sábado, 20 de outubro de 2012

To Sir, with love.

Segunda feira, 15.10, foi dia dos professores.

Eu nunca tive vontade de ser professora. Minha mãe é Professora e cresci ouvindo, por conta dos perrengues que ela passava (salário baixo, correria sem fim, muitos e muitos alunos, sobrecarga de trabalho) para nunca ser professora. E, com livre acesso às escolas, quadros, corredores de qualquer escola onde minha mãe trabalhava, o quadro negro e giz eram meus. Enquanto esperava mamãe nas reuniões, eu reinava numa escola de verdade só minha. Isso era o máximo que eu brincava de escolinhas.


Mas, como diz Joseph Climber, a vida é uma caixinha de supresas e cá estou eu: Teacher.
Não tenho coragem de me chamar de professora, até porque, nem no meu contrato está professora, mas sim, Instrutora. Praticamente ninguém na sonda me chama de Professora, mas sim de Teacher. 

Hoje, com 9 meses de embarcação, posso dizer que estou acostumada a me chamarem de Teacher - só me chamam assim aqui, meu nome é esse - mas é algo que acaba imediatamente quando coloco meus pés em terra. Volto a ser eu mesma.

Dia 15 recebi algumas felicitações pelo dia dos professores, mas confesso que fiquei bem sem graça em relação a isso. Não me vejo professora, não sinto prazer em ser professora. Hoje, me vejo como alguém que está ali, em sala de aula, to share the knwoledge e nada mais. Eu não estudei pra isso e não passo por 1/3 do perrengue que os professores da vida real passam. Aqui, eu sou apenas a Instrutora. A ponte entre expats e brasileiros por conta da língua.

Não. Não estou desmerecendo professores de inglês, pelo contrário - sou imensamente grata por aqueles que me ensinaram a amar e estudar a língua que já me levou a tantos lugares e a conhecer tanta gente diferente. Mas EU não me sinto honrada em ser chamada de Professora. Principalmente pelo motivo de estar exercendo tal função agora (Elvis falava: one for the money, two for the show). Sempre vi a função de English/Potuguese Instructor como uma porta para o mundo offshore. E uma mega porta. Mas não me vejo e nem quero fazer isso pra sempre - apesar de derreter quando os "alunogros" elogiam e gostam da minha aula, adoram minha didática e metodologia e vêem realmente o meu prazer em dar a aula. Meu ego vai nas alturas mas lá dentro de mim eu bem sei que isso é apenas o meu compromisso profissional comigo mesmo, my own ISO, meu controle de qualidade no que eu estiver fazendo.

Hoje, 9 embarques depois, ver que de 35 matriculados, tenho cerca de 95 (sendo que somos 120 a bordo), é maravilhoso. Graças a Deus alcancei todas as metas (média de 92% por embarque) e tenho alunos sensacionais. Mas tá faltando algo... Tá faltando aquela paixão e satisfação que vejo há 29 anos escancarado no rosto da minha mãe. A alegria de estar dentro de sala de aula, dentro da escola, de ver a evolução do aluno, da cartinha que recebida, de ver os alunos dela, hj, formados e bem de vida. Isso, apesar de me orgulhar dos meus alunos falando e entendendo inglês e comentando que o que foi dado em sala de aula foi útil...eu acho que não terei.

Aos meus professores e àqueles que fizeram diferença enorme na minha vida, à esses sim meu sincero e enorme agradecimento e desejo de coisas boas sempre. Entre estas, melhor salário, melhores condições de salário e respeito...muito mais respeito de todos nós.

À minha mãe, melhor educadora não há. Exemplo de profissionalismo e, apesar de nunca ter tido aula com ela, melhor professora do mundo.

Um comentário:

  1. Eu sou um péssimo exemplo de professora. Fiz 5 anos de Letras Poertuguês/Inglês, fiz meus estágios, entreguei minha monografia, e na hora do "pega pra capar" mesmo, saí fora!

    Dei aulas durante 1 ano apenas, mas quase que pagava pra trabalhar, péssima remuneração. Dei aula de inglês pra estrangeiros, pagava bem, mas era algo muito inconstante e eu morava sozinha, precisava pagar minhas contas independentemente da quantidade de alunos que tinha, rs. Dei aulas de inglês para crianças numa escolar super bacana, amava meus aluninhos (5 e 6 anos), mas não dava pra viver daquele trabalho.

    Aí consegui um estágio no departamento de qualidade de uma empresa offshore, comecei a fazer revisões de procedimentos, depois fui contratada como doc controller e doc controller fui por quase 8 anos!

    Só agora saí, mas continuo na mesma área, ou seja, Letras me serviu "apenas" como porta de entrada, mas não me considero professora. Às vezes tenho saudades, vejo meus amigos de facul trabalhando na área e super felizes, mas se vc olhar pelo lado prático(salário), não vale a pena trocar, infelizmente.

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