segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Waarom???

Considerando os seguintes itens:


* boy band;
* cantam bem;
* vestem-se bem (ou pelo menos tentam);
* são bem apessoados, como diria minha avó;


ME EXPLICA POR QUE TEM QUE CANTAR FAZENDO ESSAS POSES, CARAS E BOCAS?!?!?!









aaaaah....
A Holanda, seus artistas, cantores, suas músicas...




#nãotáfácilpraninguém

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Depois a culpa é da tv...

Já falei (aqui, aqui e há alguns dias) sobre Sinterklaas nesse blog. E com certeza falarei mais e mais. Só que dessa vez não necessariamente sobre ele pessoa, mas sim sobre ele produto. Eu acho. Sei lá.
Enfim...


Como disse alguns posts atrás, Sinterklaas chega na Holanda na metade de novembro. Ou seja, nesse exato momento "Sinterklaas está entre nós!" Não, eu não acredito em Sinterklaas, Papai Noel e/ou derivados. Quando criança até ouvi o barulho dos sinos das renas (alocka total!!!) eu ouvi. Mas eu, de verdade, acho simplesmente fofa a comemoração do Sinterklaas aqui na terra das tulipas.


Só que esse ano ele chegou para os adultos. Foi lançado semana passada o filme SINT. Trata-se de um filme de terror (trash, na verdade) onde Sinterklaas é o grande vilão da parada. Pelo o que eu entendi, trata-se de uma lenda em cima da lenda. Sinterklaas volta vingando a morte de seus companheiros matando muitos, até que um sobrevive e aí começa a busca por Sint com tudo o que tem direito: Witte Paard (cavalo branco), dezembro, crianças, Zwart Piet, navio, Amsterdam, pepernoten e por aí vai.





(achei esse link do trailer com legendas em inglês)


O filme, como no trailer acima, não é nada hollywoodiano (digamos que é até uma grande produção para o nível holandes de cinema). Mas a estória em si, deixa a desejar. Pelo menos é viagem demais pra minha cabecinha. Mas o grande porém é o bafafa que tá dando.


Me lembro que em agosto ou setembro, quando foi lançado o cartaz do filme, numa entrevista no jornal principal da tv, algumas pessoas comentaram que não gostaram muito e estavam preocupadas com a reação de seus filhos ao irem ao cinema e verem Sinterklaas montado no cavalo branco numa noite de 5 de dezembro mas com o rosto em forma de caveira. O trailer chegou às tvs tendo como trilha sonora músicas tradicionais cantadas para o Sint. Até aí tudo bem, a classificação é de 16 anos.


Hoje, no jornal do horário nobre, uma das reportagens era sobre um Padre e um Prefeito de Bari, uma cidade da Itália onde está localizada a Basílica de São Nicolau, que estavam contra o filme e achavam um desrespeito com São Nicolau. Sim, o santo. Alegando que o filme deveria ser revisto e que a Holanda está agindo contra a imagem do santo.


O Ministro de Relações Internacionais foi contactado via Embaixada da Holanda na Itália e Embaixada da Itália na Holanda e informou que nenhuma atitude seria tomada. E que qualquer reclamação deveria ser feita diretamente aos produtores do filme. Ao saberem do "bafafá" sobre o filme, os produtores reagiram com uma bela gargalhada.


Eu, produtora do filme fosse, teria a mesma reação: gargalharia.
Não consigo entender o porque da igreja católica, do prefeito da cidade ou de 1 simples pessoa fazer um bafafá em algo que tem mais poder positivo do que negativo. Filme nada mais é que uma obra de ficção e quando não é, não é tratado assim tão trash, tão descaradamente irreal, surreal.


Dia desses vi uma reportagem onde mães holandesas reclamavam que cartazes da Heineken espalhados pelo campo onde seus filhos treinam hockey, futebol ou o que for, influenciavam a bebida. Fazendo com que eles, crianças e/ou pré-adolescentes estivessem expostos a bebida por conta de billboards espalhados pelos campos. Um conselho de pais de crianças que lá treinam foi formado e os cartazes são retirados do campo durante o treino de crianças.


Hallo!!!! Sério mesmo que um cartaz tem mais poder do que a influência dos amigos, dos exemplos familiares, do que é visto dentro de casa?? Isso sem falar que qualquer esporte precisa de patrocinadores...mas enfim.
Sério mesmo que um filme de terror vai difamar o São Nicolau?


Acho que a galera hoje em dia tá um pouco com preguiça de orientar, guiar, ensinar, educar...colocando sempre a culpa nos outros, na tv, na publicidade e blablabla.
Sim, eu sei o poder dos meios de comunicação. Mas sei e acredito ainda mais nas palavras que meus pais, avós, tios, professores me ensinaram.



segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Noodweer

Aaaaah, novembro. Doce novembro...
Doce novembro my ass!!!  Porque de doce só deve ter a quantidade de chocolate que eu como em casa nesse frio. Porque novembro de doce mesmo, não tem é nada! É molhado e ponto. Ou, como dizem por aqui, "nat nat nat en vies weer".

Sendo assim, semana passada eles avisaram da probabilidade de muita muita muita muita chuva e/ou tempestade para o último fim de semana. 
Quinta feira, com o 11devande11 a profecia se cumpriu. Choveu sem parar de 12h às 17h. Mas a sexta feira seguinte amanheceu sem chuva, até com um solzinho safado dando o ar da graça. Mas, como sempre, foi eu colocar o pé na rua e a chuva começou e simplesmente não parou.
Não posso dizer que foi tempestade mas também não foi um simples chuvisco. Choveu o suficiente para que fosse ouvido de todas as bocas holandesas: "wat a vies weer!" (algo como, "Que tempo podre!" - traduzido a pé da letra).

Sábado de manhã, ao acordar, demos de cara com essa laminha descendo na rua de casa (sim, tem morros em Limburg). Nada que preocupasse. Mas a situação mudou de figura 1h depois...quando demos de cara com tudo enchendo na rua ao lado. 

Até se transformar no vídeo abaixo:


E assim ficou por cerca de 2h, 3h. Os bombeiros chegaram cerca de 10min depois que começou. Na rua aqui de casa a coisa não foi tão feia assim, mas a rua paralela é essa que de onde eu filmei.
A garagem subterrânea encarou 34cm de água - para desespero do Querido pois é lá que ele estaciona o Mini - e muitas folhas caídas por conta do outono.


A água desceu, todos filmaram (inclusive a minha foto foi capa do site l1.nl (site de Limburg) e ainda saiu na televisão com meu nome no canal de Limburg - pena que eu não vi, mas a Cunha, a Sogra, os tios do Queridos, todos viram e ligaram para saber se eu era a tal Taís Carvalho [me achei sim!!]), os bombeiros colocaram barricadas na frente das lojas Meerssen e todo o sul da Holanda foi destaque nos jornais do país. No sábado a noite a rua voltou a encher novamente, pelo mesmo motivo, com os mesmos bombeiros mas dessa vez sem a presença de todos e filmagens e blablabla.

A coisa não foi assim tão bonita de se ver. A chuva só parou de vez ontem (domingo) a noite. Mas mesmo assim a situação não é das melhores. O rio Maas - que nasce na França mas banha a Bélgica e grande parte de Limburg - está mais que acima do nível normal e alagou muitas casas, principalmente na Bélgica, onde a situação não foi das melhores.

A chuva deu uma trégua hoje. Mas a previsão do tempo já avisou que a chuva volta a partir de quinta feira e que na próxima segunda daremos boas vindas (oi?) ao inverno, com temperatura máxima de 7 -10C.

É...acho que tá na hora de escapar pro Brasil e/ou passar na loja e comprar novos jogos pro Wii, Xbox e entrar na fila pro Kinect. Porque sair de casa a partir de agora...só em extrema necessidade!

domingo, 14 de novembro de 2010

Onze do Onze às Onze

Em 2006, quando fechei com a família onde seria Aupair por 1 ano, a última coisa que desconfiava era que a cidade onde moraria, Maastricht, era praticamente a capital do carnaval na Holanda. Só soube disso na semana que cheguei à cidade, segunda semana de janeiro de 2007, e dei de cara com os pubs todos decorados para o carnaval. Ou melhor, todos decorados em vermelho, amarelo e verde - as cores oficiais do carnaval da província de Limburg.


Assim como no Brasil, o carnaval nas bandas de cá (bandas de cá mesmo, exclusiva de Limburg. O restante da Holanda não tem noção da existência de tamanha festa) é realizado nas mesmas datas e acontece pelos mesmo motivos - Limburg é a única província católica da Holanda.


Mas se você pensa que o carnaval acontece apenas nessas datas, está muito enganado. Assim como no Brasil o Carnaval aqui começa bem antes da festa oficial. E, como todo lugar carnavaleiro que se preze, tudo é motivo pra festa. Mesmo que não se entenda o motivo. E é por isso que, desde 2000, a abertura oficial da "Carnaval Seizoen", como eles chamam por aqui, acontece todos os anos no dia 11/11 às 11h. Por que do 11? Eles dizem que é um número louco, "de gek nummer". Agora, a explicação do porque do número 11 ser um número louco, isso ninguém sabe me explicar.


Assim como o Carnaval, 11devande11de (esse é o nome do evento) é uma típica festa da província de Limburg. Alguns hollanders - os limburgs chamam qualquer holandês que não mora em em Limburg assim - podem vir mas não irão entender muita coisa, já que a festa é toda falada e cantada em Limburgs - dialeto daqui (que de 10 palavras eu entendo 1, faz uma confusão na minha cabeça e que o Querido e família decidiram que eu já estou apta a aprender. Aham, senta lá, Claudia!).


Limburgs é um dialeto. E como todo dialeto, é passado de pai pra filho, de geração pra geração e aprende-se em casa. Na escola as crianças são alfabetizadas em holandês como no resto do país. Mas em casa a língua oficial é o limburgs. E, acredite se quiser, há a forma escrita que não é considerada uma escrita oficial. É como se eles escrevessem da forma que eles falam. Complicado né!? Mas dá pra fluir.
Pronunciar o limburgs (lido) é mais fácil que pronunciar o holandês, pois o dialeto - para alegria de povos da língua latina - tem muito mais vogais nas palavras. Mas mesmo assim, a pronúncia só é perfeita quando for falada por limburgs. Ah, pra alegrar ainda mais, tem o limburgs oficial e tem o dialeto de cada cidade e/ou vila daqui. Ou seja, Maastricht tem seu dialeto próprio, Roermond, Venlo, Sittard, Bunde, Meerssen...e por aí vai. Nem preciso dizer que alegria de limburgs é ir pro Norte da Holanda e tirar onda falando o dialeto e ninguém entendendo absolutamente nada do que eles falam.
No carnaval desse ano o namorado de uma amiga veio pra cá. Ele de Utrecht ficou beeeeeeeeeem confuso com a língua. Normal, né?!


Vrijthof - 11devande11de 2010

Enfim, o Onze do Onze aconteceu na quinta feira debaixo de muita muita muita chuva, vento e frio com mais de 10 mil pessoas curtindo a festa cantando e dançando em limburgs.
A temporada de carnaval foi realmente aberta - no próximo fim de semana começam as LiedjesKonkoer (concurso de músicas). Em dezembro as coisas meio que param por conta do Sinterklaas e Natal, mas a partir de janeiro as festas de carnaval vão que vão - pelo menos nas bandas de cá.
E ano que vem acho que terão várias, já que o carnaval será apenas em março...E depois disso? Bem, depois disso será a preparação para o próximo 11devande11de. Já que ano que vem será 11/11/11 às 11h. É...acho que ano que vem será louco mesmo!




Sjiek is miech dat - Fabrizio (essa foi A música do carnaval de 2010. Tocou [e ainda toca] sem parar.) Com a letra...em limburgs pra vocês se divertirem!


domingo, 24 de outubro de 2010

Ele é um colosso!!

Até os 7 anos de idade eu tinha pânico de cachorro. Não era medo, era pavor mesmo. Não podia ver um cachorro do outro lado da rua que já agarrava quem estivesse ao meu lado. Como sempre morei em apartamento, não tinha problemas com cães na "vizinhança". Mas quando íamos a Arraial do Cabo, por exemplo, na casa de praia, sempre visitávamos um casal muito amigo dos meus avós que tinham 3 beagles e ir lá era um desespero. Eu sempre dava bafão, subia no sofá, gritava, chorava...um caos. Mas eu, como criança, era atração pros cãezinhos.


Aos 8 anos, fui com minha tia na casa de uma amiga dela que tinha uma fêmea Akita que estava com os filhotinhos de 30 dias, no máximo. Uma casa enorme, um quintal gigante, as outras crianças que deveriam estar lá não estavam, os brinquedos só de meninos... me restou ficar no quintal. Os filhotes estavam numa caixa gigante brincando e lá fui eu bem devagar e sozinha brincar com eles. Não me lembro exatamente como foi essa aproximação, mas fecho os olhos e vejo perfeitamente a cena da minha mini pessoa sentada no chão com uns 5 filhotes em cima de mim e a mãe Akita deitada pedindo um certo carinho. Naquele dia curei - sozinha - meu pavor por cachorros e decidi: também queria ter um cachorro.
A aproximação com outros cães foi surgindo gradativamente. Mas não dava bafão e, pra alegria dos meus pais, eles podia visitar amigos e conversarem tranquilamente sem euzinha no colo.


Mas sempre tive medo de cachorros com histórico popular agressivo: Pitbull, Rottweiler, Fila, Doberman... Me lembro que uns amigos tinham uma Doberman, chamada Minnie, que eu só via de longe e qndo estava dentro do canil e, de uma família de 5, apenas 3 se davam bem com a Minnie. No Natal e Ano Novo geralmente estávamos em Arraial - o apartamento deles era embaixo do nosso - e em um dos anos, o Tio J. chegou do RJ com a notícia que Minnie tinha morrido porque sabe lá como ficou presa no terraço e teve um ataque do coração por conta dos fogos do Reveillon. 
Foi a primeira vez que vi alguém chorar por conta de cachorro. Eu tinha uns 11 anos, eu acho. Foi estranho, mas não liguei muito. Nem eu nem a M., "dona" da cahorra que não gostava muito. Pra gente era um motivo para andarmos tranquilamente no quintal sem a Minnie por perto.


O tempo passou, mudamos de casa, cidade, Estado mas a vontade continuou: queria ter um cachorro. Com a desculpa de morarmos em apartamento, eu ser muito nova...não alcancei o obejtivo. Até que, aos 20 anos, ganhei de presente de uma das minhas melhores amigas o Toy, meu Lhasa Apso gostoso toda a vida. Que chegou (de propósito) 2 meses após a separação dos meus pais. O Toy foi mais que um presente, ele chegou, e surpreendeu minha mãe que deu de cara com ele quando chegou de uma viagem ao RJ e foi paixão a primeira vista.


Toy sempre foi muito mimado, mas nada comparado aos mimos que os cães tem aqui na Holanda. Nas bandas de cá os cães são caros, caríssimos. Além das mais variadas raças. Não sei se vocês lembram da abertura da Tv Colosso, mas por aqui eu já vi andando nas ruas todos os cachorros que aparecem na abertura do programa (hahahaha). A quantidade de parques espalhadas pelos bairros são de propriedade, praticamente, dos cães. Lá eles correm, treinam, fazem o que querem. E, o melhor, espalhados pelos parques você encontra latas de lixo com saquinhos plásticos (pelo menos aqui em Maastricht tem) para as necessidades do seu cachorro.


Cachorro aqui também tem privilégios. Anda de trem (a primeira vez que vi foi um Yorkshire comendo e bebendo tranquilamente num assento ao lado do meu, sem contar nos Labradores que tomam conta do corredor - que já é estreito - e ficam lá de boa, sem latir só curtindo a viagem), tram, metrô. Vai à restaurantes, entra na farmácia, na loja de calçados, viaja no bagageiro do carro, vai na cestinha da bicicleta, tem um carrinho de bebê especial só pra ele e só não entra no supermercado. Vai até festa de aniversário de adulto (um amigo do Querido trouxe o cachorro dele pro aniversário do Querido - contra minha vontade - : aqui em casa [apartamento] e com umas 30 pessoas dentro, fiquei com dó do cachorro que ficou quieto debaixo da mesa).


Os pais da minha host tinham um Berner Sennenhond, a Wanda (eu ainda terei um Berner, é lindo demais!). Wanda é um doce. Foi me buscar na estação e foi a Aupair nr.2 quando fomos para Gstaad, na Suíça em dezembro 2007/2008. Pra onde eu ia com as crianças, Wanda ia atrás. Só carinho comigo e com as kids. Mega obediente. Mas não só a Wanda. O velho do Diesel, um Golden Retriever da irmã da host também. Só não era dos mais amigáveis porque já estava beeeeeem velhinho.


Os cachorros holandeses são bem obedientes. A galera curte treinar a cachorrada tipo Dog Whisperer (um programa da National Geographic, acho que o nome em português é "O Encantador de Cães")Mas também, tem que curtir treinar mesmo para dar valor a grana investida para ter um cachorro aqui. Cachorro é caro. Ainda mais de raça (nunca vi um vira lata por aqui, ou raça desconhecida) e com Pedigree.


Cachorro (e gato também) na Holanda tem chip, passaporte e tem que estar em dia com toda a vermifugação. Além do dono ter que registrar o cachorro na prefeitura pagando um valor que varia entre 80€ e 100€. E caso vc tenha um segundo cachorro, o valor aumenta. E assim sucessivamente. O valor, geralmente, é a partir de 400: raças pequenas, com pedigree, conhecendo a procedência e de criadores de verdade. Mas nem todas as raças pequenas são as mais baratas. Ano passado, o sobrinho do Querido ganhou de um amigo o Gregor - um Chiuaua - de aniversário. Fomos checar o preço e descobrimos que ele custava cerca de 1.400€. Gregor foi embora e vei Gilbert, um Basset Hound. Gilbert custou nada mais nada menos que 900€ e foi comprado de criadores em Zeeland (isso pq a Cunha mora aqui em Limburg, ou seja, 186km longe daqui). 


Mas sei que Golden Retrievers, por exemplo, não custam menos que 900€. Ter um cachorrinho saudável custa e custa muito (muito mais que no BR, por exemplo). Como em todos os lugares, há golpistas para essa área também. Muita gente vende cães mais baratos, sem pedigree e tudo mais, mas que são criados em fazendas e com um background repleto de doenças. O que vai te custar mil vezes mais caro quando você pegar a conta do veterinário - que, obviamente, não é nada barato.


Väos, um Hollands Schapendoes (derivado de Sheep Dog), mais conhecido como The Hairy Dog ou, cachorro da minha sogra, tem 5 anos e há 2 semanas teve que fazer uma cirurgia de 3h por conta de pedra nos rins que não estavam nos rins mas escondida em algum lugar, deu-nos de presente uma conta de 830€. Toy que fez uma cirugia mais complicada esse ano e ficou durante 1 mês entre clínica, hospital e não sei mais o que, não chegou a tanto.


Enfim, ter cachorro na Holanda é artigo de luxo. Mas como tem solução pra tudo, há várias casas de adoção - asilo para cães - onde você pode se inscrever, fazer uma entrevista e escolher o seu cãozinho que já vem todo trabalhado na vacina, com chip e passaporte. Muitos cachorros vem de fora da Holanda (Espanha, Grécia...) para serem cuidados aqui e colocados para adoção.


Enfim...cachorro é (sempre) caro mas é um amor sem fim! E eu tô morrendo de saudade e doida pra agarrar muito meu Toyzinho, catoiiiiinho fofo!!!

domingo, 10 de outubro de 2010

Het Feest!

Se tem uma coisa que me faz tremer aqui na Holanda é saber que tenho uma festa para ir.
Tudo começou quando tinha 3 meses de Holanda e uma família amiga da minha host family me convidou, em abril, para um BBQ (que eu acho uma falta de respeito chamar de churrasco, e nem vou entrar no mérito de explicar, pq né?! não dá!) que aconteceria dia 22 de junho.


Na hora eu achei engraçado. Pensei: "como assim? Sabe Deus (literalmente) qual será a temperatura, convidar com 2 meses de antecedência e blablabla mas quando vi a reação da pessoa fiquei foi sem graça. Expliquei que no BR é tipo: hj tá sol, vamos fazer um churrasco! Ou, se der sol no sábado, vem pra cá pra gnt fazer um churrasco.


Enfim, passaram-se os 2 meses, o dia da festa chegou, o tempo não estava dos melhores e a festa me fez ter um trauma que será eterno. Pessoas reunidas ao redor da mesa, uma música péssima ao fundo, um churrasco de hamburguer, salsicha e costela de porco. Sem dizer que ao chegar, por volta de 18h, a entrada foi café com 1 biscoito. E, como era num sábado - minha folga - inventei uma desculpa e fugir da festa antes dos meus hosts.


Isso, sem contar, a festinha de 2 anos do meu kid, em maio/05. Eu, A brasileira que ama festa infantil, dei várias dicas do que fazer, fiz brigadeiro, enchi bolas e coloquei no jardim...E quando me empolguei demais, a host veio com um balde de água fria me convidando 5 crianças e 15 pais. Cantando parabéns com um pedaço de torta de cereja beeeeeeem holandesa e deixando os brigadeiros para eu comer sozinha, pq, é doce demais. Isso pq minha host family naquela época era franco-italiana.


O tempo passou e, como aupair, as festas eram mais infantis. Mas, mesmo assim, difíceis de engolir.
Quando voltei para o verão com minha host family de Amsterdam, encarei 2 aniversários. Estávamos na França, sol, praia e alegria. Mas nada digno de uma festa para as kids e sim, para os pais. Os 5 anos da V. foi comemorado com um passeio no barco do avô levando a gnt para uma das praias baladas próximo a Cannes. O porém? V. tem necessidades especiais, não pode andar sozinha e ficou sentada no meu colo o tempo todo. O almoço por lá regado a peixe, nada agradou o paladar das crianças, que comeram nuggets e batata frita na praia. Os pais e os avós juram que ela amou a festa. Eu bem sei que ela gostou da farra de sorvete qndo cantamos parabéns para ela no jantar em casa. Os 3 anos do N. tbm não foi dos melhores, mas sei que ele amou: presentes e 1 velinha para ele assoprar.


Ano passado, já com o Querido, as festas, obviamente, aumentaram. A primeira foi a da cunhada caçula. E mais uma vez a tal mesa estava lá presente, várias cadeiras ao redor, música ao fundo, chips, cerveja, amendoim...e só. Aos que chegaram mais cedo, café! (!!!!). E a festa foi assim a noite toda. Eu e uma amiga brasileira que era aupair no mesmo bairro dos pais do Querido, demos de presente 2 garrafas de cachaça: 1 para fazer caipirinha na hora e outra para ficar de presente. Fizemos e aí sim parece que a coisa começou a andar. Levando em consideração que eles não deram mto conta da caipirinha...
Já o aniversário do Querido, ano passado, foi um pouco mais agitado. Mas acho que foi pq não servimos café no início...


2010 chegou, a vida de aupair acabou, hj em dia, com o Querido, os aniversários triplicaram. E a vontade de não ir a eles, também! Esse ano, o niver da cunha caçula foi um desastre. Após 1 semana de sol intenso, a chuva caiu pra valer em maio colocando todo mundo pra dentro de casa e nos levando pra casa por volta de meia noite. Entre junho-agosto, verão, foram vários "churrascos" e eu morrendo de fome e explicando a todos o que é um churrasco de verdade - dessa vez com a ajuda do Querido que, por ter ido ao BR em dezembro do ano passado - tbm não chamava o BBQ de churrasco. Como agradecimento ao convite, sempre levava uma sobremesa brasileira: mousse de chocolate, brigadeirão, mousse de limão...fazendo com que uma parte gostasse muito e a outra, educadamente comia apenas 1 pedaço. E olha que eu só coloco metade de açúcar que qualquer receita pede. Porque o paladar desse povo é complicado.


Mas mal sabia eu o que estava a me esperar. Do início de setembro, até hj, 10 de outubro, foram 10 festas (entre aniversário, formatura e festinhas no apê). Sim queridos, tremi! 


No aniversário de 3 anos do sobrinho do Querido, só a família e mais ninguém (3 crianças J. C. M. e os avós, Querido/Eu, Cunha Caçula/Namorado)! E olha que ele vai pra creche e tem vários amiguinhos por lá. A festa? acho que de infantil só teve os brigadeiros e docinhos de côco que eu fiz (tinha feito no niver do outro sobrinho em julho e eles amaram) e uns cupcakes coloridos. De resto: café e limburgsevlaai (foto ao lado). 


No mesmo fim de semana outros 3 aniversários. Teve de tudo: jantar com pessoas estranhas ao redor, sentados ao redor da mesa com bitterballen (salgadinho holandês que eu até gosto) com a tv ligada e pessoas assistindo um programa de tv a la Show de Calouros chamado My Name Is... e por último uma festa confusa: muitas pessoas, pouca bebida e zero de comida com música alta e muita gente em silêncio.




Entre festas de formatura - diferentemente do Brasil, onde temos baile e aquele catatau de festas, aqui não tem nada disso. Cada um faz a sua festa de Geslaagd (graduação) em casa - se quiser. Em junho foi a minha primeira Geslaagdfeestje, da prima do Querido. Terminou o que chamamos no BR de segundo grau. Poucos amigos da escola, muitos amigos de futebol e vááááários adultos. O auge das festas aqui é você alugar uma biertap. Tendo uma dessas na sua festa você ganha um certo status. Quanto mais cara a cerveja, obviamente, mais status vc adquire.


Em setembro foi o Geslaagdfeestje da cunha caçula que terminou o Mestrado e resolveu dar uma festa temática: Black&Pink - que tirou a família toda do alinhamento por tamanho stress que causou a todos - não pela festa em si, mas por ter feito muito barulho por nada. A princípio a idéia era comprar pizzas para o povo comer por volta de meia noite e a ninguém ficar com fome. (!) Pergunto eu a você, meu/minha caro(a): quem encomenda cerca de 20 pizzas para uma festa quando não se tem um forno apropriado para assar pelo menos 5 ao mesmo tempo? E você tem nada mais nada menos que cerca de 80 convidados?
Depois de muita confusão, chegou-se ao consenso de servir o que foi a nossa (minha/Querido/cunha2) idéia: pães, torradas, biscoito e vários tipos de patês e queijos, deixando a disposição de quem quisesse. Uma vez que já teríamos bolo e cupcakes que eu faria encheção de saco pedido da dona da festa, a cunha caçula).
Depois de muito planejamento, idéias dadas e rejeitadas acho que, finalmente, fui à uma festa boa!


Semana passada foi aniversário do Querido.Como outubro, normalmente, está mais frio e tudo mais, minha sogra fez um caldo típico daqui de Limburg: champignon au scargot. Uma delícia. Como nem todo mundo gosta, colocamos mais uma vez os patês, pães, chips, tortillas além dos cupcakes a là IT, profissão do Querido. Maaaaaaaas, alguns convidados chegaram cedo demais e eu, que terminava de me arrumar não pude impedir a atitude impulsiva do Querido, que é holandês: servir café pra quem acaba de chegar (sendo que compramos umas 5 caixas de cerveja, vinho tinto, rosè, prosecco, refrigerante...).


A mesa, que tinha recebido uma toalha linda e branca lavadinha, passadinha e bem cheirosa, tomou um banho de café que o convidado que chegou 45min antes do horário deixou cair em 5min de presença nessa casa que, definitivamente, me fez proibir o café em qualquer festa de aniversário! Mas, no geral, a festa foi um sucesso. Nada boring...apesar do café na início. Os mais velhos sentaram-se à mesa e eles eram poucos (sogritchos e ex-vizinhos que viram o Querido crescer) e todos ficaram em pé, como em qualquer festa que se preze.


Mas, engana-se você, que acha que minha tortura acabou. Até dia 5 de novembro, ainda tenho outras 4 festas para ir. Entre elas, a do sogritcho hoje a tarde: com direito a muito café e limburgsevlaai, de cereja e pêssego.


Ê laiá!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Eu - Modo de Usar

Pode invadir
Ou chegar com indelicadeza,
Mas não tão devagar que me faça dormir.
Não grite comigo, tenho o péssimo habito de revidar…
Toque muito em mim
Principalmente nos cabelos
E minta sobre a nocauteante beleza.
Tenha vida própria,
Me faça sentir saudades,
Conte algumas coisas que me fazem rir…
Viaje antes de me conhecer,
Sofra antes de mim para reconhecer-me…
Acredite nas verdades que digo
E também nas mentiras, elas serão raras
e sempre por uma boa causa.
Respeite meu choro,
Me deixe sozinha,
Só volte quando eu chamar e,
Não me obedeça sempre
que eu também gosto de ser contrariada
Então fique comigo quando eu chorar, combinado?
Me conte seus segredos…
Me faça massagem nas costas
Não fume,
Beba,
Chore,
eleja algumas contravenções.
Me rapte!
se nada disso funcionar…
Experimente me amar!
Martha Medeiros



p.s.: se vc não conhece Martha Medeiros, clique aqui e torne-se fã, assim como eu.

domingo, 22 de agosto de 2010

Mágico pra mim é...

Mais uma vez peço desculpas pelo abandono do blog, mas agosto nunca foi e jamais será meu mês favorito. Sendo assim, digamos que se acreditasse em astrologia, encheria a boca pra dizer que agosto é meu inferno astral. Ou coisa parecida.


Entre 2 semanas de garganta inflamada, Querido morrendo resfriado, um verão que desapareceu (mas que reza a lenda meteorológica que ele há de voltar), über stress por conta das visto coisas da vida, incerteza profissional, questionamentos e blablabla, encho a boca pra dizer (a la Kid Abelha) que amanhã é 23 e serão 8 dias para o fim do mês e acabar com agosto que não me desce o estômago desde sempre.


Há alguns dias recebi um convite da Fefa para blogar sobre o que é mágico para mim. Já tinha lido no blog da Line e desde então fiquei pensando no que era mágico pra mim. Não só pensando mas caçando coisas em mim mesma, na minha vida, meu passado, minha história, meu presente para saber o que era tão bom capaz de ser mágico.


mágico
(latim magicus, -a, -um)


adj.
1. Relativo a magia.
2. Que acontece por magia, sem explicação. =fantástico
3. Que encanta, seduz. = encantador, fascinante, maravilhoso



Na minha cabeça as listas vão de 1 a 100. Vou parar de pensar, escrever e ver no que vai dar. Sendo assim, mágico pra mim é...

  • saber e lembrar que os 8 primeiros anos da minha vida, diferente dos meus primos, eu pude experimentar um amor inagualável como o da minha avó;
  • ter, simplesmente, a melhor mãe do mundo e ver que, apesar de ter desejado o contrário várias vezes, sou absolutamente igual a ela e tenho orgulho disso;
  • ter estudado, poder estudar, ter sede de querer crescer;
  • minha imaginação, ela sim é mágica. Bob, do Fantástico Mundo de Bob perde perto da minha;
  • saber que meu avô guarda minhas fraldas;
  • ter sido criança na década de 80 e ter brincado de pique-esconde, amarelinha, queimada, ralado o joelho todas as vezes possíveis, destruído trocentas havaianas correndo no pátio do prédio, ter visto todos os desenhos do Xou da Xuxa, sonhado em ser a Flashman rosa, ter medo do Chuckie e ficar com medo do boneco do Fofão;
  • ter aprendido a cantar aos 5 anos (com meu pai no violão) Aquarela, de Toquinho e Vinícius, e nunca mais ter esquecido;
  • ter Arraial do Cabo na minha vida desde sempre e voltar a Praia do Forno e ver que uma das coisas mais belas sempre esteve ali;
  • viajar, conhecer culturas novas, seja ali ou lá;
  • contemplar a natureza, ouvir um passarinho, ver que meu primeiro girassol abriu hoje, olhar a lua e se perder nela, ver uma estrela cadente, dar aquele mergulho no mar;
  • ter hj, 21 anos depois, a melhor amiga que te mostrou onde era o banheiro na escola nova, aos 6 anos, fazia trabalhos da escola com vc, que após a mudança de Estado continuou presente na sua vida até hj compartilhando tudo;
  • saber por conta de uma viagem, uma reunião familiar, a idéia firmou e deu certo, juntando todos novamente;
  • se dar conta com uma simples palavra do quanto vc é importante para alguém;
  • decifrar o que os olhos e coração querem dizer e não a boca;
  • ver o quanto os dias sofridos na VASP foram os melhores e me tornaram a profissional que sou hoje;
  • olhar pra trás e ver que realizei meus sonhos e saber que muitos ainda estão por vir;
  • ter decidido aprender holandês e ter realmente aprendido;
  • o silêncio, os momentos sozinha; assim como o barulho e os amigos por perto;
  • ter vindo para Holanda e ter certeza que o melhor de tudo não foi a Holanda e sim as pessoas que passaram na minha vida E permaneceram;
  • ver os filhos/filhas de minhas amigas nascendo;
  • a internet: estar tão perto mesmo estando longe;
  • ter os melhores amigos que alguém poderia imaginar;
  • um abraço beeeeeeeem apertado;
  • ler comentários no blog e saber que 1 frase que você escreveu fez diferença na vida de alguém que vc, talvez, nunca conhecerá;
  • ser feliz comigo mesma, gostar de mim apesar de;
  • a fidelidade de Deus, o carinho dEle comigo, a misericórdia dEle na minha vida;
  • estar viva!
Uau! Foi mais rápido do que eu pensei...e me fez um bem em escrever tudo isso. Sei que tem mais...
Como você, eu odeio correntes, mas acho que vale a pena você colocar num papel, na sua cabeça, na sua mente, no seu blog, no seu diário o que é mágico para você. Não precisa passar pra ninguém para ter o retorno imediato. Basta escrever que você sentirá o quanto é bom.

Bem, meu convite vai para:

Luciana - Luz Pequicha


A foto!

Porque momentos assim, são mais que mágicos!
[Maastricht, setembro 2007]