Aos 8 anos, fui com minha tia na casa de uma amiga dela que tinha uma fêmea Akita que estava com os filhotinhos de 30 dias, no máximo. Uma casa enorme, um quintal gigante, as outras crianças que deveriam estar lá não estavam, os brinquedos só de meninos... me restou ficar no quintal. Os filhotes estavam numa caixa gigante brincando e lá fui eu bem devagar e sozinha brincar com eles. Não me lembro exatamente como foi essa aproximação, mas fecho os olhos e vejo perfeitamente a cena da minha mini pessoa sentada no chão com uns 5 filhotes em cima de mim e a mãe Akita deitada pedindo um certo carinho. Naquele dia curei - sozinha - meu pavor por cachorros e decidi: também queria ter um cachorro.
A aproximação com outros cães foi surgindo gradativamente. Mas não dava bafão e, pra alegria dos meus pais, eles podia visitar amigos e conversarem tranquilamente sem euzinha no colo.
Mas sempre tive medo de cachorros com histórico popular agressivo: Pitbull, Rottweiler, Fila, Doberman... Me lembro que uns amigos tinham uma Doberman, chamada Minnie, que eu só via de longe e qndo estava dentro do canil e, de uma família de 5, apenas 3 se davam bem com a Minnie. No Natal e Ano Novo geralmente estávamos em Arraial - o apartamento deles era embaixo do nosso - e em um dos anos, o Tio J. chegou do RJ com a notícia que Minnie tinha morrido porque sabe lá como ficou presa no terraço e teve um ataque do coração por conta dos fogos do Reveillon.
Foi a primeira vez que vi alguém chorar por conta de cachorro. Eu tinha uns 11 anos, eu acho. Foi estranho, mas não liguei muito. Nem eu nem a M., "dona" da cahorra que não gostava muito. Pra gente era um motivo para andarmos tranquilamente no quintal sem a Minnie por perto.
O tempo passou, mudamos de casa, cidade, Estado mas a vontade continuou: queria ter um cachorro. Com a desculpa de morarmos em apartamento, eu ser muito nova...não alcancei o obejtivo. Até que, aos 20 anos, ganhei de presente de uma das minhas melhores amigas o Toy, meu Lhasa Apso gostoso toda a vida. Que chegou (de propósito) 2 meses após a separação dos meus pais. O Toy foi mais que um presente, ele chegou, e surpreendeu minha mãe que deu de cara com ele quando chegou de uma viagem ao RJ e foi paixão a primeira vista.
Toy sempre foi muito mimado, mas nada comparado aos mimos que os cães tem aqui na Holanda. Nas bandas de cá os cães são caros, caríssimos. Além das mais variadas raças. Não sei se vocês lembram da abertura da Tv Colosso, mas por aqui eu já vi andando nas ruas todos os cachorros que aparecem na abertura do programa (hahahaha). A quantidade de parques espalhadas pelos bairros são de propriedade, praticamente, dos cães. Lá eles correm, treinam, fazem o que querem. E, o melhor, espalhados pelos parques você encontra latas de lixo com saquinhos plásticos (pelo menos aqui em Maastricht tem) para as necessidades do seu cachorro.
Cachorro aqui também tem privilégios. Anda de trem (a primeira vez que vi foi um Yorkshire comendo e bebendo tranquilamente num assento ao lado do meu, sem contar nos Labradores que tomam conta do corredor - que já é estreito - e ficam lá de boa, sem latir só curtindo a viagem), tram, metrô. Vai à restaurantes, entra na farmácia, na loja de calçados, viaja no bagageiro do carro, vai na cestinha da bicicleta, tem um carrinho de bebê especial só pra ele e só não entra no supermercado. Vai até festa de aniversário de adulto (um amigo do Querido trouxe o cachorro dele pro aniversário do Querido - contra minha vontade - : aqui em casa [apartamento] e com umas 30 pessoas dentro, fiquei com dó do cachorro que ficou quieto debaixo da mesa).
Os pais da minha host tinham um Berner Sennenhond, a Wanda (eu ainda terei um Berner, é lindo demais!). Wanda é um doce. Foi me buscar na estação e foi a Aupair nr.2 quando fomos para Gstaad, na Suíça em dezembro 2007/2008. Pra onde eu ia com as crianças, Wanda ia atrás. Só carinho comigo e com as kids. Mega obediente. Mas não só a Wanda. O velho do Diesel, um Golden Retriever da irmã da host também. Só não era dos mais amigáveis porque já estava beeeeeem velhinho.
Os cachorros holandeses são bem obedientes. A galera curte treinar a cachorrada tipo Dog Whisperer (um programa da National Geographic, acho que o nome em português é "O Encantador de Cães"). Mas também, tem que curtir treinar mesmo para dar valor a grana investida para ter um cachorro aqui. Cachorro é caro. Ainda mais de raça (nunca vi um vira lata por aqui, ou raça desconhecida) e com Pedigree.
Cachorro (e gato também) na Holanda tem chip, passaporte e tem que estar em dia com toda a vermifugação. Além do dono ter que registrar o cachorro na prefeitura pagando um valor que varia entre 80€ e 100€. E caso vc tenha um segundo cachorro, o valor aumenta. E assim sucessivamente. O valor, geralmente, é a partir de 400€: raças pequenas, com pedigree, conhecendo a procedência e de criadores de verdade. Mas nem todas as raças pequenas são as mais baratas. Ano passado, o sobrinho do Querido ganhou de um amigo o Gregor - um Chiuaua - de aniversário. Fomos checar o preço e descobrimos que ele custava cerca de 1.400€. Gregor foi embora e vei Gilbert, um Basset Hound. Gilbert custou nada mais nada menos que 900€ e foi comprado de criadores em Zeeland (isso pq a Cunha mora aqui em Limburg, ou seja, 186km longe daqui). Mas sei que Golden Retrievers, por exemplo, não custam menos que 900€. Ter um cachorrinho saudável custa e custa muito (muito mais que no BR, por exemplo). Como em todos os lugares, há golpistas para essa área também. Muita gente vende cães mais baratos, sem pedigree e tudo mais, mas que são criados em fazendas e com um background repleto de doenças. O que vai te custar mil vezes mais caro quando você pegar a conta do veterinário - que, obviamente, não é nada barato.
Väos, um Hollands Schapendoes (derivado de Sheep Dog), mais conhecido como The Hairy Dog ou, cachorro da minha sogra, tem 5 anos e há 2 semanas teve que fazer uma cirurgia de 3h por conta de pedra nos rins que não estavam nos rins mas escondida em algum lugar, deu-nos de presente uma conta de 830€. Toy que fez uma cirugia mais complicada esse ano e ficou durante 1 mês entre clínica, hospital e não sei mais o que, não chegou a tanto.Enfim, ter cachorro na Holanda é artigo de luxo. Mas como tem solução pra tudo, há várias casas de adoção - asilo para cães - onde você pode se inscrever, fazer uma entrevista e escolher o seu cãozinho que já vem todo trabalhado na vacina, com chip e passaporte. Muitos cachorros vem de fora da Holanda (Espanha, Grécia...) para serem cuidados aqui e colocados para adoção.
Enfim...cachorro é (sempre) caro mas é um amor sem fim! E eu tô morrendo de saudade e doida pra agarrar muito meu Toyzinho, catoiiiiinho fofo!!!

AMO cachorro!!! Foi a maior dor de cabeça trazer a minha do Brasil, mas faria tudo de novo!
ResponderExcluirLá em casa (no Brasil) nós sempre tivemos cachorro, certa vez tivemos 4, todos ao mesmo tempo, rs. Dois deles morreram bem velhinhos, um com 18 anos e a fêmea com 17.
Cachorro aqui é caro mesmo, mas os asilos estão cheios de bichinhos querendo um lar, como vc disse, pode ser uma opção. Eu não sei se eu daria 900 eurecas num bichinho não...não sei.
No início eu reclamei de ter que pagar o imposto, mas já me acostumei e pensando bem acho uma ótima ideia, pois ajuda a evitar que pessoas irresponsáveis pensem duas vezes antes de adquirir um cãozinho. E o imposto sendo anual, a gente acaba "nem sentindo" o dinheiro sair.
Bjos e bom domingo!
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ResponderExcluirTaís, tá ai um tópico que eu amo comentar sobre. Eu posso incluir cachorros no top da lista de coisas que amo nessa vida. Eu amo tanto cachorro que eu não sei como consegui sobreviver 18 meses sem cachorro e sem o meu cachorro.
ResponderExcluirNo dia em que ia viajar pra Europa, eu chorei tanto, alias passei o mês chorando de deixar o Johnny, meu meio maltes, meio poodle, que é a paixão da minha vida. É sem noção o quanto todo mundo aqui em casa ama cachorro e trata o Juca (o apelido dele), como o rei da casa.
Depois que eu fui embora meus pais deixaram de fazer muita coisa pelo Johnny, como meu pai não dirige, eles não viajam pra nao deixa-lo sozinho, já pagamos hotelzinho, mas eles não relaxam nas viagens sabendo que ele está com gente desconhecida ou preso. Meu pai vive dizendo que depois do Johnny nao vai querer mais nenhum cachorro. Eu já ouvi isso tantas vezes com todos os cachorros que tivemos antes, e sempre arrumamos outro.
Juca é bem doente, semana que vem vai fazer uma operação da próstata, tem epilepsia e toma medicaçao desde bebezinho, toma remédio pra tudo, tem a própria famarcinha aqui em casa. Fora exames de sangue, eletrocardiograma... quando eu fui embora, Jho entrou em depressão, fora quase 1000 reais em tratamento. Com a operação agora, mais 500 + exames que já foram feitos, mais pet shop pra banho toda semana, mais dengos que agente compra. E atenção aqui em casa toda a atenção é voltada pro Johnny, ele sabe nos fazer rir, chorar junto quando ele está mal...
Só de pensar em ir embora e deixar essa coisa gostosa que tá deitada aqui do meu lado agora, dá um aperto no coração tão grande que eu meio que faço um bloqueio mental. Enfim, eu poderia falar horas como cachorro me completa, dá alegria que eu sinto de ter um cãozinho em casa. Eu amo todos eles, vira latas, de raça, grande, pequenos...
Beijao