulhinho de sinos de natal.
Sério. Ainda tem tanta coisa pra acontecer esse ano que tá difícil de pensar em Natal (vida offshore, Querido no Brasil, viagens, etc). Já tem propagandas, pessoas fazendo mil planos e falando sobre comida de natal, decoração em alguns locais (um ex-colega de trabalho colocou foto no facebook da árvore montada em pleno 2 de novembro. A "regra" não diz que monta dia 06.12 e desmonta 06.01!?).
Aaaaaaaahhhhhhh!!! Pra que tanta pressa!? Calma que o Braseeel é nosso!!!
Aaaaaaaahhhhhhh!!! Pra que tanta pressa!? Calma que o Braseeel é nosso!!!
Um desses "etc" para acontecer é a p%rr# o tal do visto.
Visto é... (pausa dramática. respira. vai.)
Visto é uma coisado mal que só que passou por sabe a dor e a delícia que é. É um saco, é caro, é cansativo, é desgastante e testa a sua paciência* a limites inimagináveis.
Visto é uma coisa
"Paciência é uma virtude de manter um controle emocional equilibrado, sem perder a calma, ao longo do tempo. Consiste basicamente de tolerância a erros ou fatos indesejados. É a capacidade de suportar incômodos e dificuldades de toda ordem, de qualquer hora ou em qualquer lugar [...] (via Wikipedia)
Então que eu não fui dotada de paciência. Eu sou daquelas que detesto esperar em fila de supermercado, ponto de ônibus e que reclamo quando a pessoa anda calmamente no meio da rua como se não houvesse amanhã, fico ansiosa até de quando a preguiça bate e vou buscar uma marmita no restaurante aqui do lado de casa e demora mais que 10min. Hoje em dia sou muito melhor que 5 anos atrás. E naquela época eu já tinha melhorado bastante. A pessoa que mais me testa é minha mãe, que faz tudo n-u-m-a v-e-l-o-c-i-d-a-d-e incrível. Além de ter atitudes que só mães têm como o fato de me esperar sentar para pedir outra coisa, me fazer perguntas enquanto assisto minha série favorita, conversar durante um programa e perguntar o que a pessoa tava falando...e por aí vai.
Só que há 3 anos e pouquinho sou apaixonada por um ser totalmente bipolar quando se trata de esperar. Não sei se é só o meu, mas o Querido não reclama da tiazinha totalmente lenta na fila do supermercado, fica parado no trânsito e não mete a mão na buzina (mas aí eu também gosto - só que eles simplesmente não reclamam. O rádio disse que o trânsito estaria assim e vida que segue. ou melhor, fica parada), e me deixa falar até me cansar sem dar um pio. É a serenidade em pessoa. Será que eu sou anormal? Ai...deixa pra lá.
Enfim. O visto. O IND nos dá 90 dias para recebermos (aka Querido recebe via correio) o Positief Advies.
Já é a segunda vez que passo por um processo de visto na Holanda - a primeira como foi em 2007, como Aupair, onde o prazo era o mesmo e meu visto saiu com quase 70 dias, uma coisa assim. Ou seja, oficialmente, eu já estou "acostumada" com demora. Eu disse oficialmente. Quando a questão é prazo, aguardando respostas eu faço um trabalho comigo mesma: "se o prazo é dia x, só devo me preocupar - caso não obtenha retorno - depois do dia x. Se me derem retorno antes, eu estou no lucro". E assim tem funcionado. Claro que fico ansiosa, mas quando a ansiedade bate, volto ao mantra acima e por aí vai.
Acontece que o Querido está über tenso com a demora (oficialmente ainda temos mais 45 dias de espera). Sei direitinho a hora que eu chega ou entra em casa. O whatsapp denuncia com uma mensagem: "Nog geen brief" (Nenhuma carta ainda). Não tem uma outra palavra que caia melhor para ele. Pense numa pessoa tensa. É de dar dó. Ele entrou num fórum onde outros dutchs estão passando pela mesma situação e, faz parte do grupo de setembro, onde de um total de 20 pessoas que aplicaram naquele mês, 3 já receberam o positivo.
Semana passada minha amiga, que deu entrada 1 dia antes da gente, recebeu a carta positiva. Eu fiquei tão tão tão feliz por ela que aquela sensação me tranquilizou ainda mais: "o nosso está a caminho". Falei pro Querido - que também ficou feliz - mas não o tranquilizou, só piorou a situação: "esse IND é uma zona mesmo. Como é possível sair tudo fora de ordem, e blablablabla...".
Infelizmente o IND não tem critério e/ou respeita ordem de chegada. Foi assim no visto de aupair e pelo visto será assim no nosso visto. Minha amiga deu entrada no dia depois da segunda quinzena de setembro e neguinho, ou melhor, loirinho que deu entrada no início de setembro ainda não recebeu a tão esperada carta.
Querido só pensa nisso, só fala nisso, confere a caixa de correio quando sai, chega, vai na rua e, se fica muito tempo dentro de casa, corre na caixinha pra ver se algo chegou. Eu quero muuuuuuuuuuuito que essa resposta chegue, até porque ainda tem que ver passagem, saber onde vou passar natal/ano novo/meus 30 anos e também porque preciso de datas e prazos pra fazer minha vida funcionar gosto de datas. Mas principalmente pro Querido sair dessa tensão da espera e dar uma relaxada - de preferência que saia antes da vinda dele pras bandas de cá, sendo mais direta: preferencialmente nas próximas 2 semanas, ok God?
Mas Deus é bom e tem me dado sabedoria e calma pra acalmar e tranquilizar o moço, tadinho.
Tô eu vendo um filme na tv ainda agora e chega um Whatsapp dele: " - Viu o fórum agora a noite? Mais 2 pessoas! Pfff..." Eu já tinha visto o fórum mais cedo e até comentei com mamis que quando o Querido visse a mensagem - mensagem essa de 2 pessoas que ligaram pro IND essa semana e os mesmos disseram que até o final dessa semana chega a cartinha na casa deles - ia ficar doidinho. Dito e feito.
Semana passada, pra acalmar a fera - e me dar uma noção de em que pé do processo estamos - consegui convencê-lo a ligar. Sei lá...pelo menos pra mim faz bem falar com quem de direito, saber certinho - detesto esperar minha gente! Ele ligou e disse que foi bem tratado pela Mevrouw que o atendeu (digamos que os INDers não são assim dos mais amigáveis, segundo o Querido) disse que está em behandeling. E só.
Agora ele quer saber em que estágio de behandeling está. Aff...
É...esperar é uma arte mesmo.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Terra a vista!
"- Atento toda plataforma, HLO, guarnição de helideck e equipe de bote de resgate: aeronave 15min fora!"
Ouvir essa frase, depois de 14 dias a bordo, não tem preço. Reza a lenda offshore que a frase acima e "eu te amo" tem o mesmo poder, causam a mesma sensação. E olha, não mentiram não.
Ver a aeronave chegar, seu Back (quem fica no seu lugar enquanto você desfruta dos 14 dias de final de semana) chegar, colocar protetor auricular, colete salva vidas, caminhar no helideck em direção ao seu meio de transporte...não tem preço.
Desembarquei ontem e o vôo foi bem tranquilo - apesar da chuva que sempre chega no sábado, 2 dias antes do desembarque. Mas Deus é bom e sabe do meu cagaço de helicóptero na chuva me ama, abriu o tempo e o vôo, de 50min, foi bem rápido. 25min de vôo e só então vemos terra lá longe. Chegar em Vitória na costa e ver aquele mar azulziiiiinho é uma sensação única. Fui e voltei sã e salva, thank you Lord.
Mas é chegar em casa e todo o cansaço acumulado de 14 dias aparecer. É tomar banho, almoçar e morrer vendo (ou não) Jornal Hoje, Vídeo Show e qualquer coisa que signifique liberdade. Cachorro pulando descontroladamente ao te ver (fofo), fazer uma comidinha gostosa (thank's Panelaterapia), andar de short, camiseta, chinelo, brinco, pulseira, celular...jogar a Teacher fora e voltar a ser eu. Tão bom!
O dia ontem e hoje ficou num chove e não molha que eu nem reclamei. Pernas pro ar e não tenho hora pra nada. O primeiro sono em casa pós embarque é diferente. Acho que consegui dormi pra lá de 2h da matina e as 8h estava de pé. Quer dizer, olhei o relógio e voltei a dormir, porque eu estou de folga e posso! Amanhã eu penso volto pra academia.
A quinzena foi. Nem ruim, nem boa. Mas auditoria é uma coisa que tira o sossego de qualquer ser. E foram muitas, várias... Muitas traduções (falada e escrita), 92738743 novas palavras técnicas e uma certa raivinha da Petrobrás. Mas isso a gente deixa pra lá e só fala na reunião pós desembarque que será semana que vem.
Vem ni mim folga!
sábado, 3 de novembro de 2012
Alta pressão
Eu falei que a noite passada seria barulhenta, não falei?
Então...ela foi.
02:32am
(minha cortina é arregaçada aberta com toda a velocidade)
-Desce e vai chamar o médico porque eu estou morrendo!
E eu, com o coração a mil, tentando raciocinar, arregalo meus olhos: - O que houve?
A Fulana, de pé, na minha frente, apoiada na cama, com o mega hair (a-b-o-m-i-n-o mega hair, faz parte do meu TOC), forçando a respiração respirando normalmente, diz: - Minha pressão tá alta, tá disparada, tô morrendo. Você desce, vai na cozinha, entra na minha sala, abre a gaveta tal e pega meu aparelho para aferir pressão (eu só consegui entender essa mensagem hoje de manhã).
Eu, de pijama, com o cabelo espetando nosso Senhor, tentando colocar as coisas em ordem, levanto e vou procurar o meu uniforme e minha crocs, ouço: - Vai rápido! Chama o médico! (a.k.a. Enfermeiro a bordo).
Desço de uniforme, cara desforme, descabelada, de havaianas - que é proibido - vou na cozinha entrego a chave pro primeiro que abre a porta e falo qualquer coisa que relacione minha colega de quarto com aparelho de pressão, ligo pro enfermeiro, peço desculpas, gaguejo, esqueço o que tenho que falar e dou o número do camarote.
Volto pro camarote com o tal aparelho de pressão e vejo a pessoa ainda viva, tranquila, deitada, na cama debaixo da beliche (são duas beliches e ela está na cama de cima) tomando remédio.
- Por que você tá tomando remédio sozinha? Espera o enfermeiro...
(ela me interrompe) - Porque você demorou demais.
Pensei comigo: "morre aí, então", mas o filtro funcionou e não deixou sair pela boca.
Sentei na minha cama, olhei o relógio e ainda não era 02:40am. Na mesma hora bateram na porta e um enfermeiro de cara inchada e bem torto como eu entra no quarto.
Foi quando consegui ir ao banheiro e, ao sair, ouvir o diagnóstico: "Pressão 12 por 8. Normal. O que pode ter acontecido foi você ter feito um esforço acima do normal, já que embarcou hoje, ao subir a escadinha de 3 degraus pra cama".
Olhei pro Enfermeiro (sic), fuzilei a Fulana e me vi indo em direção a ela e fazendo tipo aquela tirinha Batman Slapping Robin, mas o filtro, graças a Deus, funcionou mais uma vez. Ela pediu desculpas mil vezes pelo transtorno de ter-nos acordado e o filtro fez com que "Previnir é melhor que remediar" saísse (mas mais uma vez eu me vi como na tirinha.
Até o momento, e ainda não deu 12pm, ela já me pediu desculpas umas trocentas vezes e a única coisa que eu quero é dar um sacode e falar: Pára de drama e volte pra cama. You ain't dying! Porque, depois disso, eu simplesmente não consegui dormir direito e ela, voltou pro roooOOooonnc.
Roooooooonc
Tô eu aqui, quietinha, na minha, de papo com mamãe no Skype tentando dormir...mas vai ser difícil porquê roooooonc roOOOooOOOoooonc zzzzZZZzzzzz roooooooonc rooOOooonc.
Holy Guacamole!! Que mulher é essa que ronca descontroladamente desse jeito?! Hoje teve troca de turma e duas que estavam no meu camarote foram embora, dando lugar pra uma maluquinha, oops, outra que eu fico por 3 dias e ronca bagaray! Se bem que essa vida a bordo algumas mulheres são piores que homens...tenso (mas isso é assunto pra outro post).
Bem, mas enfim, deixa eu pegar meu fone de ouvido, aumentar o som porque entre Coldplay e a orquestra do ronco - que agora veio acompanhado de uns "miam miam miam" (hahahahaha), eu prefiro Coldplay, Marisa Monte, Seu Jorge...
It's gonna be a noisy night!
Holy Guacamole!! Que mulher é essa que ronca descontroladamente desse jeito?! Hoje teve troca de turma e duas que estavam no meu camarote foram embora, dando lugar pra uma maluquinha, oops, outra que eu fico por 3 dias e ronca bagaray! Se bem que essa vida a bordo algumas mulheres são piores que homens...tenso (mas isso é assunto pra outro post).
Bem, mas enfim, deixa eu pegar meu fone de ouvido, aumentar o som porque entre Coldplay e a orquestra do ronco - que agora veio acompanhado de uns "miam miam miam" (hahahahaha), eu prefiro Coldplay, Marisa Monte, Seu Jorge...
It's gonna be a noisy night!
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Crappy Halloween
Então que a noite foi mal dormida. A última vez que dei uma olhada no relógio era 01:40am. As 6am eu estava de pé. Quer dizer, 2:30am acordei suando em grande estilo - fui dormir com muito, muito muito frio. Acho que era febre. Veio e passou.
Aluno chato é aluno chato. Não importa a idade, nacionalidade ou função. A única coisa que muda, na minha opinião é que, tratando-se de marítimos, quanto maior a patente, mais chato é. E hoje, alguns fizeram questão de deixar isso bem claro.
A Schedule das aulas fica pregada na porta da Classroom, nas portas do refeitório e na área de lanche: locais frequentadíssimos por todos. Mas tem uma galera que se acha acima do bem e do mal que nunca vê, nunca sabe, nunca lê e por isso a idiota Teacher aqui fica lembrando as datas no final das aulas. Aí que hoje o Imediato, mais conhecido como Velhinho - canadense, tem aulas de português (eu a-b-o-m-i-n-o dar aulas de português e, antes que você venha me dar sermão, me diga como você explica pro Expat que é "a" cadeira e "o" livro? que é "na" Itália, "no" Brasil e "em Cuba"? pronome pessoal oblíquo? se eles não sabem nem identificar o que é um Present Perfect Continuous ou Past Participle? #vaivendo) e faz as piadas mais sem graça ever e fica rindo esperando o meu sorriso em retribuição, sendo que eu não consigo rir de piada americana/canadense sem graça.
Enfim, Sr. Velhinho chegou hoje as 6:50am, sentou na cadeira e ficou me esperando entrar na sala às 7am pra começar a aula. O detalhe é que hoje ele não tinha aula. Mas aí, como, segundo o pensamento dele, ele é O Imediato (aquele que fica abaixo do Captain numa embarcação) e amanhã vai ter que ficar acordado mais tempo porque o Fire Drill será antecipado, eu tenho que cancelar a aula do Eletricista que está no Basic I - e também vai perder horário de sono por conta do treinamento - e dar aula de português pra ele. Cê jura né? É pra começar o dia beeeeeem.
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Eu não tenho nada contra, nem nada a favor de Halloween. Yo no creo en las brujas, pero que los hay, hay. Mas, cresci dentro de cursinho de inglês e lá a teacher empurrava goela abaixo a gente tinha que comemorar o Halloween. Nada mais óbvio que eu fazer o mesmo né? Não. Querido conseguiu enviar um mini vídeo de Hocus Pocus - essencial pra que a aula tivesse uma pitada de Halloween... para alguns alunos apenas, porque os outros estavam tão empolgados na matéria que mal deu pra falar (adoro dar aula para beginners).
Mas aí, tem aquelezinho que vira e fala: Ah Teacher, Happy Halloween é o c*ral*o, Feliz dia do Saci. Sim, pra vc que não sabe, procurando uma maneira de valorizar a própria cultura, foi instituído 31.10 como dia do Saci - o saci é tão valorizado que só foi homenageado para que esquecessem uma outra data.
"O brasileiro poderia aprender tanta coisa do povo americano: patriotismo, educação e blablabla, mas valoriza exatamente uma festa que não tem nada a ver com o nosso país". Troceeeeentas pessoas curtem o status no facebook do moço que estava, de férias, no tal país postando cada passo que dava.
Então tá, Sr. Sou-brasileiro-como-muito-orgulho!
Por que achou brega e não quis comemorar Festa Junina a bordo?
Por que reclamou de ter que ouvir o hino nacional brasileiro no dia 07 de setembro?
Por que ri do brasileiro que ganhou ouro nas Olimpíadas, porque a modalidade é "coisa de viadinho" e fica #chatiado quando a seleção de futebol perde ridículamente na final?
Por que foi gastar deixar seu dinheiro todo na gringa ao invés de viajar pelo Brasil de Saci Pererê e Iara que tanto defende?
Não quero respostas para essas perguntas (até porque eu mesma sou a primeira a responder algumas delas). Mas né? Tem gente que faz questão de perder oportunidades de ficar calado. Faz questão de criticar algo que a gente faz mais por diversão, pra lembrar que existe um mundo massa além dessa ilha de ferro. Mas enfim, c'est la vie.
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Ah, a ida do Sr. Velhinho serviu pra 1 coisa apenas: me deixar doidinha. Ele soltou no ar avisou que o treinamento, que acontece todos os sábado as 9am, foi transferido para amanhã, às 10:30am. Cancelando diretamente 2 aulas e indiretamente outras 2. Além de 01 aula de hoje - porque, se a aluna fosse a aula de hoje, iria ficar acordada de 15:30h de hoje até, pelo menos, 11:30h de amanhã, e aí é sacanagem e eu não sou uma Teacher do mal.
O pior é saber que as reuniões de sábado foram mantidas. Ou seja, perderei praticamente 2 dias de aula (eu gosto de dar todas as aulas pro dia passar mais rápido e eu desembarcar mais cedo). Tchau tchau quinta feira com aulas, hello Thursday of reports and assessments!
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São 23:45h e tenho que descer pra ligar pro Querido. Por que?
Estou eu dando aula e o o Skype piscando descontroladamente. Enquanto os alunos faziam uma atividade, aproveitei pra ver o que era, já que tinha que procurar o que era Bate-Bola/Clóvis pq alunos de Rio Grande/RS, Catu e Alagoinhas/BA e Natividade, disseram não saber do que se tratava tão fantasia que me fazia correr de medo no carnaval (sério que só existe aqui no RJ?).
Eis que vejo trocentas mensagens do Querido dizendo que tinha acabado de voltar do hospital, pois, ao voltar do trabalho em direção a casa da minha sogra, pra jantar, uma scooter (eu garrei ódio de scooter na Holanda desde os primórdios de Aupair, onde eu tinha que subir ladeiras - em Limburg TEM morro, viu? - me matando e passava a motinha lá tranquila, sem suar, sem esforço) na contramão na ciclovia em alta velocidade e bate no Querido (que não pedala. voa!), jogando-o pra longe, acabando com a bicicleta nova - menos de 1 ano (hoi fiets verkezering, se prepare que eu vou lhe usar!), destruindo os óculos e abrindo o supercílio sangrando absurdamente.
Querido foi pro hospital após ter ficado desacordado uns 3-5min - de acordo com testemunhas - e ligado pra Cunha Caçula. Eles ligaram pra Politie que disse estar muito ocupada para ir até o local auxiliá-lo. No hospital, segundo ele, o médico desinfetou e passou uma cola (oi?) no supercílio e o mandou pra casa, mas, assegurou que a Cunha ligaria pro irmão a cada 2h após ele cair no sono para assegurar que está vivo bem.
A sogra falou, as Cunhas falaram, eu implorei mas ele não quis dormir na casa dos pais - o que faciliataria a supervisão. Por estar embarcada e não ter telefone logo ali, fiquei no turno das 3 da manhã (00h aqui).
Por volta das 20h eu liguei e foi muito drama. Segundo a sogra, Querido só faz drama comigo (via skype Cunha já tinha deixado, ao mesmo tempo que ele a seguinte mensagem: Zusje, vi o que seu Querido escreveu no skype, sendo assim, considere 20% apenas do drama). Nunca foi de fazer drama nem com ex-namorada. Por que será hein? A voz muda, a dor aumenta e meu coração praticamente some por conta dessa distância (IND, aceleraê, aub!). Não que eu resolveria o problema, mas...vocês me entendem.
É...vamos lá.
update: são 00:07h. Acabei de ligar e a pessoa não dorme, o corpo todo dói - parece que o primeiro dia depois de voltar a malhar - disse ele, a mão tá doendo muito, não tem nada de bom na televisão e não consegue achar uma posição boa e nem algo que preste na tv de madruga. Tudo com uma voz de muito, muito, muito sofrimento.
É...a pancada e o corte no supercílio não foi assim tão forte. Tá bonzinho!
É...a pancada e o corte no supercílio não foi assim tão forte. Tá bonzinho!
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Fotos Halloween. Os meninos do Catering e minha roomy Nutricionista são ótimos. Tiraram água de pedra (o rancho - comida da semana - atrasou) e criaram a partir de uma pseudo idéia - levando em consideração o que tínhamos.
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| Jack o' lantern carrot salad - idéia de última hora e o meu favorito! |
| Cupcakes |
| Suspiros fantasmas, doce de abóbora e finger cookies |
| Cutted hand: contra-filé a milanesa |
| Treats table |
| Dinning Room |
| Halloween Classroom |
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Trick or treat?!
Eu deveria estar lendo/estudando/preparando/revisando o material para as aulas de amanhã - Halloween - que, por ser a traditional american pop cultural celebration, "devo" comemorar, decorar e o escambal a quatro com meus alunos.
Mentira.
Eu deveria mesmo estar dormindo, mas a dor de cabeça volta, a tosse volta, a cabeça está a mil e não tô afim de Christian Grey agora (em breve um post sobre o moço). Sendo assim, cá estou. 23:14h e acordada. Ontem fechei a "barraquinha" (minha cortina da privacidade) as 22h, apaguei a luz, me preparei pra dormir e só consegui fazer isso 01:30h (rinite parceiraça "entrou na sala" para chat). Às 06:20h de pé e aula às 07h.
Mentira.
Eu deveria mesmo estar dormindo, mas a dor de cabeça volta, a tosse volta, a cabeça está a mil e não tô afim de Christian Grey agora (em breve um post sobre o moço). Sendo assim, cá estou. 23:14h e acordada. Ontem fechei a "barraquinha" (minha cortina da privacidade) as 22h, apaguei a luz, me preparei pra dormir e só consegui fazer isso 01:30h (rinite parceiraça "entrou na sala" para chat). Às 06:20h de pé e aula às 07h.
Embarque passado eu tinha imaginado, pensado, analisado, procurado, separado e feito uma lista de tudo o que faria com meus alunos em 31.10. Mas a folga foi O stress agitadíssima na primeira semana e, por isso, nos últimos 7 dias livre me permiti fazer p*rra nenhuma: ficar de pijama o dia todo, colocar as séries em dia, malhar, voltar pra casa, desligar o telefone descansar. Só lembrei do dia de amanhã a caminho do trabalho: dentro do helicóptero. E aí já era.
Semana passada eu relutei e pensei em ignorar a data fazendo apenas o exercício (ridículo) proposto pelo curso - até porque, desde o RG1 do CCAA eu acho uma palhaçada comemorar Dia das Bruxas num local que não tem a cultura de tal comemoração (pensando bem, deve ser trauma: minha mãe nunca me deixou correr atrás de doce de Cosme e Damião...). Mas aí, por conta do maldito "compromisso com um serviço de qualidade" que essa pessoa que vos escreve tem, passei segunda e hoje separando material, todos os níveis com aula amanhã (Basic I, II, III/ Intermediate II / Advanced I), imprimindo coisinhas para decoração e de papo com a Nutricionista a bordo pra tentarmos (entenda tentarmos por cozinheiro, padeiro, doceiro) fazer alguma coisa (a.k.a. comida) no refeitório que lembre o tal dia das bruxas. Enfim. Vamos ver no que vai dar.
Se tudo der errado (minha enxaqueca não der sossego), Querido baixou Hocus Pocus às pressas (with dutch subtitles - até pq eu dou aula de inglês para brasileiros - dank je Sjat!) e pronto!
A bruxa já tá solta na sonda há um bom tempo mesmo. Não vai ser a Teacher a fazer diferença. hahahaha
A bruxa já tá solta na sonda há um bom tempo mesmo. Não vai ser a Teacher a fazer diferença. hahahaha
domingo, 28 de outubro de 2012
Bad hair day
Sabe aqueles dias em que tudo coopera pra você ficar na cama, mas você insiste o dever chama e você levanta e tudo te mostra que, realmente, era pra ter ficado na cama.
A vida offshore é cruel, punk, não pára, não pára, não pára não.
A escala de trabalho é de 12h. Os turnos vão de 06h - 18h, 18h - 06h, 12h - 00h, 00h - 12h e eu me encaixo em quase todos eles. Como Teacher, tenho que dar aula nos melhores horários para o aluno - que deve assistir as aulas FORA do horário de trabalho. Digamos que minha primeira aula começa as 07h e a última termina as 21:30h. Eu sou a pessoa que mais trabalha a bordo e que menos recebe (vida de nêgo é difícil).
A sonda está parada, ou seja, estamos em alto mar, mas não estamos perfurando, mas mesmo assim tem muito trabalho a ser feito e, como eles dizem, a galera tá "pegada", principalmente por conta dos auditores que chegam pra deixar todo mundo de cabelo em pé. E, por conta desses auditores, a nova onda da sonda é pintura. Eles estão pintando absolutamente tudo pra deixar a plataforma nos "trinks" e seguir a risca as exigências do novo cliente e, com isso, usando muito tíner. E é por conta dele que eu não deveria ter levantado hoje.
Há alguns embarques comecei com uma dor de cabeça terrível e não sabia o que era. Até que resolvi dar um rolé do lado de fora e acabei sentindo um cheiro fortíssimo e, imediatamente minha dor de cabeça aumentou. Descobri que era o tíner que eles usavam. Como era num sábado, como hoje, que não tenho muitas aulas, deu pra dar uma descansada e após o dorflex.
Ontem senti o cheiro forte novamente e evitei ir do lado de fora. Mas acabou que cheiro veio até mim: quem estava mexendo com o tal solvente tinha aula comigo. E eles eram em 6. Meu dia acabou ali. Uma dor de cabeça in-ter-mi-ná-vel tomou conta de mim e minha alergia, sempre muito fdp cruel, fez com que o cheiro descesse para minha garganta, provocando uma tosse terrível. Pela primeira vez cancelei aulas. Não tava conseguindo raciocinar mais. Um aluno me chamou pra fazer uma tradução e não conseguia traduzir apoio para support.
As 18h eu estava na cama, mas, não contava com 2 roomates se acabando em tosse por conta de um vírus que paira na sonda esse embarque. E, adivinhem: como a imunidade já estava baixa...hoje de manhã fui agraciada com uma dor de garganta surreal - garganta inflamando + dor de cabeça + tosse = rinite 5min out!
Deus é bom e fez com que hoje fosse sábado: apenas 2 aulas no final da tarde (fire drill - treinamento de abandono - e safety meeting) e eu passei o dia todo de cama, com supervisão da enfermeira. O porém é que, durante o dia, minhas 2 sick roomates também estavam na cabine. Me "tranquei" atrás da cortina que fecha minha cama - e me permite ter a largura de uma cama de solteira como privacidade. A sonda toda sabe que estou doente e quem não sabe, minhas olheiras e tosse denunciam de longe.
O treinamento foi um saco. O frio do ar condicionado no camarote tbm não ajudou. Na hora do almoço não senti o gosto de nada. No jantar, derrubei um copo cheio de limonada na mesa, no chão e em mim (de raiva, saí da dieta e ataquei a sobremesa - pudim de sorvete e pavê de chocolate. damn it). O aluno da primeira aula ficou agarrado no trabalho e chegou atrasado, 10min de aula = nada. A reunião foi um jeopardy questions sobre safety. O outro aluno foi embora e cancelou a aula.
Daí eu me pergunto: sair da cama pra que?
E ainda tem mais 8 dias de trabalho pela frente.
sábado, 20 de outubro de 2012
To Sir, with love.
Segunda feira, 15.10, foi dia dos professores.
Eu nunca tive vontade de ser professora. Minha mãe é Professora e cresci ouvindo, por conta dos perrengues que ela passava (salário baixo, correria sem fim, muitos e muitos alunos, sobrecarga de trabalho) para nunca ser professora. E, com livre acesso às escolas, quadros, corredores de qualquer escola onde minha mãe trabalhava, o quadro negro e giz eram meus. Enquanto esperava mamãe nas reuniões, eu reinava numa escola de verdade só minha. Isso era o máximo que eu brincava de escolinhas.
Mas, como diz Joseph Climber, a vida é uma caixinha de supresas e cá estou eu: Teacher.
Não tenho coragem de me chamar de professora, até porque, nem no meu contrato está professora, mas sim, Instrutora. Praticamente ninguém na sonda me chama de Professora, mas sim de Teacher.
Hoje, com 9 meses de embarcação, posso dizer que estou acostumada a me chamarem de Teacher - só me chamam assim aqui, meu nome é esse - mas é algo que acaba imediatamente quando coloco meus pés em terra. Volto a ser eu mesma.
Dia 15 recebi algumas felicitações pelo dia dos professores, mas confesso que fiquei bem sem graça em relação a isso. Não me vejo professora, não sinto prazer em ser professora. Hoje, me vejo como alguém que está ali, em sala de aula, to share the knwoledge e nada mais. Eu não estudei pra isso e não passo por 1/3 do perrengue que os professores da vida real passam. Aqui, eu sou apenas a Instrutora. A ponte entre expats e brasileiros por conta da língua.
Não. Não estou desmerecendo professores de inglês, pelo contrário - sou imensamente grata por aqueles que me ensinaram a amar e estudar a língua que já me levou a tantos lugares e a conhecer tanta gente diferente. Mas EU não me sinto honrada em ser chamada de Professora. Principalmente pelo motivo de estar exercendo tal função agora (Elvis falava: one for the money, two for the show). Sempre vi a função de English/Potuguese Instructor como uma porta para o mundo offshore. E uma mega porta. Mas não me vejo e nem quero fazer isso pra sempre - apesar de derreter quando os "alunogros" elogiam e gostam da minha aula, adoram minha didática e metodologia e vêem realmente o meu prazer em dar a aula. Meu ego vai nas alturas mas lá dentro de mim eu bem sei que isso é apenas o meu compromisso profissional comigo mesmo, my own ISO, meu controle de qualidade no que eu estiver fazendo.
Hoje, 9 embarques depois, ver que de 35 matriculados, tenho cerca de 95 (sendo que somos 120 a bordo), é maravilhoso. Graças a Deus alcancei todas as metas (média de 92% por embarque) e tenho alunos sensacionais. Mas tá faltando algo... Tá faltando aquela paixão e satisfação que vejo há 29 anos escancarado no rosto da minha mãe. A alegria de estar dentro de sala de aula, dentro da escola, de ver a evolução do aluno, da cartinha que recebida, de ver os alunos dela, hj, formados e bem de vida. Isso, apesar de me orgulhar dos meus alunos falando e entendendo inglês e comentando que o que foi dado em sala de aula foi útil...eu acho que não terei.
Aos meus professores e àqueles que fizeram diferença enorme na minha vida, à esses sim meu sincero e enorme agradecimento e desejo de coisas boas sempre. Entre estas, melhor salário, melhores condições de salário e respeito...muito mais respeito de todos nós.
À minha mãe, melhor educadora não há. Exemplo de profissionalismo e, apesar de nunca ter tido aula com ela, melhor professora do mundo.
Eu nunca tive vontade de ser professora. Minha mãe é Professora e cresci ouvindo, por conta dos perrengues que ela passava (salário baixo, correria sem fim, muitos e muitos alunos, sobrecarga de trabalho) para nunca ser professora. E, com livre acesso às escolas, quadros, corredores de qualquer escola onde minha mãe trabalhava, o quadro negro e giz eram meus. Enquanto esperava mamãe nas reuniões, eu reinava numa escola de verdade só minha. Isso era o máximo que eu brincava de escolinhas.
Mas, como diz Joseph Climber, a vida é uma caixinha de supresas e cá estou eu: Teacher.
Não tenho coragem de me chamar de professora, até porque, nem no meu contrato está professora, mas sim, Instrutora. Praticamente ninguém na sonda me chama de Professora, mas sim de Teacher.
Hoje, com 9 meses de embarcação, posso dizer que estou acostumada a me chamarem de Teacher - só me chamam assim aqui, meu nome é esse - mas é algo que acaba imediatamente quando coloco meus pés em terra. Volto a ser eu mesma.
Dia 15 recebi algumas felicitações pelo dia dos professores, mas confesso que fiquei bem sem graça em relação a isso. Não me vejo professora, não sinto prazer em ser professora. Hoje, me vejo como alguém que está ali, em sala de aula, to share the knwoledge e nada mais. Eu não estudei pra isso e não passo por 1/3 do perrengue que os professores da vida real passam. Aqui, eu sou apenas a Instrutora. A ponte entre expats e brasileiros por conta da língua.
Não. Não estou desmerecendo professores de inglês, pelo contrário - sou imensamente grata por aqueles que me ensinaram a amar e estudar a língua que já me levou a tantos lugares e a conhecer tanta gente diferente. Mas EU não me sinto honrada em ser chamada de Professora. Principalmente pelo motivo de estar exercendo tal função agora (Elvis falava: one for the money, two for the show). Sempre vi a função de English/Potuguese Instructor como uma porta para o mundo offshore. E uma mega porta. Mas não me vejo e nem quero fazer isso pra sempre - apesar de derreter quando os "alunogros" elogiam e gostam da minha aula, adoram minha didática e metodologia e vêem realmente o meu prazer em dar a aula. Meu ego vai nas alturas mas lá dentro de mim eu bem sei que isso é apenas o meu compromisso profissional comigo mesmo, my own ISO, meu controle de qualidade no que eu estiver fazendo.
Hoje, 9 embarques depois, ver que de 35 matriculados, tenho cerca de 95 (sendo que somos 120 a bordo), é maravilhoso. Graças a Deus alcancei todas as metas (média de 92% por embarque) e tenho alunos sensacionais. Mas tá faltando algo... Tá faltando aquela paixão e satisfação que vejo há 29 anos escancarado no rosto da minha mãe. A alegria de estar dentro de sala de aula, dentro da escola, de ver a evolução do aluno, da cartinha que recebida, de ver os alunos dela, hj, formados e bem de vida. Isso, apesar de me orgulhar dos meus alunos falando e entendendo inglês e comentando que o que foi dado em sala de aula foi útil...eu acho que não terei.
Aos meus professores e àqueles que fizeram diferença enorme na minha vida, à esses sim meu sincero e enorme agradecimento e desejo de coisas boas sempre. Entre estas, melhor salário, melhores condições de salário e respeito...muito mais respeito de todos nós.
À minha mãe, melhor educadora não há. Exemplo de profissionalismo e, apesar de nunca ter tido aula com ela, melhor professora do mundo.
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