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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Faroeste Caboclo!

* escrevi 3x caboclo, pensei, repensei, escrevi errado, travei a língua e joguei na net pra saber se estava escrevendo certo. É, sou dessas. Mas vamos ao que interessa.

Eu abomino política. Abomino do verbo tenho nojo mesmo. Só tirei meu título aos 18 anos. Meu primeiro estágio foi na câmara dos vereadores e olha, meu chefe - vereador, era honesto (aparentemente, até virou vice-prefeito depois), mas o que rolava ali dentro me fez, aos 17 anos sem a obrigação de votar ainda me fez ter certeza de que é um ninho de cobras, um chiqueiro, a casa da mãe Joana, algo do tipo: farinha pouca meu pirão sempre primeiro!

Quando eu cheguei na Holanda, me surpreendi com os 3 beijinhos dados ao cumprimentar alguém (alguém esse que você, já foi apresentado anteriormente, tem uma certa intimidade e o/a cumprimentou com um aperto de mão). Achei mais íntimo que em São Paulo, onde é apenas 1 beijinho (e eu sempre fico com a cara no vácuo perdida nos beijinhos quando em SP). Mais que o RJ, que são 2. E mais prático que em Vitória, que são 3 beijinhos, pra casar. Aí fica aquela palhaçada de "já casei!", "dá 3 pra casar!"..e eu continuo no vácuo. Se bem que a Holanda ajudou nisso tudo: aperto de mão, estamos aí pra isso. Beijinhos e cumprimentos mais íntimo apenas para os amigos. Amigos, não colegas e conhecidos. Holanda ajudou a ver quem merece meu chamego mesmo!

Ok. Mas em que o primeiro parágrafo está relacionado com o segundo? Bem, aqui na "dorpje" tudo.

Eu moro numa dorp e amo. Se for traduzir ao pé da letra, dorpje é uma aldeia. Maastricht, 5min aqui de casa, é um Stad (cidade, além de ser a capital da província de Limburg). Mas na verdade dorpje é uma vila, um vilarejo. Pra mim, seria uma cidade sem ser considerado cidade, pois tem menos de 10.000 habitantes (o que dá ao local o título de dorp). Tem huisarts, AH, Hema, Blokker e Kruidvat (necessidades básicas de um holandês) e, consequentemente, gemeente - prefeitura, que administra a minha dorp que é grande em relação às dorpjes around (acredito ter dado um nó na sua cabeça, mas entenda que dorp é uma cidade pequena e por isso, todo mundo se conhece).

Se eu não me engano, quando ainda estava por aqui como Aupair - já com o Querido -  (2009? 2010?), teve eleições fora de época aqui na cidade - Holanda é mestra nisso quando dá pt nas lideranças - e o que me chamou atenção era porque o prefeito tinha aprontado alguma e com isso o partido todo tava queimado e Querido, que precisava viajar a trabalho, autorizou a Sogritcha a votar por ele. Enfim, um novo prefeito assumiu, quase ninguém gostava do que assumiu, trocaram 6 por meia dúzia e vida que segue.

As sessões dos wethouder (tradução direta pro português: vereador) eram abertas e o pau quebrava. Tipo sempre! E vereador, sabe como é, é tipo eu e você assim, anda na rua e é amigo de todo mundo.. Com certeza você tem um conhecido que é, foi, será ou quer ser vereador. Pois é, também temos um desses aqui. Que, por sua posição dentro junto aos wethouder, não era dos mais queridos junto aos colegas de trabalho, mas, fazendo seu papel direitinho em relação aos direitos e obrigações da cidade/dorp. No início do ano passado, pediu pra sair, tornando-se um Oud-wethouder.

No fim do primeiro trimestre do ano passado, minha dorpje caiu na boca da galera aqui em Limburg por conta de falcatruas e otras cositas más.

Durante esse carnaval, um Wethouder querido por muitos, "odiado pelo mesmo tanto dentro na política", eleito pelo povo com trocentos votos, afastado, reeleito com o dobro, considerado bem amigável por muitos (as vezes até demais), dentro de um pub deu um beijo em uma Senhorinha. O beijo da morte, diga-se de passagem.

A Senhorinha (que deve ter entre 40 - 50 anos) é irmã/parente/amiga/conhecida/puxa-saco sei lá o que do arqui-inimigo (oi, nova regra ortográfica!?) do "Wethouder querido por muitos" o denunciou por abuso sexual. Oi? Isso mesmo. Um beijo (segundo ela, teria forçado um beijo de língua, por outros apenas um beijo na bochecha) dentro de um pub lotado, na frente de todo mundo, segunda feira de carnaval, virou caso de polícia.

Acontece que a polícia não fez nada e a imprensa, mídia, gemeente e inimigos caíram de pau. Lembre-se, estamos falando de uma dorpje. A dorp + dorpjes que fazem parte da minha Gemeente, num total de 20.000 habitantes que votam, mandam, se metem...enfim, é pouca gente e a notícia corre. A pressão foi tanta que, 2 semanas depois, numa terça feira, encontraram o "Wethouder querido por muitos, odiado por outro tanto" morto no curral. Suicídio.

E aí a guerra começou de vez. As sessões na Gemeente foram suspensas, o prefeito xingado, wethouders odiados, investigação policial e ameaças. 1 semana depois o velório e missa foram acompanhados ao vivo pela L1. No fim de semana depois, o tal Oud-Wethouder amigo nosso acordou com tinta vermelha jogada no muro de sua casa e no carro, acompanhado de um bilhete fazendo-lhe ameaça de morte, por conta do suicídio do "beijoqueiro", como alguns se referiam.. 5 dias depois outro bilhete. Semana passada outro bilhete pra outro Oud-Wethouder - do mesmo partido do do nosso amigo, no mesmo estilo. Como a polícia não fez nada e moradores do prédio construído pelo mesmo também receberam bilhetes com ameaças, a mídia acabou sendo a melhor saída. Domingo passado a dorp foi parar em rede nacional. Sexta feira, voltando do trabalho vi camera e um reporter praticamente implorando (ele tava cercando a galera) por informações. A pergunta era: "wat denk je over politiek in Meerssen?" (o que vc acha da politicagem em Meerssen?). Enquanto estava no pin automaat a resposta que ouvi era a mesma: "Sorry, maar ik wil niks zeggen!" (Desculpe, mas não quero dizer nada.).

Eu ainda acho isso tudo um absurdo porque, do lugar de onde eu venho, político que não beija, abraça, pega no colo não é eleito. Como que alguém que saiu da política e por conta disso acabou "dando poder" ao "Beijoqueiro" ser culpado por um suicídio? Com isso tudo, a Gemeente aqui tá o samba do criolo doido. Ninguém sabe de nada, sessões ainda restritas e o pau quebrando. Prováveis eleições? Ninguém sabe! Meerssen de volta pra Maastricht? Quem sai ganhando é o Stad que receberá cerca de 20.000 novos eleitores.

Feliciano não me representa (tá na moda dizer isso né?!) Lula nunca me representou. Dilma, FHC, Wethouders também não. Nem a Tia Bea! As vezes eu me pergunto se realmente queria ser um cara pintada (apesar de serem orientados por alguém que hoje aperta a mão do maior inimigo na época, eles acreditavam). Eu nunca pensei que aqui seria um mundinho encantado e perfeito onde tudo aconteceria num passe de mágica. Longe de mim (em 2006, logo antes de chegar na Holanda pela primeira vez, Tia Bea colocou ordem no puteiro, cancelou tudo, mandou todo mundo votar e não deu em nada!). Mas hoje em dia tá difícil acreditar nos políticos e tudo (e qualquer coisa) que os envolve. É cada um por si e salve-se quem puder. Dessa maneira!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Gumball?!

Como já falei um dia desses - e provavelmente num post perdido em 2007 - dia 30 de abril foi dia da Rainha. Quem sabe amanhã (ou depois, ou não) eu explico e falo um pouco mais sobre esse tão esperado feriado na Holanda. 


Enfim... Com o feriado, o Querido pegou alguns dias de férias (quando eu entender tudo direitinho, explico melhor sobre leis trabalhistas, benefícios e tudo mais nas bandas holandesas). Sendo assim, ele está free desde de 30 de abril até 5 de maio - outro feriado por aqui (esse ano, comemoração dos 65 anos de libertação e durante o dia, todos estão convidados aos 2min de silêncio). Não programamos nada pq estamos sem grana! E porque no final de junho ele tem 1 semana de férias de verão e em agosto/setembro + 2 semanas. Ou seja, melhor ficar em casa - e cuidar dela - do que sair gastando por aí.


Não fizemos muitos planos mas não esperávamos 4 dias de chuva e frio nas bandas de cá. O que dá uma preguiça maior ainda. A meta era limpar e organizar. Estamos conseguindo. Varanda, done. PC room, almost. Stuffs - muuuuuuuito - saindo. Mas, tínhamos algumas opções. Entre elas, o GUMBALL 3000. Pra quem, assim como eu até semana passada, nunca tinha ouvido falar, clica aqui e saberás do que se trata. Eu acho que o GUMBALL é o sonho de todo homem: carros caríssimos e sair por aí fazendo tudo o que não pode nas estradas. 


O papo sobre tal evento começou na terça feira passada. Mas foi tão comentado que até eu - que não entendo NADA de carros - fiquei empolgada. E como há um Mini Cooper - carro dele - na jogada, ficou meio obcecado.
O Gumball é uma corrida ilegal realizada por algumas pessoas que não sabem o que fazer com dinheiro e gastam em carros, viagens caríssimas e festas. Nomes como Xzibit e David Hasselhoff (aquele mesmo do Baywatch) estão envolvidos.


Há alguns anos a Holanda entrou no roteiro deles. Claro, Holanda, o país do sexo, drogas e rock 'n' roll. Tudo o que todo mundo pensa né!? É! O único porém é que a Holanda tbm é o país das regras. E um país que adora se mostrar como O certinho. O dono e cumpridor das regras. E, claro, o Gumball entrou na jogada. 
Segundo o Querido, há cerca de 4 anos o Gumball passou por Amsterdam e a polícia bloqueou com 14 carros de polícia e mais uns 5 que se envolveram na corrida e apreenderam carteiras de motoristas e tudo mais, pq a galerinha tava dirigindo cerca de 50km/h a mais que o permitido.
Por conta disso, 2 anos depois, eles cortaram caminho pelo sul da Holanda, a província de Limburg (diga-se de passagem, pertíssimo da casa do Querido), pra fugir da polícia e seguirem direto e mais rápido paras as autobans sem speedlimit da Alemanha. Daquela vez deu super certo. Tanto para eles como pro Querido, que viu os carros de pertinho.


Esse ano a coisa ficou mais restrita. A chegada deles estava prevista para sábado a noite em Amsterdam. Até cogitamos a idéia de irmos para lá, maaaaaaaaaas, como as coisas ficaram bem fiscalizadas, resolvemos pensar melhor e desistimos de encarar 2h de carro pra chegar em uma Amsterdam pós dia da Rainha e com a incerteza do roteiro deles. Pois bem, dito e feito. A polícia pegou pesado com eles. E esse ano não apenas na Holanda, mas como na Bélgica. Helicópteros e caminhões espalhados por todo o país e fronteiras para detê-los. Alguns passaram. Outros ficaram. E, segundo o @gumballofficial e outros links que o Querido - que não gosta do twitter mas criou, não utiliza, mas os segue - o Mini Cooper conseguiu passar e teve que esperar bastante pelos outros.


Anyway, eu, que me interesso apenas em saber se o carro anda ou não, agora estou acompanhando, vendo e curtindo carros de corrida, exposição, corridas ilegais e não entendendo o por quê da polícia holandesa estar mais preocupada com carros mega caros do que com otras cositas mas. Espero que seja a falta de acontecimentos nas bandas de cá. O que na verdade...não é!