sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Meu cérebro não é oco. Amém!

Por que é tão difícil pras pessoas entenderem que não é porque algo aconteceu com você que necessariamente acontecerá comigo?

Eu detesto gente burra. Não burra de conhecimento, mas burra de cabeça mesmo. Burra de não querer crescer, de se conformar com o mundinho e a vidinha que vive, de saber que existe muito muito mais além do nosso umbigo.

Trabalhar a bordo me fez trabalhar a paciência e controlar meus pensamentos - passei a usar muito mais o filtro que existe entre nosso pensamento e a língua. Lidar com pessoas que não fazem parte do seu nível intelectual é algo muito difícil. E não, não estou sendo petulante e muito menos dizendo que sei mais ou menos que você e/ou que sou preconceituosa.

Cresci num ambiente onde o ensino fez muita diferença na vida das pessoas (quem tem estudo, tem um bom emprego e salário, simples assim). Onde a educação é algo que ninguém jamais vai tirar de você e vai sim te levar a outros mundos - sem necessariamente sair do seu país. Hoje em dia, no trabalho, tenho alguns mundos: 1) o do cara que sempre gostou de estudar e quer estudar pra crescer mais; 2) o do cara que estudou por obrigadação e tá satisfeito com o que tem; 3) o do cara que sempre teve/tem dificuldades para estudar (aprendizado, trabalho, falta de grana) e faz de tudo hoje para perder o tempo perdido. Dessas 3, o que me incomoda mais é o segundo caso.

Algumas empresas são mães para os funcionários. A empresa leva e busca em casa, dependendo do local que o funcionário reside, paga 75% do curso de línguas em terra, dá um curso de inglês a bordoe + 75% do curso de graduação, faz festa e leva e trás o peão* e toda sua família e investe nos melhores cursos para o cara se aprimorar...e tem peão que vai pro curso, abaixa a cabeça e dorme (literalmente) durante as aulas, reclama dos cursos, não faz o trabalho direito e quando você vai conversar com ele, não tá nem aí. Não dá a mínima. Nem preciso falar das aulas a bordo né? Além de ser pra vida toda (coisa que eles não colocam na cabeça) tem porcentagem para qualquer promoção.


Logo que cheguei na Holanda fui à uma festa brasileira. Tinha 2 meses de Holanda eu acho e, com uma outra Aupair brasileira, fomos nessa festa. Foi pra nunca mais. Me lembro de ter conhecido 2 belgas (somos amigos até hoje) que nos perguntaram se todas as festas brasileiras eram daquele jeito: na boquinha da garrafa pra baixo, calça colada e muito decote. Não aguentamos ficar 1h e fugimos pra um pub e lá eles falaram que já estavam na festa há um certo tempo mas só conseguiu manter uma conversa por mais de 5min.

Depois dessa festa fatídica fiz um compromisso comigo mesma de não ir a nenhuma festa brasileira pois não queria ser comparada a pessoas daquele tipo. Nem em pensamento.
E não venha com hipocrisia dizendo que virei européia e blablabla... Seu você não frequenta algo desse nível no Brasil, por que vai frequentar fora dele?


Com o passar do tempo ouvi muita coisa de brasileira na NL. Muitas concepções tiradas por gringos, que só aumentou quando mudei para Amsterdam. Conheci muito dutch (homem/mulher) que ficavam impressionados com a qualidade do meu inglês e que ficavam chocados quando minha host fazia um resumo do meu "curriculum vitae". Na terra dos tamancos fiz questão de me cercar de pessoas que pensavam como eu ou que tinham os mesmos estudos para que a conversa saísse livremente: viagens, stress com hostfamily etc.

Facebook (ou orkut na época), as comunidades e grupos que servem para te ajudar viram campos de guerra. Tudo o que você fala é usado contra você. E, apesar de querer ajudar algumas pessoas com informações, cheguei a conclusão de que é melhor ser egoísta e don't share the news. Fuçando Observando os perfis dos questionadores e causadores de problema pessoas que não entendem patavinas, questionam e acusam as fotos, comunidades que seguem e postura virtual denunciam a falta de inteligência. Ok ok ok, não julgueis para não seres julgados, mas enfim.


Eu fico pensando como que alguém que mal escreve português corretamente e não respeita pontuação gráfica consegue se comunicar fora do país ou com um gringo? Sempre estudei inglês e, graças a Deus, nunca passei por perrengue pra me comunicar mas já fui chamada várias vezes para traduzir (a bordo, trabalhando no aeroporto ou simplesmente andando na rua) e já vi gente fazendo mímica pelo telefone (sim e tenho testemunhas) para que a pessoa do outro lado da linha entendesse. Hoje em dia, essa pessoa que fez mímica por telefone, 5 anos depois, fala, além do português, outras 2 línguas. Correu atrás do tempo perdido e não depende de ninguém para se comunicar.

Quando tinha 15 e fui pra Disney, eu estudei absolutamente tudo sobre a viagem. Desde a chegada em Orlando, Mickey e Minnie às lojas de Miami. Eu não sabia de tudo, mas tinha noção de grande parte. Quando fui ser Aupair, antes de ir, li muito sobre o assunto e sobre o visto. A mesma coisa agora. Se estou envolvida em algo, tento me inteirar sobre o assunto para não falar besteira e principalmente, defender meu ponto de vista e saber onde obtive tal informação. Que mal há nisso? É tão bom obter conhecimento. 

Não me importo muito para opinião alheia (acredite se quiser), mas meu ego infla quando ouço algum elogio referente a minha educação.

Abrir a mente para novas é uma das melhores coisas da vida. Faz o ser humano perceber que existem várias pessoas ao redor do mundo, várias situações e principalmente que cada um tem seu espaço e este deve ser respeitado. Não é porque estamos na mesma situação que teremos o mesmo desfecho. Cada pessoa tem vida própria.



*peão = qualquer pessoa que trabalha na área (fora do casario, do lado de fora) de uma plataforma.

4 comentários:

  1. Tais eu confesso, tenho problema com brasileiro no exterior. Meus pais nao tem quase nenhum estudo, eu nao fui abençoada com o dom do aprendizado fácil, meu português, confesso é péssimo, inglês hoje em dia deve estar melhor do que o meu português, mas olha penei pra aprender, com o holandês a coisa pelo jeito vai indo pelo mesmo caminho.

    Mas o meu problema com brasileiro por aqui é realmente a diferença cultural, talvez maior até do que com os estrangeiros. Esses dias mesmo fui em uma cabeleleira brasileira, tinha outras duas brasileiras esperando, eu queria sair correndo de lá por conta da conversa.

    Enfim, chega logo.

    beijos

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    1. Si, eu tenho tudo contra. Infelizmente.
      Minhas amigas na Holanda, até o momento, são todas ex-Aupairs...e mesmo assim, poucas.

      Nunca tive muito problema pra me relacionar com gringos e sim com brasileiros expats. É surreal a diferença cultural. No início me culpava por isso por esse sentimento, hoje em dia não.

      Eu lembro que ia num salão brasileiro em A'dam - frequentado por muitos dutchs - mas entrava muda e saía calada, pq não dava pra aturar mesmo.

      Eu sou daquelas, (in)felizmente: diga-me com quem andas e eu te direi quem és.

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  2. Eu já fui em festas de brasileiras que foi assim, aliás, o som era tão alto que eu não conseguia nem conversar com as pessoas do lado e durante a festa toda eu conversei com uma portuguesa e com um canadense, pq as brasileiras estavam ocupadas demais em "bater cabelo".
    Preciso dizer que nunca tive oportunidade a uma boa educacão, meu português é péssimo, o meu inglês eu aprendi na marra e meu sueco é bem sofrido. Mas não desisti e tenho muito orgulho do quanto eu aprendi nesses anos na Europa.
    O meu problema com brasileiras aqui não é a dimensão cultural, não é pq em festas elas dancam na boquinha da garrafa ou pq elas tem o português ruim. Não de jeito nenhum,isso não me incomoda, eu não preciso usar as roupas digamos... Inadequadas que muitas usam ou me comportar com els, até pq muitas fora da festa são pessoas humildes, gentis e educadas, mas infelizmente não consegui fazer amigos, pq eu sentia (senti) que só eu convidava para um café, só eu chamava para passeios... Enfim, cansa né? Mas ficaria muito feliz de encontrar uma amiga brasileira por aqui, alguém que valorizasse a minha amizade, nem precisava ter meu nível intectual, que aliás eu não tenho muito rs*. Só precisava ser assim gente boa, boa amiga!Pq com suecos... Não dá!!! É muita fachada e superficialidade 8generalisando)
    P.S- Respondendo a sua pergunta sobre o tênis. É como andar de salto anabella, não é confortável como um tênis para caminhada pq tem um saltinho, mas pra quem está acostumada com saltos é confortável e quentinho, ótimo para meia-estacão. Depois me conta se teve coragem de experimentar!

    Bjo

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    1. Pois é. Não tenho absolutamente nada contra pessoas com educação (escolar) diferente da minha. Sou uma privilegiada pois sempre estudei nas melhores escolas porque minha mãe trabalhava lá e era bolsista.

      Mas, infelizmente, minha experiência brasileira na europa não foi das melhores. Enquanto eu queria falar das viagens, museus e/ou experiências culturais, os únicos temas eram: homens, passaporte europeu e roupa/corpo/sedução - temas totalmente opostos à minha vida de intercambista, sem falar numa concorrência surreal com outra brasileira. Sendo assim, como tais tópicos nunca fizeram parte da minha dissertação no BR, me afastei, pq sempre quis falar mais e muito mais sobre outras coisas.

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