sexta-feira, 24 de maio de 2013

Eu até queria, mas...

Durante o dia pensei no post que iria escrever agora. Mas aí...coloquei Querido pra fora (dei o maior apoio pra ele ir em uma festinha de um amigo agora a noite) enchi a banheira com todo e qualquer sabonete líquido que vi na frente pra ter muita espuma bem quentinha e dei um tchibum. Tchibum esse que me deixou mole, com uma preguiça e que já me trouxe pra cama, de pijama, debaixo da coberta pra caçar algo na tv...


A semana foi puxada. Apesar de ter só 4 dias (segunda foi feriado de Pentecostes), achei que durou uma eternidade pra passar. 
Hoje eu voltei acabada pra casa. Sabe o cansaço mental!? Então... Galera me sugou legal.
E depois de um jantar no restaurante grego onde sempre saio rolando  nunca consigo terminar o prato por conta do tanto de comida... Eu merecia um pouco de silêncio, um bom banho ba-banho ba-banho banho de espuma é muito legal na banheira, quentiiiiiiiinho, relaxante (nem tanto, coloquei o primeiro playlist no youtube e veio Glee! haha) e aaaah, que delícia (não que a banheira daqui de casa seja uma jacuzzi, mas ó, eu dou uns truques e adoro)!
Todo mundo merece uma sexta feira a noite assim de vez em quando!

Só que agora tô aqui: mole e sem forças pra digitar aquele post legal. 
Fica pra próxima.

Bom final de semana!



sábado, 18 de maio de 2013

Pássaros caindo do telhado...


Mais uma vez Anemia aprontou. Ontem cheguei em casa reclamando com o Querido que me deu uma olhada silenciosa do tipo: "Pára! Chega! Essa mulher é assim mesmo e só tá te fazendo mal. Você só fala sobre ela." E realmente. Preparando o jantar fiquei pensando em como ela me faz mal. Não apenas durante o trabalho, mas quando chego em casa e relembro as coisinhas pequenas que realmente incomodam (meio masoquista eu, né?!). Sendo assim, fiz um compromisso comigo mesma: tentar o máximo possível evitá-la em meus pensamentos, já que no trabalho, aos poucos, tudo tem contribuído para isso.

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Antes do começar o post, dá o play aqui e vai cantando pq eu prefiro a alegria de um passarinho a que eles caiam do telhado!

Lembro que quando cheguei na Holanda, nos idos de 2007, uma das músicas que sempre tocava nos pubs era Girls, da Anouk. Sem saber quem ela era, comecei a gostar do estilo musical da cantora. O tempo foi passando e descobri que Anouk era holandesa, famosa aqui na Europa e mãe de 3 filhos. Das músicas mais recentes, uma que eu gosto é I'm a cliche, de 2011, se não me engano. Mas tipo, gosto de uma música ou outra e ponto. Mas, depois de assistir umas entrevistas dela meio que passei a achá-la chatinha, insossa.

Foto: hubbe ze mich Pino toch platgereeje....
a bird felt from the rooftop!

Em dezembro, quando retornei à Holanda, ouvia uma música triiiiiste, mas bonita (entenda música por melodia e não letra). E pensava: "nossa, que música triste gente. Ao invés de alegrar, traz uma tristeza maior." O tempo passou, a música continuou a tocar e eu sempre repetia a mesma coisa. E o refrão ficava na memória: "birds falling down the rooftop, out of the sky like raindrops, no air, no pride..." Até que descobri que essa música iria representar a Holanda na Eurovision e desacreditei! Não que a música seja ruim, mas pra uma competição, eu com conhecimento zero de festivais, julgava uma má escolha, levando em consideração a vencedora do ano passado:  a sueca Loreen - Euphoria, que toca e te conquista, apesar da interpretação fraca no Eurovision 2012.

A Holanda nunca foi uma das melhores competidoras do Eurovision. Ano passado me fez o favor de mandar holandeses fantasiados de American Indians com um som que em nada lembrava o país, sem contar no Sha-la-lie num outro ano aí. Agora em 2013, enviando Anouk, eles contam com o fato dela ser internacionalmente conhecida - a nível Europa - diferente dos anos anteriores em que mandou desconhecidos.

A semi final foi na terça feira e dos 10 finalistas, a Holanda foi a última a ser chamada, ou seja, foi quase raspando! ahahahha Com exceção da Dinamarca (que eu acho que ganha porque a música é boa) e Bélgica, os concorrentes não foram assim tão espetaculares. A semi final de quinta feira teve músicas muito melhores e adorei que a Grécia - apesar de ter cantado em grego - foi classificada, detonando a crise grega e lembrando que, apesar de zona que tá por lá, álcool - Ouzo (aquela bebidinha que vc recebe quando vai a uma restaurante grego - é de graça. Suécia - país automaticamente classificado pras finais por ser o país que está recebendo o evento, já que ganhou ano passado, Itália, Espanha, UK, Alemanha e Portugal - se não me engano - sabe Deus por quê (alguém sabe!?) - já estavam automaticamente classificadas pra final.

Na quarta feira após a apresentação, Birds, da Anouk - foi a música que mais teve downloads de acordo com o site oficial. Essa semana TUDO e nada é motivo pra eles falarem da Anouk e seus Birds. Há 9 anos a Holanda não chegava numa final. No fundo eles sabem que não vão ganhar (Dinamarca é a grande favorita), mas acreditam que fica entre o top 10. Em algumas entrevistas Anouk não fez a menor questão de falar com a imprensa holandesa. Não compareceu à festa de abertura porque se machucou durante um bowling com a equipe. Apesar de não ter gostado da roupa que ela usou, o rosto/cabelo/make (acho digno termos o mesmo cabeleireiro! Aê Mazinho!!) estava ótimo e a apresentação foi muito boa!

Foto: Outfit Anouk uitgelekt #songfestival
Anouk eu fosse ia assim pra final!
Não vou dizer que tô na torcida por Birds pois continuo achando que a música não é a cara de um festival. Mas #hupholland e fique, pelo menos no top10! 

A final começará em 45min. Vou ali pegar minha junkee food porque é o que tem pra esse sábado a noite!
Enquanto isso, ouça, aprenda e sing along com "os pássaros caindo do telhado"


Anouk - Birds - semi final - Eurovision 2013


p.s.: o clipe oficial é esse aqui, mas eu não gostei muito não! Muito triiiiiiiiiiste! ahahahha



update: Dinamarca ficou em 1º lugar e a Holanda ficou no top10, em 9º lugar!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Enquanto isso no trabalho... cap.2

A coisa é pessoal, só pode ser. Porque ó... mulherzinha escrota/excrota/ex-crota essa tal de Anemia. Garrei ódio de vez pela mesquinharia, picuinha e ridiculazinha que ela é. Hahaahha (inho mesmo)
 Ontem Anemia chegou de férias, chegou atrasada, desfilou o setor todo dando bom dia pra todo mundo e quando chegou na minha sala passou direto por mim e deu bom dia pra Colega! Sério! hahahahaha Eu realmente tava ocupada (era 9h e, eu entro 8:15h, o restante as 8:30h e com minha exceção, todos morgavam) e por dentro tava rindo porque não acreditava naquela atitude de 6ª série. Mas como eu consigo ser mais ridícula que ela ("quando eu sou boa, eu sou boa, mas quando eu sou má, sou melhor ainda!") fiz questão de, 10 minutos depois quando ela virou, olhar bem fundo no olho dela, abrir O sorriso e com a voz mais irônica ever: "- Bom dia né, Anemia?!" Ela ficou em estado de choque e disse um bom dia em retorno com aquela voz fina de nervoso, sabe?
Ocupada estava, ocupada continuei. Mas, minha ocupação durou mais 1h e pronto: nada pra fazer! Fiz tudo o que tinha pra fazer. E acreditem, eu dei uma enrolada. No meio das mil explicações da viagem de férias que ela repetia, e mostrava fotos e aaaaaarrggghhh, pum! Me matei de nojinho (lembram que jogaram titica na cara dela e eu tomei nojo?!), perguntei se tinha algo que poderia fazer e nem preciso dizer qual foi a resposta, né?! 

Caçando algo pra fazer no pensamento lembrei que ainda tenho a folga do mês de maio, que segunda é feriado e que essa seria a última oportunidade de ficar ao lado de Anemia por 3 dias na semana apenas - levando em consideração que acabou feriado na Holanda. Fui correndo entregar o documento com pedido de folga pra terça e, por um milagre na natureza, o Boss estava na mesa dele e aproveitei pra pedir pra ele separar um tempinho no dia dele pq precisava conversar com ele (Gente! Até hoje eu não recebi feedback do meu primeiro mês e muito menos do meu trabalho! E c-l-a-r-o que preciso de tal feedback para dar o MEU feedback). Ele disse que ok. Mas 2 semanas atrás ele também disse ok e até agora nada. Ou ele não tem tempo (tenho lá minhas dúvidas porque ele desce pra fumar umas 789249 por dia) ou ele sabe que independente do que falar vai ouvir bomba. Não bomba, bomba... mas não vai ter resposta para o que eu falar. Whatever!

Boss de Baixo já tinha falado que tentaria me resgatar assim que possível. E, thank's to the Lord, as 11h, após um telefonema, Anemia voltou dizendo que o Kantoor Legal precisaria de mim pelas próximas semanas e que assim que eu estivesse free poderia descer e ficar por lá, o Boss já tinha autorizado.

Em 1min eu salvei/fechei/atualizei/guardei/arrumei minha mesa (que eu deixo semi bagunçada pra me enganar que tô fazendo algo, ou pra ao menos ter a mesa pra arrumar!) e, abrindo a porta pra sair, Anemia me vira e reclama que documento meu, que ELA pediu pra deixar em outro lugar no período das férias dela, não estava na mesa dela. Olhei pra cara e mandei ela tomar no c*! disse que ela precisava se decidir e relembrar as coisas que ela tinha pedido e repeti exatamente o que ela tinha me falado na sexta feira, antes de entrar de férias. Disse que, caso quisesse, tinha as cópias. Ela me mandou buscar as cópias. E eu fui...fui embora!

Chegando no Kantoor Legal, Boss de Baixo disse que conversou com o CEO sobre a minha pessoa no setor e que as coisas provavelmente irão mudar e que, extra-oficialmente, eu serei do Kantoor Legal, começando, a partir do hoje, a ficar a parte da manhã & tarde!. Quilos de trabalho pra fazer, coisas novas e cada dia as coisas fazem sentido dentro do setor. É isso gente! Que mal há em treinar alguém, orientar e deixar o outro trabalhar!? Eu só tô ali pra trabalhar. Nada além! E acho que esse é que é o problema no Kantoor oficial. Eu trabalho, não morgo, faço exatos 15min de pausa, nunca cheguei atrasada, aprendo e executo. Ser profissional é isso. Ou não? Será que venho de um planeta diferente!?

Ontem, ao ir embora, reconfirmei se ficaria o período todo no Kantoor Legal e beijo e tchau. Quer dizer, voltei à sala do Boss pela milésima vez pra saber/conversar/pegar assinatura da minha folga e adivinha!? Ele não tava! 

Quinta feira e esse tempo uó que pede pra ficar eternamente na cama, lá vou eu pro trabalho, direto pro Kantoor Legal as 8:15h e vida que segue. 9:30h eis que entra um ser desesperado pisando forte no salto sorvete: "Pensei que você tivesse doente! Até agora e nada de você? Como assim!? O que você tá fazendo aqui embaixo? Você chega e vai pro Kantoor oficial e só vem pra cá depois do meio dia...porque tem que avisar primeiro e...."

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Porraaaaaaaaaaaaaa, mulher! Que viadagem é essa! Vsf!! (desculpe a quantidade de palavrão, mas tem hora que não dá!) Bem, tudo isso veio na minha mente mas, antes que algo brotasse na ponta da minha língua Boss de Baixo disse que quem autorizou foi ele, porque eles dois (ele e Anemia) haviam acordado isso no dia anterior. Ela argumentou, ele falou e eu...

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...sentadinha aplaudindo a lavada que o Boss de Baixo tava dando. Porque eu adoro um toque de crueldade com requinte. Ela saiu marchando, ele xingou e disse que há anos tiveram uma discussão e ele sabe colocá-la no devido lugar. Para ele aquilo não foi nada mais nada menos que uma demonstração de quem manda, e que ela que é a chefe (hahahahaha, temos a mesma função!), pois sempre faz isso. Mas, acontece que esse círculo vicioso, comigo, acabou.

Passei a manhã me questionando o que leva uma senhora de 56 anos, 14 de empresa, mãe de 3 filhos, avó de 2 netas, com a vida certinha, recém chegada da Disney (era pra tá feliz né?!) a agir dessa maneira com alguém de 30 anos, recém chegada na empresa, que precisa aprender e que só quer trabalhar. Nada além disso (até porque eu sempre fui adepta de trabalho é local de trabalhar e não de fazer amigos. Isso é consequência.)!

Boss de Baixo e colegas do setor (que também não engolem a pessoa) disseram que é medo de perder o lugar dentro da empresa. Querido acha a mesma coisa e afirma ter certeza de que ela não faz o trabalho direito e, ter que passar o serviço adiante, ia revelar todo a verdade. Além de claro, simplesmente não saber orientar, treinar, compartilhar. Para várias informações que devem ser inseridas no sistema, a Colega, que tá lá há mais de 1 ano, ainda precisa perguntar à Anemia. Uma vez perguntei se era novo e a Colega disse que não. Que só quem sabe é a Anemia! Durante as 2 semanas de férias da mesma, muita coisa ficou pra trás porque só ela tinha acesso, só ela sabia fazer, só ela. E somos 3 no setor. Como pode?!

Enfim. Tenho 3 caixas gigantes de material com peças que cabem em micro envelopes suficiente para 5 aeronaves pra colocar em ordem - trabalho para no mínimo 2 semanas. Boss de Baixo confirmou meu expediente o dia todo no setor sem data pra terminar. Caso Anemia me queria, tem que pedir permissão.

Os engenheiros continuam chatos. Dia desses o ICT - que é um Ogro, além de burro - olhou pra minha cara e não me deu bom dia, tomou um esporro de quem estava ao lado e me respondeu e recebeu: "You're really an asshole!" as 8:15h. ICT trabalha na mesma sala que os engenheiros. Acho que pega. Mas eu sou feia gente!? Precisa gostar de mim não, basta ser educado!

Aff. Desculpem a raiva em forma de post desabafo! Mas tava entalado. Geralmente quando eu fico com raiva, eu choro (é. sou dessas. infelizmente). Mas ainda não consegui achar palavras pra descrever o que eu sinto quando vejo pessoas - velhas - agindo dessa maneira. Sem aparente razão nenhuma.
 
Mas já escolhi a blusa que vou pro trabalho amanhã. Acho que basta, né?!


Boa sexta feira, pípol!

terça-feira, 14 de maio de 2013

Enquanto isso no trabalho...

No dia seguinte desse post aqui, chamei Anemia pra uma conversa séria: perguntei se era eu ou se algo tava realmente pegando na empresa, porque eu não tava conseguindo conectar a minha contratação x nada pra fazer no trabalho, até porque, deep inside of me, a única coisa que vinha na minha cabeça era: "não tem trabalho, não tem contrato, eu - com menos de 1 mês - tomarei um pé na bunda semana que vem, quando completar 1 mês (período de adaptação dado pelo Boss). Sonsamente ela me disse que também infelizmente não sabia e nem tinha como me dar um feedback mas, que no dia seguinte, eu iria pro outro setor pq lá tinha realmente coisa pra fazer.

Assim dito, no dia seguinte desci e que felicidade! Treinamento/orientação, pessoas legais, música, conversa e muito trabalho. Tico e teco workaholics deram pulos de alegria. Depois de 2 dias lá embaixo (perto da "peãozada"- mecânicos - depois da vida offshore, estar por perto é garantia de risada!), Anemia resolveu me convocar pra 1h de treinamento (oi?!) nos 2 dias seguintes porque ela sairia de férias. Me preparei pra subir e recebi uma ligação de que, naquele horário escolhido por ela, ela mesmo não poderia...mas 2h depois ela poderia. Subi e pra meu ódio, foram 20min de falta de atenção. Voltei cuspindo fogo e o Boss de Baixo que não gostou nada dessa interrupção - pq ele sim tava me treinando - mandou email e o caramba a quatro e ficou resolvido o seguinte: nas férias da Anemia eu ficaria a parte da manhã no meu kantoor e depois do almoço, iria pro kantoor legal.

Dia da Rainha passou, peguei meu dia off, viajei, voltei, Anemia e metade da Holanda entrou de férias - mei vakantie - e minha vida foi paz e alegria. Trabalho no kantoor oficial e no setor legal. Cheguei a conclusão que é intriga da Anemia. Já era! Peguei titica e esfreguei na cara... O pior é que a galera do kantoor oficial também não ajuda: um bando de gente chata e mal amada. Ou com fome, pq nada justifica aquela cara com falta de amor, todos os dias. Holandeses, engenheiros e velhos. Aff! Até hoje corro atrás do Boss pra obter meu feedback do primeiro mês e ele, either não está na empresa, either não está disponível. Hoje, quando saí em disparada pro ponto de ônibus tentando controlar guarda-chuva (hífen?!) contra o vento, dei de cara com ele que me deu um oi e recebeu um tchau! #tenso!

Minha paz encerra-se amanhã quando Anemia volta de férias. Ainda não sei como será minha rotina. Conversando com o Boss de Baixo, ele deixou bem claro que precisa de alguém pro setor e essa pessoa seria eu. Mas aí são outros 500. Até pq ele é considerado O chato, carrancudo e difícil de trabalhar e, tá com medo de falar que me quer, pq, como já aconteceu anteriormente, a galera passa a acreditar e não permite a troca. Legal né?!

Dia desses o estagiário me perguntou se eu gosto de trabalhar lá. Disse que sim, mas que desprezava não entendia os colegas. Ele disse: relaxa, são engenheiros e velhos.

Devo seguir a dica? Cenas dos próximos capítulos...em breve.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O dia depois de ontem.

Essa sou eu chegando no ponto de ônibus pra ir trabalhar numa sexta feira pós feriado, dia esse que 75% da empresa deve ficar em casa menos eu (mas nem posso reclamar pq no último feriado, enforquei a segunda feira), esperando o ônibus e cri cri cri....pra, depois de muito vento na cara descobrir que ele só vai passar daqui a 30min, exatamente pq hoje é o dia depois do feriado.


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Pensamento positivo: tô sozinha no setor (yes!) saio 30min mais cedo (oi, sexta feira!) e amanhã é sábado (yes, weekend!)

terça-feira, 23 de abril de 2013

Stick to the plan!

Quinta feira passada o dia todo antes de dormir o plano para o dia seguinte era:  acordar 15min mais tarde pra  sem querer querendo perder o primeiro bus poder pegar o ônibus mais tarde e, consequentemente, chegar 14min atrasada no trabalho porque não ia fazer a menor diferença. Era sexta feira e nesse dia todos param de trabalhar as 16:30h por conta do happy hour (biertje, wijntje e bitterballen) na cantina da empresa.

Aí você me pergunta: "mas já começou a sabotagem?" Eu explico: não tem nada pra eu fazer por lá e eu fico tipo assim o dia todo na frente do computador lendo e relendo o manual que, a essa altura, deixou de fazer qualquer sentido:
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todo o sono do mundo!
Oficialmente eu fui contratada por conta de um contrato que está/estava pra começar a qualquer momento de abril. Porém, contanto, todavia, até agora não temos  notícias se o tal contrato vem ou não. "Anemia", minha "supervisora" (sempre que ouço/falo o nome dela sai algo parecido com isso) sairá de férias semana que vem e eu e a "Colega" ficaríamos por conta. Acontece que depois de 1 semana lendo manuais e observando procedimentos, quando chegou minha hora de fazer alguma coisa, fazia por apenas 1h: "- Vamos com calma / não precisa ter pressa / é step by step mesmo / aos poucos você vai pegando". E eu acreditei. Até porque, realmente é muita coisa. Mas 1, 2, 3h de trabalho por dia!?!? Não necessariamente 180min seguidos. Eu, na minha ingenuidade, penso que estão todos absolutamente ocupados.

Essa semana a Colega tirou um dia de folga e eu cheguei jurando que ia trabalhar bagarai. O pouco que estava apta a fazer, se multiplicaria e aprenderia mais e tooooooda aquela empolgação de quem tá começando. Pois bem, quebrei a cara. Das 8h de trabalho, trabalhei exatos 73 minutos. E não fiz mais porra nenhuma nada. Fui ao banheiro umas 14 vezes sentar na privada, dar aquela über nap e lavar o rosto. Perguntei o que tinha pra fazer, em que podia ajudar e as coisas chegava picadas.
E assim foi a semana toda. Só comigo. Porque até o "Groot" - estagiário de 2mts que senta na minha frente - tá mais ocupado do que eu.  Quer dizer, scaneiei 185 documentos (se não tem nada pra fazer, a gente conta), passei a tarde na Recepção lendo sobre dados e descobrindo idade da galera da empresa ajudando no arquivo de documentos pessoais, preenchi uns documentos pra outros setores. Mas pro meu setor, meu trabalho, para o que fui contratada, nada, niente, zero, niks.

Ontem de manhã:
Eu: "O que tem pra fazer? Posso ajudar em alguma coisa?"
Anemia: "Hummm...excelente perguntas. Mas infelizmente não tem nada pra você fazer."

Lembra do mini-flashback dos Normais? Comigo acontece mais ou menos assim, mas no estilho mini-fastforward. Ao ouvir tal resposta - depois de dias coçando o saco e dormindo na frente do computador - me vi pegando minha bolsa e falando "beijos, me liga quando quiser que eu trabalhe, porque se é pra não fazer nada aqui, prefiro não fazer nada em casa que é mais confortável." Mas foi por um milésimo de segundo. E por isso voltei pra minha cadeira, abri o manual e fiquei planejando o dia de hoje. A tarde o "Head PP" veio todo felizão e me deu 40 páginas de trabalho! Yey! Nem preciso de dizer que adorei né?!
Entreguei tudo pronto no final do dia e ele me pediu para, caso tivesse tempo (aaah, bobinho) que o ajudasse porque ele tinha muita coisa pra fazer e eu poderia ajudá-lo. Quase o agradeci de joelhos mas, ao informar Anemia ouvi que não poderia pois, a partir de hoje iria passar uma temporada em outro setor, já que lá tem muita coisa pra ser feita. Vibrei!

Pois bem. Lembram do meu plano acima?
Então? Acorde 15min depois. Me arrumei, preparei a marmita, Querido mais dormindo do que acordado, vendo as news falou que, apesar do céu azul do lado de fora, era pra levar o guarda-chuva porque ia chover e... e...quando deu a hora normal do ônibus a consciência pesou e saí desesperada correndo e bolsa aberta e fone caindo do ouvido e corre... e... cheguei no ônibus paguei sentei on time! Ufa! Sentada, refeita, procuro o celular na bolsa e...e...e...CADÊ O CELULAR!? Não que eu vá ligar pra alguém, mas minha internet é algo primordial nessa vida de ir pro trabalho fazer PN. Pra que meu Deus, pra que!?!? Pelo menos o céu tá azul.



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oh Lord, como ficarei um dia TODO sem meu celular?!
Anemia: Sorry, mas hoje você não vai pro outro setor, eles estão ocupados e blablablablabla você fica por aqui, você fica por aqui, você fica por aqui...(repete na minha cabeça 748 vezes em eco). Senta aí e se fode mata! (essa parte ela não falou, mas foi a tradução que fiz na minha cabeça da primeira frase).

1h depois sentada vegetando, olho pela janela e todas as nuvens do mundo pairam sob a cidade. Oooh shit! Passei direto pela cesta de guarda-chuva e ele ficou lá - provavelmente rindo de mim saindo correndo desesperadamente fora da hora que planejei acordar e fazer todo o meu plano.

Corri loucamente. Cheguei no horário. Não fiz PN o dia todo. Não trouxe o celular. E vou voltar molhada pra casa. Oooooh shit!!! Aprendizado do dia: ALWAYS stick to the plan!

Querido, vendo todo meu desespero + zero guarda chuva e buienradar.nl gritando chuva pra antes, durante e depois do meu horário de saída, foi me buscar no trabalho! Ufa! A idéia do jantar era um stroganoff de frango. Não tinha creme de leite em casa. Ainda dentro do carro pensei em outras opções para o jantar. - Always stick to the plan, babe! Desci no meio do caminho e fui direto pro mercado antes de chegar em casa. Stroganoff saiu e ó, só sucesso!


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Primavera +1


E eis que ontem, 14 de abril, o termômetro bateu a casa dos 22C aqui em Limburg abrindo alas pra primavera que demorou mas chegou (com tudo mesmo só depois de 13h, pq até então tava tudo nublado, até o sol resolver lutar por seu lugar). Pelo menos por enquanto!




Segundo a tiazinha do Het Weer, desde 21 de outubro que o termômetro não registrava qualquer número acima dos 20. E aí que metade da Holanda foi pro teraas tomar uma cervejinha com aquela calça pescando siri e a outra metade foi tudo colocar o grill do lado de fora com aquele hamburger BBQ'en (pq churrasco, só do Brasil).

Aaaah, que delícia poder deixar a janela aberta o dia todo, pássaros cantando, borboleta amarelinha voando por você, lavar roupa e estender na varanda pra secar no sol (oi, sou empreguete), não colocar meia por baixo da calça, usar sapatilha, sandália, sair na rua de blusinha e no máximo um casaquinho fino por cima, ir pro teraas e sentar do lado de fora, no sol, sair por aí de bicicleta, recusar o warme chocolade melk met slagroom e pedir uma Kriek deliciosa, ver cores saindo das vitrines e se misturando ao preto/cinza do never-ending winter. Ir ao show do Rowwen Héze* "digrátis", tomar banho de cerveja e não sentir tanto frio. Aaaah, a primavera.

Ver o sol batendo na janela, no vidro e ver que precisa lavá-los u-r-g-e-n-t-e!! Olhar praquela estante que você limpou ontem e ver toda a poeira do mundo em cima dela. Scooters. Aaaah, o doce barulho das scooters all around! #Not! O cheiro de bosta de cavalo nos arredores quando você resolve dar aquele passeio de bike. Abelhas africanas-gigantescas-peludas te perseguindo sobrevoando. Aranhas. Teias de aranha. Cecê (não que no inverno não tenha, mas a quantidade de roupa ameniza).

Pois é. A primavera chegou. Yey! 
Mas não veio sozinha. Helaas.






*Rowwen Hèze é uma banda famosa aqui de Limburg que canta em limburgs, claro e, em seus shows, a galera joga cerveja pro alto, pra frente, pra trás, uns nos outros, em si mesmo... Namorado da Cunha Caçula trabalha na rádio e tcharam, fomos sorteados com ingressos.


p.s.: é melhor aproveitar essa semana, porque no próximo fim de semana teremos máxima de 12C. Como diz uma amiga minha: "tudo errado nessa Holanda!"

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Faroeste Caboclo!

* escrevi 3x caboclo, pensei, repensei, escrevi errado, travei a língua e joguei na net pra saber se estava escrevendo certo. É, sou dessas. Mas vamos ao que interessa.

Eu abomino política. Abomino do verbo tenho nojo mesmo. Só tirei meu título aos 18 anos. Meu primeiro estágio foi na câmara dos vereadores e olha, meu chefe - vereador, era honesto (aparentemente, até virou vice-prefeito depois), mas o que rolava ali dentro me fez, aos 17 anos sem a obrigação de votar ainda me fez ter certeza de que é um ninho de cobras, um chiqueiro, a casa da mãe Joana, algo do tipo: farinha pouca meu pirão sempre primeiro!

Quando eu cheguei na Holanda, me surpreendi com os 3 beijinhos dados ao cumprimentar alguém (alguém esse que você, já foi apresentado anteriormente, tem uma certa intimidade e o/a cumprimentou com um aperto de mão). Achei mais íntimo que em São Paulo, onde é apenas 1 beijinho (e eu sempre fico com a cara no vácuo perdida nos beijinhos quando em SP). Mais que o RJ, que são 2. E mais prático que em Vitória, que são 3 beijinhos, pra casar. Aí fica aquela palhaçada de "já casei!", "dá 3 pra casar!"..e eu continuo no vácuo. Se bem que a Holanda ajudou nisso tudo: aperto de mão, estamos aí pra isso. Beijinhos e cumprimentos mais íntimo apenas para os amigos. Amigos, não colegas e conhecidos. Holanda ajudou a ver quem merece meu chamego mesmo!

Ok. Mas em que o primeiro parágrafo está relacionado com o segundo? Bem, aqui na "dorpje" tudo.

Eu moro numa dorp e amo. Se for traduzir ao pé da letra, dorpje é uma aldeia. Maastricht, 5min aqui de casa, é um Stad (cidade, além de ser a capital da província de Limburg). Mas na verdade dorpje é uma vila, um vilarejo. Pra mim, seria uma cidade sem ser considerado cidade, pois tem menos de 10.000 habitantes (o que dá ao local o título de dorp). Tem huisarts, AH, Hema, Blokker e Kruidvat (necessidades básicas de um holandês) e, consequentemente, gemeente - prefeitura, que administra a minha dorp que é grande em relação às dorpjes around (acredito ter dado um nó na sua cabeça, mas entenda que dorp é uma cidade pequena e por isso, todo mundo se conhece).

Se eu não me engano, quando ainda estava por aqui como Aupair - já com o Querido -  (2009? 2010?), teve eleições fora de época aqui na cidade - Holanda é mestra nisso quando dá pt nas lideranças - e o que me chamou atenção era porque o prefeito tinha aprontado alguma e com isso o partido todo tava queimado e Querido, que precisava viajar a trabalho, autorizou a Sogritcha a votar por ele. Enfim, um novo prefeito assumiu, quase ninguém gostava do que assumiu, trocaram 6 por meia dúzia e vida que segue.

As sessões dos wethouder (tradução direta pro português: vereador) eram abertas e o pau quebrava. Tipo sempre! E vereador, sabe como é, é tipo eu e você assim, anda na rua e é amigo de todo mundo.. Com certeza você tem um conhecido que é, foi, será ou quer ser vereador. Pois é, também temos um desses aqui. Que, por sua posição dentro junto aos wethouder, não era dos mais queridos junto aos colegas de trabalho, mas, fazendo seu papel direitinho em relação aos direitos e obrigações da cidade/dorp. No início do ano passado, pediu pra sair, tornando-se um Oud-wethouder.

No fim do primeiro trimestre do ano passado, minha dorpje caiu na boca da galera aqui em Limburg por conta de falcatruas e otras cositas más.

Durante esse carnaval, um Wethouder querido por muitos, "odiado pelo mesmo tanto dentro na política", eleito pelo povo com trocentos votos, afastado, reeleito com o dobro, considerado bem amigável por muitos (as vezes até demais), dentro de um pub deu um beijo em uma Senhorinha. O beijo da morte, diga-se de passagem.

A Senhorinha (que deve ter entre 40 - 50 anos) é irmã/parente/amiga/conhecida/puxa-saco sei lá o que do arqui-inimigo (oi, nova regra ortográfica!?) do "Wethouder querido por muitos" o denunciou por abuso sexual. Oi? Isso mesmo. Um beijo (segundo ela, teria forçado um beijo de língua, por outros apenas um beijo na bochecha) dentro de um pub lotado, na frente de todo mundo, segunda feira de carnaval, virou caso de polícia.

Acontece que a polícia não fez nada e a imprensa, mídia, gemeente e inimigos caíram de pau. Lembre-se, estamos falando de uma dorpje. A dorp + dorpjes que fazem parte da minha Gemeente, num total de 20.000 habitantes que votam, mandam, se metem...enfim, é pouca gente e a notícia corre. A pressão foi tanta que, 2 semanas depois, numa terça feira, encontraram o "Wethouder querido por muitos, odiado por outro tanto" morto no curral. Suicídio.

E aí a guerra começou de vez. As sessões na Gemeente foram suspensas, o prefeito xingado, wethouders odiados, investigação policial e ameaças. 1 semana depois o velório e missa foram acompanhados ao vivo pela L1. No fim de semana depois, o tal Oud-Wethouder amigo nosso acordou com tinta vermelha jogada no muro de sua casa e no carro, acompanhado de um bilhete fazendo-lhe ameaça de morte, por conta do suicídio do "beijoqueiro", como alguns se referiam.. 5 dias depois outro bilhete. Semana passada outro bilhete pra outro Oud-Wethouder - do mesmo partido do do nosso amigo, no mesmo estilo. Como a polícia não fez nada e moradores do prédio construído pelo mesmo também receberam bilhetes com ameaças, a mídia acabou sendo a melhor saída. Domingo passado a dorp foi parar em rede nacional. Sexta feira, voltando do trabalho vi camera e um reporter praticamente implorando (ele tava cercando a galera) por informações. A pergunta era: "wat denk je over politiek in Meerssen?" (o que vc acha da politicagem em Meerssen?). Enquanto estava no pin automaat a resposta que ouvi era a mesma: "Sorry, maar ik wil niks zeggen!" (Desculpe, mas não quero dizer nada.).

Eu ainda acho isso tudo um absurdo porque, do lugar de onde eu venho, político que não beija, abraça, pega no colo não é eleito. Como que alguém que saiu da política e por conta disso acabou "dando poder" ao "Beijoqueiro" ser culpado por um suicídio? Com isso tudo, a Gemeente aqui tá o samba do criolo doido. Ninguém sabe de nada, sessões ainda restritas e o pau quebrando. Prováveis eleições? Ninguém sabe! Meerssen de volta pra Maastricht? Quem sai ganhando é o Stad que receberá cerca de 20.000 novos eleitores.

Feliciano não me representa (tá na moda dizer isso né?!) Lula nunca me representou. Dilma, FHC, Wethouders também não. Nem a Tia Bea! As vezes eu me pergunto se realmente queria ser um cara pintada (apesar de serem orientados por alguém que hoje aperta a mão do maior inimigo na época, eles acreditavam). Eu nunca pensei que aqui seria um mundinho encantado e perfeito onde tudo aconteceria num passe de mágica. Longe de mim (em 2006, logo antes de chegar na Holanda pela primeira vez, Tia Bea colocou ordem no puteiro, cancelou tudo, mandou todo mundo votar e não deu em nada!). Mas hoje em dia tá difícil acreditar nos políticos e tudo (e qualquer coisa) que os envolve. É cada um por si e salve-se quem puder. Dessa maneira!

terça-feira, 9 de abril de 2013

É isso aí, companheiro!



1 semana de trabalho e por enquanto, tudo vai bem.

Ainda estou digerindo e assimilando todos os 30958324 formulários, 1145 páginas de manual + 737 de normas e procedimentos, mas vai dar tudo certo! 

Mas ó, de coração mesmo, muito obrigada pelos recadinhos no post anterior! É muito bom saber que não estou sozinha nessa saga holandesa! Me alegraram ainda mais!

Primeira semana é aquela coisa né!? Você conhece todos mundo e não lembra o nome de ninguém, setores e muito menos o que fazem. Mas aos poucos, vai digerindo. Nunca trabalhei numa empresa apenas na parte de escritórios, sempre tinha atendimento ao público envolvido - que acaba sugando o seu dia, humor, paciência e tempo. Como as coisas fluem mais rápido.

Ainda estou assustada com o procedimento que envolveu tudo. Desde e assinatura do contrato - que chegou na minha casa com envelope já selado pra devolução, envio de todos os documentos  e em 2 dias tudo estava pronto - até as pausas a cada 2h. Pode ser deslumbramento de primeira semana, mas olha, partido dos trabalhadores (CAO) aqui funciona direitinho. Pelo menos, até o momento pausa de 15 a 20min a cada 2h de trabalho (pausa do tipo: todo mundo para!) + 30min de almoço e saída na hora exata, sem mais 1min ou menos, tem funcionado. Ainda tô selecionando os dias de férias - apenas úteis e tentando achar o melhor dia pro Day Off mensal que tenho direito.

Hoje, 1 semana depois, deixei de ser a atração da empresa, mas acho que todas as pessoas que tem um quê de Brasil vieram falar comigo: quem já foi, quem ainda vai, quem tem namorada ou tem alguém brasileiro na família veio falar comigo do tipo, "hey, temos algo em comum". Achei legal. Até pq eu ainda sou dessas que as vezes quebra a cara pra não ter que ficar olhando pro teto, puxa um assunto pra quebrar o gelo. Os colegas, em sua maioria homens (depois da vida offshore passei a gostar de trabalhar com homens, acho beeeem mais fácil!) são tranquilos. Faço parte do grupo que não fuma, sendo assim, só eu e mais uma colega no grupo do intervalo dos não fumantes entre 15 colegOs.

Como só faz frio (muito) nesse lugar, não rola de ir de bike e, por conta disso, acordo cedo bagarai porque eu sou lenta de manhã e tenho que preparar o pão nosso de cada dia, dar um truque na juba (ainda tô conquistando a galera, não dá pra largar a juba de qualquer maneira e assustando assim logo no primeiro mês) e tô colocando meu sono em ordem. Consequentemente, cumprindo as 8h de trabalho, pernas pra que te quero. Tô tomando pau desse OVChipkaart que, de um ponto pro outro, é €0,23 mais barato, mas em 10min me deixa na porta do trabalho quentinha e seca. 

Ainda confundo holandês com limburgs e todos os outros dialetos que eles usam entre si. Além de prestar o dobro de atenção quando recebo uma informação toda em holandês. Papai do Céu, please don't let me have a dumb face while paying attention!

1 semana e já fiz todos os tipos de pães possíveis - e olha que eu não tenho nada contra comer um pãozinho no almoço - mas também não tô assim tão holandesada pra comer apenas salada de pepino ou tomatinhos na hora do almoço - , mas preciso, urgentemente de novas idéias para saladas e outras coisas pra levar pro almoço - não tem nenhuma cafeteria around - e gastar money com delivery não é o meu tipo. Ah, e, o mais rápido possível, preciso descolar uma maneira de não tomar choque em TUDO onde encosto; já testei todos os sapatos possíveis, uso roupas de algodão mas não adianta. Antes de encostar em algum lugar, pareço uma doida procurando algum lugar pra "trocar energia" mas não adianta, a estática me ama! :(
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eu, logo depois de um choque! :/


Pois é. Por enquanto é isso pessoal.
Agora deixa eu vegetar um pouco, alimentar meu ovchipkaart pq amanhã é dia de lerê! :)

terça-feira, 2 de abril de 2013

I got a job!!

Eu sou uma pessoa orgulhosa! Orgulhosa no bom sentido. Tenho orgulho de onde eu vim, o que conquistei, de como foi difícil,  das lágrimas, sorrisos, explosões de sentimentos. Tenho orgulho de ter ser da Baixada Fluminense e ser quem eu sou hoje! Adoro trabalhar - adicione a isso a rotina de ir pro trabalho e reclamar dele também. E faço questão de ter meu dinheiro e fazer parte das contas do fim do mês. Faço isso desde os 17 anos.
Dito isso, vamos ao post.


Quando Querido disse que daria entrada no visto, lembro-me claramente que a primeira coisa que eu falei foi "E o meu emprego?". A resposta - dele - foi simples: "Aaaaah, você arranja um aqui". Isso dito, emoções a parte, papelada, dinheiro indo embora, férias, chegada, frio, papelada (aqui) toda ok, chegou a hora: solliciteren!

O prazo que geralmente temos pra toda papelada (identidade, sofi nummer, permissão de trabalho e blablabla) ficar pronta é de até 3 meses. Considerando que já fui Aupair nas bandas de cá, devidamente registrada na prefeitura, documentação em ordem e muita boa vontade e excelente atendimento que tivemos no IND, em 20 aqui eu já estava apta pra abrir conta em banco, fazer o seguro saúde e apta pra trabalhar. Isso tudo porque tivemos as festa de final de ano entre minha chegada e fomos agendados pelo próprio IND pra 20 dias depois.

Antes de chegar aqui eu tinha previsto que só poderia começar a trabalhar depois de 3 meses. Sendo assim, não faria muita pressão - eu sou o meu pior inimigo nesses casos - e viveria a vida estudando e caçando emprego nesse período. Mas, como disse acima, aconteceu o contrário.  Sendo assim, no mesmo dia que cheguei em casa com o beslissing comecei a aplicar para as vagas em sites que já vinha visitando e sabia como que estavam disponíveis, de acordo com meu perfil. 

Uma das coisas que minha mãe me falava era: "filha, por favor, self control enquanto você não arrumar um emprego" porque eu sou dessas que surta - apesar de nunca ter ficado mais de 2 meses desempregada, nunca fui demitida e tive ótimos empregos na minha área e fora dela. 

A primeira semana de nãos até que desceu bem. A segunda nem tanto. Na terceira os primeiros sentidos de preocupação chegaram. Refiz o maldito motivatiebrief, revi as opções de trabalho. Os nãos eram explicados por "seu holandês é muito bom, mas não é fluente". Era verdade e não tinah nada que pudesse fazer a respeito disso. 1 mês e pouco de vida nova na Holanda e, por mais que falasse apenas em holandês com Querido, família e na rua, não seria o suficiente. Conversando com algumas amigas e lendo blogs de quem teve o mesmo processo que eu, 1 coisa apenas se confirmava: primeiro estuda e arrasa no holandês e depois procura emprego. Pelo menos 6 meses dedicados ao estudo da língua. A única coisa que pensava era: "Eu? 6 meses? Só estudando? Sem trabalhar? Sem conhecer outras pessoas e fazer a minha vidinha aqui? Sem meu próprio e suado dinheiro? Mas de jeeeeeeeeeito nenhum!" Que algo fique claro aqui: eu não tenho nada contra quem faz/opta por isso. Mas pra mim, por motivos ditos lá em cima, não rola. Mas, sem subsídio do governo, a última coisa que EU queria era dar de presente mais uma conta pro Querido. Oi, orgulho!

Visitei o primeiro uitzendbureau - agência de trabalho - e o presente que ganhei foi: "ótimo CV, mas na sua área você precisa falar holandês fluente - apesar de já falar muito bem, juntamente com o inglês, português e arranhar bonito no francês e italiano - mas, sem o holandês, o que eu tenho disponível pra você aqui é uma vaga de Tiazinha do Banheiro para antes, durante e depois de uma feira internacional que vai ter aqui. Topa?
Saí da agência sem sentir nada. A única coisa que pipocava na cabeça era: "eu sou melhor que isso, eu sou melhor que isso, eu sou melhor que isso. No Brasil, aqui e/ou em qualquer lugar."

Lembro-me de ter lido muito tempo atrás no blog da Line algo que ficou marcado pra quando eu chegasse aqui; era algo do tipo: "não se contente com pouco, se você se limitar com pouco, você terá pouco". Fazia um dia lindo, com muito vento e antes das lágrimas caírem, ao andar pra casa, o vento tirava de mim. 

O tempo passou, os nãos invadiam meu inbox, o meu dinheiro da recisão acabou e minha necessidade de fazer algo, me sentir útil só aumentava. Inventava desculpas pra mim mesma, principalmente quando acordava e via neve do lado de fora do tipo: pelo menos estou dentro de casa com essa neve e frio todo. Mas no fundo eu não me convencia.

Até que no início do mês passado surgiu não só uma, mas duas vagas de Kamermeisje (camareira) em hotéis aqui perto. Lendo e ouvindo sobre como tá difícil arranjar um emprego na Holanda - para holandeses e expats - pensei, aaaaaaah, a Cunha 1 é Thuisverzoging ("faxineira") e já foi kamermeisje, a Cunha Caçula também. Ser camareira não mata ninguém e posso fazer isso até achar algo melhor, na minha área e $$. É part time, vou chegar em casa e aplicar pra outros empregos. Convencida e necessitada (não de dinheiro, não mesmo, mas de fazer algo), escolhi o mais próximo (ambos pagavam a mesma coisa/hora) e fui. Fiquei 2 dias apenas. No primeiro dia, além de chegar em casa acabada eu só fazia chorar. Eram 20min da estação até o hotel + 6min de trem até aqui em casa e eu só fazia chorar. Mais uma vez o pensamento vinha: "eu sou melhor que isso, eu sou melhor que isso, eu sou melhor que isso." Dessa vez adicionado de: "eu não preciso passar por isso! Eu estudei pra não precisar fazer isso! Estudei pra ser alguém na vida e trabalhar com meu cérebro".

Minha mãe, que sempre me incentivou a fazer e correr atrás pra me tornar uma excelente profissional, me apoiou no início mas escondeu que a pressão tinha subido por me ver me submetendo a algo que ela prometeu não ser quando tinha 12 anos e desde os 9 trabalhava em casa de família. Hoje, Pedagoga, com especialização, pós graduação, começando a segunda agora, aos 53 anos, ela não queria isso pra filha dela. E com ela no Skype, joguei pro alto o hotel. Louca né?! Né! Oi, orgulhosa?

Mais uma vez repito: nada contra quem trabalha. Pelo contrário. Desde a escola sempre tive um respeito absurdo pelas faxineiras (eu vivia na escola, lembra? filha da pedagoga!) e no hotel, só dava as minhas gargalhadas com as camareiras, fazendo bagunça - geralmente - onde não podia. Mas enfim, EU não nasci pra isso.

Mas aí Deus...aaaah Deus é tão bom! Mas tão bom que ouviu o desejo do meu coração e fez a obra completa. Claro que no tempo dEle, do jeito dEle, dando-me o que é melhor!
Acabei de chegar do meu primeiro dia de trabalho, com contrato assinado, sem ser por agência de trabalho - caçando vagas na internet -  um salário excelente, queimando os neurônios, na minha área, minha paixão - aviação - perto de casa - quando a primavera resolver chegar do lado de cá, em 25min de bike estarei lá, por enquanto, de ônibus, em 10min estou na frente da empresa - segunda a sexta, horário comercial, falando holandês (olha como pode, meu holandês só melhorou), inglês e quando necessário português, já que, entre os contratos com clientes, existe contrato com Brasil e Portugal. Apesar do frio de 1C ao sair de casa hoje, o sol já brilhava - e assim ficou o dia todo - e a tendência é só melhorar.

Pois é! Eu, brasileira, no dia que completei 3 meses de Holanda, estava empregada! Na verdade tive duas oportunidades: aviação e hotelaria - Recepcionista Líder no mesmo hotel onde trabalhei no BR, só que aqui. 
Mas, como a aviação confirmou e o hotel - via uitzendbureau (odeio esses caras!) - não ligou nem pra dizer que não rolou...prefiro seg/sex em horário comercial do que ser escravo da hotelaria, novamente (mas caso a aviação não tivesse aparecido, hotelaria seria, sim senhor!)

Não venha me dizer que eu dei sorte porque eu não dei sorte! Sorte é car&%#o!!!
Eu corri atrás, liguei, enchi o saco, escolhi, fiz um bom CV, melhorei o motivatiebrief e acreditei em mim: minha linha de corte foi a minha realidade profissional. Oi, orgulhosa!?

Agora é dedicação ao trabalho, ler ler ler, estudar estudar estudar todos os formulários possíveis da empresa, achar um curso noturno de holandês e welcome back à classe dos trabalhadores!

Enfim, leu esse testamento? Agora me julgue se quiser.
Pra bem ou pra mal. Tô bem feliz e orgulhosa de mim mesma!