* escrevi 3x caboclo, pensei, repensei, escrevi errado, travei a língua e joguei na net pra saber se estava escrevendo certo. É, sou dessas. Mas vamos ao que interessa.
Eu abomino política. Abomino do verbo tenho nojo mesmo. Só tirei meu título aos 18 anos. Meu primeiro estágio foi na câmara dos vereadores e olha, meu chefe - vereador, era honesto (aparentemente, até virou vice-prefeito depois), mas o que rolava ali dentro me fez, aos 17 anos sem a obrigação de votar ainda me fez ter certeza de que é um ninho de cobras, um chiqueiro, a casa da mãe Joana, algo do tipo: farinha pouca meu pirão sempre primeiro!
Quando eu cheguei na Holanda, me surpreendi com os 3 beijinhos dados ao cumprimentar alguém (alguém esse que você, já foi apresentado anteriormente, tem uma certa intimidade e o/a cumprimentou com um aperto de mão). Achei mais íntimo que em São Paulo, onde é apenas 1 beijinho (e eu sempre fico com a cara no vácuo perdida nos beijinhos quando em SP). Mais que o RJ, que são 2. E mais prático que em Vitória, que são 3 beijinhos, pra casar. Aí fica aquela palhaçada de "já casei!", "dá 3 pra casar!"..e eu continuo no vácuo. Se bem que a Holanda ajudou nisso tudo: aperto de mão, estamos aí pra isso. Beijinhos e cumprimentos mais íntimo apenas para os amigos. Amigos, não colegas e conhecidos. Holanda ajudou a ver quem merece meu chamego mesmo!
Ok. Mas em que o primeiro parágrafo está relacionado com o segundo? Bem, aqui na "dorpje" tudo.
Eu moro numa dorp e amo. Se for traduzir ao pé da letra, dorpje é uma aldeia. Maastricht, 5min aqui de casa, é um Stad (cidade, além de ser a capital da província de Limburg). Mas na verdade dorpje é uma vila, um vilarejo. Pra mim, seria uma cidade sem ser considerado cidade, pois tem menos de 10.000 habitantes (o que dá ao local o título de dorp). Tem huisarts, AH, Hema, Blokker e Kruidvat (necessidades básicas de um holandês) e, consequentemente, gemeente - prefeitura, que administra a minha dorp que é grande em relação às dorpjes around (acredito ter dado um nó na sua cabeça, mas entenda que dorp é uma cidade pequena e por isso, todo mundo se conhece).
Se eu não me engano, quando ainda estava por aqui como Aupair - já com o Querido - (2009? 2010?), teve eleições fora de época aqui na cidade - Holanda é mestra nisso quando dá pt nas lideranças - e o que me chamou atenção era porque o prefeito tinha aprontado alguma e com isso o partido todo tava queimado e Querido, que precisava viajar a trabalho, autorizou a Sogritcha a votar por ele. Enfim, um novo prefeito assumiu, quase ninguém gostava do que assumiu, trocaram 6 por meia dúzia e vida que segue.
As sessões dos wethouder (tradução direta pro português: vereador) eram abertas e o pau quebrava. Tipo sempre! E vereador, sabe como é, é tipo eu e você assim, anda na rua e é amigo de todo mundo.. Com certeza você tem um conhecido que é, foi, será ou quer ser vereador. Pois é, também temos um desses aqui. Que, por sua posição dentro junto aos wethouder, não era dos mais queridos junto aos colegas de trabalho, mas, fazendo seu papel direitinho em relação aos direitos e obrigações da cidade/dorp. No início do ano passado, pediu pra sair, tornando-se um Oud-wethouder.
No fim do primeiro trimestre do ano passado, minha dorpje caiu na boca da galera aqui em Limburg por conta de falcatruas e otras cositas más.
Durante esse carnaval, um Wethouder querido por muitos, "odiado pelo mesmo tanto dentro na política", eleito pelo povo com trocentos votos, afastado, reeleito com o dobro, considerado bem amigável por muitos (as vezes até demais), dentro de um pub deu um beijo em uma Senhorinha. O beijo da morte, diga-se de passagem.
A Senhorinha (que deve ter entre 40 - 50 anos) é irmã/parente/amiga/conhecida/puxa-saco sei lá o que do arqui-inimigo (oi, nova regra ortográfica!?) do "Wethouder querido por muitos" o denunciou por abuso sexual. Oi? Isso mesmo. Um beijo (segundo ela, teria forçado um beijo de língua, por outros apenas um beijo na bochecha) dentro de um pub lotado, na frente de todo mundo, segunda feira de carnaval, virou caso de polícia.
Acontece que a polícia não fez nada e a imprensa, mídia, gemeente e inimigos caíram de pau. Lembre-se, estamos falando de uma dorpje. A dorp + dorpjes que fazem parte da minha Gemeente, num total de 20.000 habitantes que votam, mandam, se metem...enfim, é pouca gente e a notícia corre. A pressão foi tanta que, 2 semanas depois, numa terça feira, encontraram o "Wethouder querido por muitos, odiado por outro tanto" morto no curral. Suicídio.
E aí a guerra começou de vez. As sessões na Gemeente foram suspensas, o prefeito xingado, wethouders odiados, investigação policial e ameaças. 1 semana depois o velório e missa foram acompanhados ao vivo pela L1. No fim de semana depois, o tal Oud-Wethouder amigo nosso acordou com tinta vermelha jogada no muro de sua casa e no carro, acompanhado de um bilhete fazendo-lhe ameaça de morte, por conta do suicídio do "beijoqueiro", como alguns se referiam.. 5 dias depois outro bilhete. Semana passada outro bilhete pra outro Oud-Wethouder - do mesmo partido do do nosso amigo, no mesmo estilo. Como a polícia não fez nada e moradores do prédio construído pelo mesmo também receberam bilhetes com ameaças, a mídia acabou sendo a melhor saída. Domingo passado a dorp foi parar em rede nacional. Sexta feira, voltando do trabalho vi camera e um reporter praticamente implorando (ele tava cercando a galera) por informações. A pergunta era: "wat denk je over politiek in Meerssen?" (o que vc acha da politicagem em Meerssen?). Enquanto estava no pin automaat a resposta que ouvi era a mesma: "Sorry, maar ik wil niks zeggen!" (Desculpe, mas não quero dizer nada.).
Eu ainda acho isso tudo um absurdo porque, do lugar de onde eu venho, político que não beija, abraça, pega no colo não é eleito. Como que alguém que saiu da política e por conta disso acabou "dando poder" ao "Beijoqueiro" ser culpado por um suicídio? Com isso tudo, a Gemeente aqui tá o samba do criolo doido. Ninguém sabe de nada, sessões ainda restritas e o pau quebrando. Prováveis eleições? Ninguém sabe! Meerssen de volta pra Maastricht? Quem sai ganhando é o Stad que receberá cerca de 20.000 novos eleitores.
Feliciano não me representa (tá na moda dizer isso né?!) Lula nunca me representou. Dilma, FHC, Wethouders também não. Nem a Tia Bea! As vezes eu me pergunto se realmente queria ser um cara pintada (apesar de serem orientados por alguém que hoje aperta a mão do maior inimigo na época, eles acreditavam). Eu nunca pensei que aqui seria um mundinho encantado e perfeito onde tudo aconteceria num passe de mágica. Longe de mim (em 2006, logo antes de chegar na Holanda pela primeira vez, Tia Bea colocou ordem no puteiro, cancelou tudo, mandou todo mundo votar e não deu em nada!). Mas hoje em dia tá difícil acreditar nos políticos e tudo (e qualquer coisa) que os envolve. É cada um por si e salve-se quem puder. Dessa maneira!
afe.. um beijo na boca?
ResponderExcluirque confusao!
Pois é.
ExcluirUma velha e um velho. Confusão que só!
É, por aqui acontecem coisas também e das mais podres. Tão até jogando criança de prédio, vc viu? Eu às vezes penso que o ser humano está se degradando mesmo...sei lá. Triste.
ResponderExcluirUé? Aqui tambem?!
ExcluirAh Eliana, não é querer desistir do ser humano, mas a zona de conforto é confortável demais pra querer/tentar mudar/melhorar. Infelizmente.